AKIRA KUROSAWA
O cinema é humanamente belo na obra de Kurosawa
Clássico e romântico, cineasta japonês foi um dos maiores gênios do cinema

Conhecido como o Imperador do Cinema, o japonês Akira Kurosawa nasceu em Tóquio, a 23 de março de 1910. Durante o curso primário, foi aluno de Tachikawa, um pioneiro no ensino de arte para crianças, e começou a se interessar pela pintura. Ao completar os estudos secundários, matriculou-se na Escola Doshusha de Belas Artes, orientada por padrões ocidentais.

Embora, demonstrando talento, teve que trabalhar para sustentar-se ilustrando revistas femininas. Depois de Tachikawa, Kurosawa sofreu influência do irmão, Heigo, que exercia a função de Benshi (narrador usado habitualmente nos cinemas japoneses) durante a época da cena muda. Heigo levava o irmão mais moço para ver filmes e conversava muito com ele sobre literatura. Em 1935, suicidou-se por motivos ignorados.

Um ano depois, Kurosawa respondeu a um anúncio da Photo Chemical Laboratories (PCL), mais tarde absorvida pela Toho, que desejava testar candidatos para assist6encia de direção: "O anúncio pedia que os candidatos enviassem um ensaio por escrito, apontando os defeitos básicos dos filmes japoneses e como poderiam ser corrigidos. Pensei com meus botões: se o defeito é básico, como corrigí-lo? Mas, escrevi algo e remeti ao estúdio. Cerca de 500 pessoas compareceram. Mostraram-nos um recorte de jornal sobre um operário que se apaixonara por uma dançarina e nos mandaram fazer um tratamento cinematográfico do fato."

Recomendado pelo consagrado diretor Kajiro Yamamoto, seu examinador nas provas orais, Kurosawa foi admitido na PCL e ali, com ele, aprendeu o ofício de cineasta. Além de servir como assistente de direção de Yamamoto, ainda escreveu roteiros para outros diretores e, finalmente em 1943, passou à direção.

Clássico na forma e romântico na essência, Akira Kurosawa foi um cineasta eclético, passando dos dramas históricos de samurais às adaptações da literatura ou à crítica da sociedade contemporânea, sem que isto, no entanto, signifique ausência de uma constante temática: "Todos os meus filmes têm um tema em comum: por que os homens não podem mais serem felizes juntos?"

Mas, na sua obra densa onde se conjugam a alma japonesa e os valores universais, o ideal humanista está subordinado à beleza que jorra em imagens explêndidas, criadas com notável senso plástico, exímia e espantosamente simples mise-en-scéne, noção rigorosa de montagem e a audácia de um sábio contador de histórias.

Em 1993, aliás, quando exibiu "Mandadayo", história de um velho professor que se recusa a abandonar a carreira e a vida, no 46º Festival de Cannes, fez questão de assegurar que aquele não seria seu último trabalho. Infelizmente foi. Akira (que em japonês quer dizer ilumindao) morreu num domingo de setembro, dia 6, de 1998, de causa não revelada. Sempre disse que queria acabar no set de filmagem. Faleceu aos 88 anos, em casa.

Antônio "Toninho" Luz, é artista plástico

FILMOGRAFIA

• Sugata Sanshiro (43)
• Ichiban Utsukushiku (44)
• Zoku Sagata Sanshiro (45)
• Homens que Pisaram na Cauda do Tigre (45)
• Asu o Tsukuru Hitobito (46)
• Waga Seishun Ni Kuinashi (46)
• Subarashiki Nichiyobi (47)
• O Anjo Embriagado (48)
• Shizukanaru Ketto (49)
• Cão Danado (49)
• Shubun (50)
• Rashomon (50)
• O Idiota (51)
• Viver (52)
• Os Sete Samurais (54)
• Anatomia do Medo (55)
• O Trono Manchado de Sangue (57)
• Ralé (57)
• A Fortaleza Escondida (58)
• O Homem Mau Dorme Bem (60)
• Yojimbo, O Guarda-Costas (61)
• Sanjuro (62)
• Céu e Inferno (63)
• O Barba Ruiva (65)
• Dodeskaden, O Caminho da Vida (70)
• Dersu Uzala (75)
• Kagemusha, A Sombra do Samurai (80)
• Ran (85)
• Dreams (90)
• Rapsódia em Agosto (91)
• Mandadayo (93).