ESPECIAL
Afeganistão: um país sem
imagens e sem identidade
| Conceituado
como um país sem identidade, o
Afeganistão tem mais de seis milhões de
refugiados no mundo todo. Antes da queda
do Taleban, com as mulheres proibidas de
mostrar o rosto e a população sem
acesso às artes, fotografias,
televisão, cinema e com a mídia
impressa só com textos, o país sofria
com o isolamento cultural e político. O
Afeganistão é dividido em grupos
étnicos e em tribos. Quando o Taleban
subiu ao poder em 1996, era chamado de
Força de Paz e usava uma bandeira
branca. |

As minas
continuam a fazer vítimas no país
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Cerca de 85% das
pessoas que vivem no Afeganistão sobrevivem em
áreas rurais e apenas 15% tem uma vida urbana.
De toda a população, 15% são alfabetizados e,
desta porcentagem, apenas 2% são mulheres. As
condições básicas de sobrevivência são
precárias. A maior parte da população não tem
luz, água corrente, telefone, televisão e as
ruas não tem endereço.
DESGRAÇA
Como se não
bastasse, há milhares de minas espalhadas por
todo o território, bombas caindo do céu e os
poucos médicos que atuam no país precisam ir de
casa em casa atender aos doentes. Mas, os
números mais impressionantes são relacionados
aos mortos. Nos últimos 20 anos, cerca de 2,5
milhões de afegãos morreram ou foram mortos.
Isto dá a incrível estatística de 125 mil
afegãos mortos por ano, 340 pessoas mortas por
dia, 14 pessoas por hora, sendo uma a cada cinco
minutos.
A imagem do
Afeganistão é negativa na mídia. Antes dos
atentados terroristas aos Estados Unidos, o mundo
não sabia onde o país se localizava no mapa
mundi e agora é o país dos terroristas. A
cobertura sensacionalista da mídia serve para
camuflar as conveniências políticas. É nítido
o interesse da Inglaterra em se aliar aos
americanos não contra os terroristas, mas sim na
tentativa de acabar com o tráfico de drogas, já
que o Afeganistão é o produtor de grande parte
da droga consumida em solo britânico.
A guerra contra o
Afeganistão não tem a intenção de ajudar um
povo e reconstruir uma nação. O combate, como
está acontecendo, só aumenta a violência. Para
quem está vendo pela tela da CNN, a guerra é
só uma abstração com mocinhos e bandidos. E,
é claro que o Estados Unidos é o mocinho.
MANIPULAÇÃO
Quando o conflito
acaba, ele continua na cabeça das pessoas e a
mídia pára de falar sobre o local onde a
batalha aconteceu. "O sentimento que eles
passam às pessoas é falso. Amanhã, eles param
de falar no Afeganistão e o problema está
resolvido. O que não é o caso. Nós paramos de
falar na Bósnia e o problema não foi resolvido.
Paramos de falar da Somália e o problema não
foi resolvido lá.", criticou Nilofar
Pazira.
Com tanto
sofrimento e sem perspectivas de um futuro
melhor, o povo afegão se apega a Deus para
amenizar a dor. A rotina no país é dividida
entre a religião e a luta armada. Nas escolas,
onde o Al Corão é ensinado à base da leitura
exaustiva em voz alta, os meninos seguram o livro
nas mãos e tem ao lado uma metralhadora.
Mesmo com o
Taleban perdendo o comando no Afeganistão, as
mulheres voltando a andar pelas ruas sem a burca
e as atividades culturais sendo produzidas e
exibidas no país, os problemas históricos e
psicológicos não serão facilmente superados.
Andhye
Iore
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