KEN PARK
A vida besta dos adolescentes
americanos
Andye Iore
Mais uma vez, o diretor Larry Clark
desnuda o universo dos adolescentes americanos.
Depois de "Kids" (1995) e
"Bully" (2001), Clark apresenta
skatistas, meninas e meninos com problemas em
casa que usam a droga, o rock e o sexo como
válvula de escape para seus sentimentos
reprimidos.
Em "Ken
Park", o cineasta vai mais longe e é mais
visceral. Além do círculo de amizade de alguns
adolescentes, desta vez Clark apresenta os pais
dividindo as "podreiras" de uma vida
numa pequena cidade americana.
São quatro
famílias com filhos jovens e cada uma com
problemas de conduta e relacionamento. Estes
problemas vão desde a traição, a sexualidade
reprimida, a gravidez prematura, surtos de
comportamento até suicídio.
PERSONAGENS
Shawn vive com um
irmão mais novo e a mãe alcoólatra que pede
cigarros para o ele. Além da escola e de andar
de skate, Shawn namora uma das garotas mais
bonitas da cidade e, nas horas de folga, transa
com a mãe dela que vive um casamento de
aparências.
Tate não bate bem
da cabeça. Tem um cachorro de três pernas, mora
com os avós, com quem briga por um simples jogo
de cartas e tem devaneios de comportamento.
Claude tem no
skate o grande sonho de sua vida. Mas, o pai
alcoólatra não gosta que o filho passe os dias
andando no "carrinho".
Peaches aparenta
ser uma boa menina. Mas, por trás da educação
religiosa do pai, tem uma relação repleta de
fetiches e sadomasoquismo com o namorado.
EXAGERO
Diferente das
outras vezes, quando somente os jovens eram
focados, agora os pais ganham destaque na trama e
apontam para uma certa influência no
comportamento auto-destrutivo dos filhos.
Para piorar, Larry
Clark extrapola e chega a chocar nas cenas
sexuais. É a mãe que seduz o namorado da filha,
o pai que assedia o filho se rendendo a
homossexualidade, o pai que assedia a filha que
se parece com a falecida mulher, o psicótico que
se masturba (e a câmera registra até o gozo) ou
uma "suruba" entre os amigos.
O mais curioso é
que o filme é bem realístico. Todas as
referências comportamentais são bem comuns na
vida real. Por mais absurdo que possam parecer.
Até mesmo o suicídio de Ken Park só porque a
namorada engravidou.
SERVIÇO
"Ken Park"
Estados Unidos/Holanda/França, 2002
Duração: 1h36
Gênero: aventura/drama
Direção: Larry Clark e Ed
Lachman
Andhye
Iore, 2002
Já
assisitiu a esse filme? Quer dar sua opinião?
|