EXÍLIO NO IRAQUE
Tempo
de sobreviver na fronteira
Andye Iore
Os filmes
iranianos mantém a tradição de atrair bom
público na Mostra. Um dos destaques desta 26A
edição é "Exílio no Iraque", de
Bahman Ghobadi (de "Tempo de Embebedar
Cavalos"). Assim como em seu premiado filme
anterior, Ghobadi mostra o sofrido povo curdo e
sua busca por um Estado próprio.
Entre
os milhares de curdos espalhados por vários
países, os que mais sofrem estão na fronteira
entre o Irã e o Iraque. São estas pessoas e
este território, o elenco e palco de
"Exílio no Iraque".
Enquanto
em "Tempo de Embebedar Cavalos" um
menino passava por cima de todos os obstáculos
em sua rotina de sobrevivência, em "Exílio
no Iraque" um músico idoso reúne seus dois
filhos e parte em busca de uma de suas mulheres
que foi embora.
Dona
de uma bela voz, Hanareh faz a família de
músicos passar por uma série de confusões. Em
belas paisagens uma constante em filmes
iranianos a história ganha elementos
folclóricos, sociais e culturais.
Paralelo
à busca incansável do idoso pela mulher,
"Exílio no Iraque" apresenta ao
ocidente o costume do homem se casar com várias
mulheres, a cultura do casamento arranjado e a
matança indiscriminada por motivos bobos. Chega
a ser impressionante as cenas que reproduzem as
covas coletivas com milhares de corpos e
familiares em desespero e agonia em busca de seus
parentes.
DIVERSÃO
Mesmo com tanto sofrimento, os
curdos também se divertem. A música é o ponto
de equilíbrio do filme. Sem mais nem menos, o
trio de músicos desce da moto em que viajam e
começam a tocar para alegrar quem está pelo
caminho.
Outra
característica descontraída de "Exílio no
Iraque" é a atitude de brincar com o que
não é bom para o dia-a-dia do povo. Assim, uma
mulher questiona um pretendente porque ele fez
sete mulheres infelizes só porque queria ter um
filho homem e não conseguia. Para evitar
desposar sete mulheres, poderia ter adotado um
menino.
Em
outro momento, um professor explica às crianças
o que são os aviões que passam a todo momento
sobrevoando e vigiando a fronteira. Com uma
singeleza comum aos cineastas iranianos, o
professor explica que os aviões tem dois
objetivos: um é transportar mercadorias e o
outro é jogar bombas. Em seguidas, todos os
alunos jogam aviões de papel para cima.
A
denúncia feita por Ghobadi funciona muito bem.
E, neste ponto, é até um pouco exagerado.
"Exílio no Iraque" chega a ser
político, pois em várias passagens do filme, os
personagens acusam Sadam Hussein explicitamente
de ser o responsável pelo sofrimento do povo
curdo.
SERVIÇO
"Exílio no Iraque"
("Gaomgastei dar Aragh")
Irã, 2001
Gênero: drama
Duração: 1h37
Direção: Bahman Ghobadi
Andhye
Iore, 2002
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