HAL HARTLEY
Relações humanas com
originalidade
"No
Such Thing", novo filme do respeitado
cineasta Hal Hartley é uma fábula crítica
inspirada em "A Bela e a Fera"
| O
cineasta americano Hal Hartley é um dos
mais respeitados no meio do cinema
independente. Mais conhecido pelo filme
"Amateur" (94), Hartley
trabalha com o emocional de complicadas
relações humanas. Seu novo
filme, "No Such Thing", é uma
fábula irônica inspirada na clássica
história "A Bela e a Fera".
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A bela Beatrice e a fera
"monstro": filme emocionante e
reflexivo
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Com
maestria, o diretor, escritor, produtor e músico
conduz seu filme através de relacionamentos
amorosos e amigáveis, críticas sociais e
mensagens que remetem à reflexão.
No
enredo, vivendo longe da civilização, um ser de
origem remota anda descontente com o que o homem
se tornou nos dias de hoje. Seu desapontamento é
tanto que passa a matar todos os humanos o
passo seguinte na cadeia evolutiva que
cruzam seu caminho.
A lenda
do monstro se espalha e, em Nova York, um canal
sensacionalista de televisão procura novas
matérias. Uma equipe de reportagem sai em busca
do ser e também é assassinada. A jovem, bela e
insinuante Beatrice (Sarah Polley, de "Lente
do Desejo"), que trabalha nos bastidores da
tv e namora o jornalista que estava na equipe,
entra em cena. Com o sumiço do namorado, ela
decide procurá-lo e encontra algo que imaginava
não existir.
SURREALISMO
Aí é
que entra a magia do cineasta em direcionar a
atuação do elenco em cenas tocantes, apesar do
surrealismo da história. Mas, que pode ser
facilmente aplicada na vida de qualquer um de
maneira crítica.
Com o
encontro entre a bela e a fera, o filme ganha
outro rumo. Curiosamente, o monstro interpretado
por Robert Burke (de "Tombstone") não
mata Beatrice e os dois iniciam uma amizade
instigante. Depois de ficar sabendo que o monstro
está fadado a vagar pela Terra numa vida
miserável, a garota descobre que um cientista é
o único capaz de acabar com o sofrimento de seu
novo e assustador amigo.
Os dois
vão para Nova York cheios de boas intenções,
mas colidem com a vida moderna da cidade grande.
Beberrão, desbocado e mal humorado, o monstro
vira alvo de várias perseguições. Recebe
convites para participar de talk shows, o governo
quer fazer testes em seu corpo e a mídia quer
mostrar a aberração para o mundo todo. Paralelo
a toda essa confusão, o elo entre Beatrice e o
monstro fica cada vez mais forte e a amizade dá
lugar a sentimentos mais profundos.
TALENTO PRECOCE
Além da
beleza, a atriz canadense Sarah Polley surpreende
pelo seu desempenho. Apesar da pouca idade, 23
anos, ela tem mais experiência profissional que
muitos atores veteranos. Atuando desde os quatro
anos, saiu de casa aos 14, trocou a escola por
causas políticas, apanhou da polícia em
protestos de rua, é compositora e interpréte de
trilhas sonoras, trabalhou nos bastidores e como
atriz em filmes de David Cronenberg, além de
escrever e dirigir curtas metragens. Em "No
Such Thing", Polley provoca risos e
lágrimas ao interpretar uma personagem
intocável, que se coloca acima de tudo e de
todos, mesmo em meio a tantos problemas em sua
vida.
A mão
de Hal Hartley parece moldar cada passo dos
atores procurando tirar emoções precisas que
possam fazer com que o público se identifique
com o que se passa na tela. Em
"Amateur", o cineasta costurou
magistralmente os encontros e desencontros das
personagens com outras e consigo mesmas. Sem
contar o primor da trilha sonora reunindo My
Bloody Valentine, Yo La Tengo, Pavement, PJ
Harvey, entre outros. Hartley também é músico
e, por isso, tem um cuidado especial com a trilha
sonora de seus filmes.
ORIGINALIDADE
| Nascido
a 3 de novembro de 1959, em Nova York,
Hartley se formou em cinema na
Universidade Estadual de Nova York. Seus
filmes são respeitados pela crítica,
que o considera um cineasta original.
Alternando
entre o drama e a comédia sutil, suas
produções foram premiadas em vários
festivais no mundo todo, inclusive em
Cannes e na Mostra Internacional de
Cinema de São Paulo.
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Hal Hartley: maestria na
direção
|
"No
Such Thing" atira em vários conceitos da
sociedade que, quanto mais moderna fica, mais se
auto-destrói. A figura satírica do monstro tem
dúbias interpretações. Entre elas, que as
pessoas temem o que não conhecem; que a maldade
está nos olhos das pessoas; que os excluídos
podem ser melhores que os que se apresentam
"sociáveis". Mas, o que merece uma
maior reflexão é: como seria nossa vida se não
existissem os "monstros" para
atormentar (e direcionar) nossos atos e
pensamentos?
Andhye
Iore
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SERVIÇO
Filme
"No Such Thing"
USA, 2001
Drama/horror/fantasia
Duração: 1h42
Direção: Hal Hartley
Elenco: Robert Burke, Sarah Polley, Julie
Christie
Produtora: United Filmes
FILMOGRAFIA
"Kid" (84)
"The
Cartographers Girlfriend" (87)
"Dogs" (88)
"The Unbelievable
Truth" (89)
"Trust" (90)
"Theory of
Achievement" (91)
"Surviving
Desire" (91)
"Ambition" (91)
"Simple Men" (92)
"Flirt" (93)
"Amateur" (94)
"Opera No. 1"
(94)
"NYC 3/94" (94)
"Flirt" (95)
"Henry Fool" (97)
"The Book of
Life" (98)
"The New Maths"
(00)
"Kimono" (00)
"No Such Thing"
(01)
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