25º MOSTRA
Promessas: a
esperança do fim do conflito
no Oriente Médio nas mãos das crianças
Ódio, vingaça, sofrimento
e esperança fazem do documentário
Promessas um meio de reflexão para
os conflitos no mundo. Sete crianças entre 9 a
13 anos foram acompanhadas e entrevistadas pelos
cineastas B. Z. Goldberg, Carlos Bolado e Justine
Shapiro.
Nada
demais se essas crianças não morassem em
Jerusalém, o palco de intensos conflitos
raciais. Num pequeno espaço geográfico,
muçulmanos, judeus, árabes, israelitas e
palestinos vivem próximos, mas separados por
barreiras militares e um ódio que passa de
geração para geração.
NO
documentário, as crianças alternam momentos de
inocência como também de agressividade digna do
mais radical dos terroristas. Que, aliás, são
defendidos por um dos meninos. Enquanto umas
falam com convicção sobre dogmas religiosos,
outras sonham em ser comandantes do exército
para matar o máximo possível de inimigos.
E
esse ódio cresce porque todos os lados pensam
nos amigos e parentes mortos. Com isso, cenas
como crianças com pedras enfrentando soldados
armados são bem comuns. Promessas
tem um importante valor histórico porque explica
conceitos do conflito no Oriente Médio
utilizando mapas e o próprio depoimento das
crianças.
Em
meio aos bairros de Jerusalém cobertos por
letreiros de marcas ocidentais, explica-se o
motivo de se orar balançando a cabeça nos
templos: é para ser como uma chama de vela que
está sempre em movimento. Há, ainda,
características comuns nas orações no muro das
lamentações. E, uma das cenas mais
impressionantes, onde um homem ora com uma
metralhadora na cintura.
Originado
de um projeto não-governamental,
Promessas é uma das inúmeras
tentativas de grupos tentando iniciar uma
reflexão sobre os conflitos na região. B. Z.
Goldberg é a ponte entre todos os lados. Falando
inglês, hebraico e árabe, ele planta emoções
nas crianças e promove um encontro entre algumas
delas. O que o leva às lágrimas também.
Partindo
de um princípio de mostrar o que as crianças
pensam da guerra e do complicado processo de paz,
os depoimentos são francos, diretos e até
chocantes. Apesar do final otimista mostrando
bebês numa maternidade, a realidade bate de
frente com a tolerância e com a tentativa dos
realizadores do filme em fazer com que uma
criança possa compreender a outra. Isso porque a
vida que levam não permite realizar sonhos.
Depois do documentário, as coisas só pioraram
em Jerusalém.
Andhye
Iore / 2001
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