25º MOSTRA
“Elegia de Uma Viagem”: Sokurov é um mestre
em transformar imagem em poesia

Os filmes do russo Aleksander Sokurov surpreendem quem assiste pela primeira vez. Trabalhando com uma estética visual que foge de qualquer convenção cinematográfica, o cineasta manipula as imagens de maneira a transforma-las em poesia. O que já daria um sentido ao filme independente do roteiro ou das personagens.

Em “Moloch” e “Dolce” – ambos já exibidos na mostra – o público tem contato com uma aula de cinema. São imagens que instigam e levam à uma reflexão. Seja por retratarem bastidores do nazismo ou um drama de uma viúva.

“Elegias” é uma série de filmes com duração entre 20 minutos a 1h30. São nove filmes de uma riqueza visual impressionante. Em “Elegia de Uma Viagem”, Sokurov cria a sensação de um quadro numa tela de cinema.

QUESTIONAMENTOS
Explorando a natureza, o cineasta revela belos e contemplativos ângulos de árvores, da lua, do mar e embeleza ainda mais a neve, a neblina e a chuva. Todo narrado por uma personagem que persegue algo que é maior que sua própria vontade, acaba parando em um museu onde descobre que esteve presente a uma cena de um quadro. O filme é um questionamento da vida, do
eu e de instituições como igreja e forças armadas com relações com a sociedade industrializada.

Aleksander Sokurov é um daqueles cineastas admirados como gênio do cinema em vida. E, certamente, depois de sua morte entrará para a galeria onde estão Buñuel, Fellini, Kurosawa, entre outros.

Andhye Iore / 2001