Documentário traz momentos descontraídos de Fellini
"Entrevista Com Fellini" é uma homenagem com material
inédito sobre um dos maiores gênio da história do cinema

Três documentários exibidos na mostra tratavam de cineastas italianos. "Entrevista Com Fellini - Um Auto-retrato Revelador", de Paquito del Bosco, "Ferreri, I Love You", de Fiorella Infascelli e "Giuseppe Tornatore – Um Sonho Sonhado na Sicília", de Marc Evans. Falado em italiano com legendas em inglês, "Entrevista Com Fellini – Um Auto-retrato Revelador", contém várias entrevistas com o gênio italiano Federico Fellini (1920 – 1993).

Ator, diretor e roteirista, Fellini tinha o hábito de também desenhar seus filmes, sendo um dos poucos cineastas na história do cinema a ser capaz de fazer storyboard. Em sua carreira, escreveu 48 filmes, dirigiu 24 e atuou em dez.

O documentário exibido na mostra foi feito pelo consultor da RAI – Rádio e Televisão Italiana -, o albanês Paquito del Bosco, de 58 anos, que é um expert em acervos de cinema e conseguiu reunir raridades em seu filme. Há um depoimento radiofônico do cineasta de 1952, além de várias entrevistas feitas nos bastidores dos filmes e em coletivas e Fellini recebendo prêmios em festivais de cinema, incluindo o Oscar.

Entre os filmes mostrados no documentário estão "A Doce Vida", "Oito e Meio", "Julieta dos Espíritos", "Satyricon" e "Amarcord". Um dos momentos mais importantes é o encontro entre Fellini e Ingmar Bergman, onde os dois falam sobre um filme que fizeram juntos mas nunca lançaram.

Em uma das entrevistas, o temperamental diretor italiano fala que colocou detalhes autobiográficos em muitos de seus filmes. Ao ser perguntado sobre a magia do cinema, Fellini diz que filmar é um grande brinquedo, é uma diversão. Por isso, sua fascinação pelo circo. É claro que não podia faltar um depoimento sobre Marcello Mastroiani, seu ator favorito, e porque gostava de filmar com ele.

"Entrevista Com Fellini" revela um dos passatempos favoritos do cineasta: o de dispensar jornalistas que faziam perguntas idiotas. Fellini era de um sarcasmo e ironia impressionante. Tinha um humor sutil que deixava os jornalista sem ação. Outros momentos engraçados no filme são as brigas dele com os produtores de seus filmes, onde Fellini mostrava seu gênio no sentido amplo da palavra. Pelas criatividade e pelo humor inconstante.

A parte final do documentário foi reservada para a vida particular do diretor, onde ele fala de seus tempos de jornalista, sobre como ele passava os domingos em atividades banais e que o seu tempo livre era gasto com advogados e fiscais do imposto de renda.

O filme todo têm um clima de nostalgia, colaborado pelas imagens em p/b e retrata perfeitamente a importância de Fellini para a história do cinema.

SERVIÇO: Entrevista Com Fellini - Um Auto-retrato Revelador ("Fellini Racconta – Un Autoritratto Ritrovato") – Itália, 2000 – Duração 1h08 – Direção: Paquito del Bosco – Edição: Massimo Bracci – Produtora: RAI Teche

Andhye Iore