GALERIA
Maringá ganha espaço
contemporâneo
Galeria
Santa Imagem abre portas para artistas que
têm algo a dizer e muda conceito artístico da
região
Inaugurada
oficialmente no final de maio, a Galeria Santa
Imagem é o novo e, talvez, o único
ponto de referência para os
"modernos" da cidade. Mesmo que o meio
evite esse conceito, é a melhor maneira de
conceituar um espaço voltado para as artes
contemporâneas numa cidade tão conservadora
como Maringá. A iniciativa foi do artista
plástico Ricardo Zwecker, 41, residindo em
Maringá há dois anos e com uma experiência em
cursos de arte nas instituições mais
respeitadas da capital paulista, como MASP, MIS,
MAM e Pinacoteca, além de também ter cursado
Filosofia na PUC.
Ricardo teve a
idéia de montar uma galeria depois de uma
exposição um pouco frustrante no Teatro Calil
Haddad quando fez contatos com artistas e viu
como os trabalhos eram mostrados na cidade.
"Vi que os artistas eram tratados meio às
avessas e comecei a sentir falta de um
lugar.", explica o empresário das artes. A
partir disso, depois que um amigo falou que tinha
um lugar onde ele poderia transformar num
ateliê, passou a visualizá-lo como galeria e
assim ficou.
Um dos objetivos
da Galeria Santa Imagem, que está aberta desde o
início de abril com seu acervo de 80 peças, é
mudar o conceito de que galeria só expõe tela.
"A galeria está aberta para qualquer
artista, desde que o trabalho dele entre no
perfil da minha galeria, que é um perfil
contemporâneo.", justifica Ricardo. Um dos
conceitos mais importantes na hora de avaliar o
trabalho de um artista para expor na galeria
será a qualidade da linguagem que deve estar
compatível com os interesses de Ricardo.
"Eu vou trabalhar com qualquer coisa, desde
que o artista tenha alguma coisa a dizer."
Como se não
bastasse o conceito inovador que a galeria traz
para a cidade, a localização não é das mais
privilegiadas e pode restringir o contato da
população com as obras expostas no espaço.
Mas, para Zwecker, o que pode fazer com que as
pessoas não freqüentem sua galeria é mesmo a
caracterização de um espaço cultural típico
de cidade grande, com ares realmente
contemporâneos. "Toda a linguagem que a
gente trouxe pra cá é justamente essa. Eu sou
de São Paulo, estou há dois anos aqui. Algumas
pessoas que freqüentam aqui têm esse perfil. E
os outros não têm muito esse perfil e, por
isso, sejam um pouco reticente a esse
espaço.", esclarece.
Apesar da
linguagem contemporânea obrigatória, não
espere ver uma arte revolucionária e, muito
menos, artistas que desprezam o lado comercial.
Na exposição que inaugurou a galeria no dia 29
de maio, intitulada "4 Elementos", há
telas de tamanhos, preços, estilos variados e
que, paradoxalmente, não têm uma compreensão
tão complexa. Pode-se conferir desde a
delicadeza das transparências de Cristina
Agostinho, à pop art de Paolo passando pela
natureza de Firmino e pelo abstrato bucólico de
Ricardo Zwecker. Todos com intenção de que
muitas pessoas observem seus trabalhos e, se
possível, comprem alguns afinal, artista
que é artista deseja viver só de suas obras.
A Galeria Santa
Imagem não teve um marketing agressivo e foi
mais direcionado com notas em jornais, convites e
alguns out doors. E, mesmo assim, a vernissage
foi um sucessos de público, segundo Ricardo.
"No primeiro dia de exposição teve um
coquetel, um boca livre as pessoas sempre vêm.
Vieram mais ou menos 140 pessoas, achei bom. No
mesmo dia, no museu, teve uma outra exposição
com seis ou sete artistas, mas só foram 40
pessoas. Aqui acho que tá legal.", revelou.
Já em relação aos artistas, esperava-se uma
maior receptividade. "Acho que os artistas
por serem artistas e gostarem do que fazem,
esperava que eles abraçassem mais esse lugar do
que abraçaram.", lamentou.
Além da
iniciativa louvável, a galeria também mostra
organização tanto no espaço quanto no
planejamento. Além das obras disponíveis para
visitação, no fundo da galeria há uma estante
com livros de arte e fotografia que podem ser
consultados pelos visitantes. Outros artistas já
estão agendados para expor seus trabalhos na
galeria e, para breve, Ricardo promete trazer
alguns amigos seus que são artistas em São
Paulo para mostrarem seus trabalhos em Maringá.
Sem esperar
revolucionar o conceito artístico na região, o
empresário e artista Ricardo Zwecker quer
disponibilizar outras formas de arte que estavam
fora do alcance da maioria dos maringaenses.
"É tentar educar a população que gosta
deste tipo de coisa, no sentido de freqüentar a
galeria, apreciar e ver a diferença de um
trabalho para outro." finaliza.
Andhye
Iore
José Antônio Firmino,
47 anos
Belas Artes, em São Paulo
Influência de Impressionismo e expressionismo.
Ultimamente, mistura com desenho infantil,
inspirado na observação nos filhos. Têm
frustrações com a arte em Maringá. "Fiz
uma exposição no Calil Haddad que o mês
inteiro teve uma visitação igual a que teve no
primeiro dia aqui na Santa Imagem."
Cristina
Agostinho, 34 anos
FAAP, Belas Artes em Portugal
Desenho acadêmico com conceito contemporâneo do
que vive no momento. Referências de Frida Khalo
e feminismo. Ultimamente trabalha com
transparências pictóricas com trabalho de luz.
"Se as pessoas encararem a arte só para
pendurar na sua parede, ficam com um mundinho
restrito. Se conseguirem enxergar que podem levar
um artista para dentro de casa, vão poder dar
continuidade ao trabalho do artista."
Paolo
Roberto Ridolfi, 39 anos
Autodidata
Gosta de passar o prazer da pintura. Referências
de arte pop. Ter um espaço como a Santa Imagem
é fundamental. "Têm frustração em
relação ao público, mas já espero isso
também. Se o público veio ou não veio, eu
preferia que tivesse vindo, mas não vou deixar
de pintar. É uma frustração não vender."
Ricardo Zwecker,
41
Formação Filosofia na PUC e cursos de arte no
MASP, MIS, MAM e Pinacoteca
Além de artista
plástico, Ricardo também é fotógrafo
Com a Galeria Santa Imagem pretende mudar o
conceito de arte em Maringá. "É tentar
educar a população que gosta deste tipo de
coisa, no sentido de freqüentar a galeria,
apreciar e ver a diferença de um trabalho para
outro."
Andhye
Iore
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