25º MOSTRA
A Professora de Piano: fetiches, mutilação e redenção

O filme mais comentado da 25º Mostra é, também, o mais doentio. “A Professora de Piano” fala sobre dominação e opressão em relacionamentos – tanto amorosos como familiares – e de como o sexo obsessivo pode ser encarado como uma doença.

Erika Kohut (Isabelle Huppert) é uma professora de piano na faixa dos 40 anos e é oprimida pela intrometida mãe que a trata como uma criança.
Conseqüentemente, Érika age com frieza e impaciência com seus alunos.

Por trás da aparência fria e indiferente, se esconde uma mulher com bizarros fetiches sexuais. A talentosa pianista passa seu tempo livre em cabines de peep shows cheirando lenços com sujos com “prazeres masculinos” e andando no drive in observando casais fazendo sexo dentro dos carros.

Revelando, em muitos momentos do filme, de que quanto mais culta a pessoa mais baixo pode ir, o cineasta alemão Michael Haneke (“Código Desconhecido”) fez um filme perturbador e totalmente realístico.

As fantasias de Érika vão além do voyeurismo e pensamentos sadomasoquistas. Ela chega a se mutilar sexualmente em busca de um prazer que dura poucos segundos, se penteia e vai jantar como se nada tivesse acontecido. É claro, ela limpa o sangue antes.

O contato com um hábil e charmoso aluno desperta a possibilidade de concretizar suas fantasias. Com o interesse de Walter, ela fica atormentada, repreende o rapaz mas acaba aceitando desde que possa dominar o relacionamento ditando as regras por escrito.

Há um conflito de interesses e sentimentos. Enquanto ele tem uma paixãopela talentosa artista, ela sai da posição de dominadora à submissão num ritmo doentio como se o amor fosse feito por coisas banais. Depois de deixar claro que o talento e a devoção ao piano superam os sentimentos, o filme termina com uma desilusão numa bela metáfora de um ditado popular simbolizado por um punhal no coração.

Andhye Iore / 2001