FREE DOGMA
Um importante cinema feito na
brincadeira
Andye
Iore
Em 1995, a
Dinamarca entrou para a história do cinema por
criar um movimento cinematográfico rebelde e
inovador. O Dogma 95 era uma provocação a
Hollywood e suas produções milionárias.
Apesar
do barulho feito pelo gênero, poucos diretores
se aventuraram a fazer estes filmes. Esperando
discutir e apresentar justificativas sobre o
Dogma é que o francês Roger Narbonne fez o
documentário "Free Dogma".
Com
a interessante idéia de fazer um conferência on
line, Narbonne reuniu quatro cineastas em
diferentes países. Enquanto cada um dava seu
ponto de vista por telefone sobre o Dogma, ia se
filmando com câmera digital.
O
Dogma era regido por algumas regras. Para fazer
parte deste estilo, os cineastas precisavam
seguir 10 "mandamentos" que instigavam
à naturalidade e crueza. O Dogma não podia ter
cenários artificiais, nem efeitos ou trilha
sonora e somente utilizar luz natural, entre
outras limitações.
DISPLICÊNCIA
Porém,
antes de ser uma mostra de que é possível
filmar sem gastar muito, o Dogma apresentava uma
displicência de seus cineastas. Tudo era feito
sem muito compromisso e, certamente, os
dinamarqueses não imaginavam que chegariam tão
longe.
Em
"Free Dogma" o francês Jean Marc Barr,
o dinamarquês Lars Von Trier (de "Dançando
no Escuro"), a belga Lone Scherfig e o
alemão Win Wenders (de "Asas do
Desejo") debatem a transformação do cinema
através das novas tecnologias.
Os
próprios cineastas demonstram um desconforto por
terem que agir como se estivessem fazendo um
Dogma todos eles, inclusive Lars que foi
um dos criadores do movimento, reclamam e
apresentam dificuldades por filmarem suas ações
e o ambiente em que estão.
Ainda
assim, defendem que a simplicidade do Dogma evoca
uma poesia perdida na corrida pelas bilheterias
dos filmes comerciais. Curiosamente, entre os que
já fizeram um Dogma, não demonstram interesse
em passar pela experiência novamente.
SERVIÇO
"Free Dogma" ("Free
Dogme")
França, 2000
Gênero: documentário
Duração: 53m
Direção: Roger Narbonne
Andhye
Iore, 2002
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