MADAME SATÃ
Boemia andrógina do
submundo carioca escandaliza Mostra
Andye
Iore
A
sensação após a sessão de "Madame
Satã" é de que você passou por uma
experiência intensa e provocante. O filme do
cearense Karim Ainouz é baseado em fatos reais,
centrado na figura folclórica de João Francisco
dos Santos (1900-1976). O filme é passado em
1932, pouco antes de João ser preso por
assassinato e passar dez anos na cadeia.
Negro
de porte físico privilegiado, temperamento
instável e sabedoria popular desperdiçada num
"muquifo" na Lapa carioca, João foi
considerado escória da sociedade pela polícia.
Porém,
o rapaz era um sonhador boêmio que desejava
fazer o bem às pessoas próximas, mas seu
"demônio" interior assumia boa parte
de sua personalidade.
SEXO
Ao
mesmo tempo em que era um submisso assistente de
uma cantora de cabaré, cuidava de crianças
órfãs e protegia gays e prostitutas de clientes
agressivos, João também criava caso por nada,
agia como cafetão explorador, usava drogas e se
entregava ao sexo casual para roubar seus
amantes.
É
justamente o sexo que têm um papel importante em
"Madame Satã". As relações de João
são viscerais. A câmera dá closes em partes
dos corpos, bocas se beijando ocupam a tela toda
e braços e pernas masculinos se entrelaçam
selvagemente.
Além
das insinuantes e provocantes cenas de sexo, o
filme ganha quando o personagem realiza seu sonho
de ser uma estrela performática. Mesmo que seja
no palco de um boteco de pinguços, o nascimento
de Madame Satã nome inspirado num filme
de Cecil B. de Mille, assistido por João
traz alegria e muito ritmo ao filme para
contrastar com a pobreza do lugar em que vivem os
personagens.
Depois
de fugir da polícia várias vezes e ir preso,
João saiu da cadeia para a glória. Depois de
tanta injustiça, Madame Satã venceu vários
concursos de carnaval. Independente da história
e da boa produção de "Madame Satã",
só o desempenho impressionante de Lázaro Ramos
vale o filme.
SERVIÇO
"Madame Satã"
Brasil, 2002
Gênero: drama
Duração: 1h45
Direção: Karin Ainouz
Andhye
Iore, 2002
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