THE MAN WHO CRIED
Filme trata da
sobrevivência
Romance
dramático de Sally Potter mostra a força das
mulheres contra censura religiosa e perdas
sentimentais
A filmografia da cineasta
Sally Potter, 52 anos, apresenta mulheres fortes,
românticas, sofredoras e alegres ao mesmo tempo.
Em "Orlando A Mulher Imortal"
(1992), baseado num romance de Virginia Woolf,
uma personagem enigmática, andrógina até,
passa por experiências sentimentais através dos
anos em quatro séculos de mudança social.
Além de dirigir e
escrever roteiros, Sally Potter também compõe
músicas e atua, como fez em "A Lição de
Tango" (1997). Neste romance, ela interpreta
uma mulher que conhece um dançarino de tango em
Paris, têm aulas de dança com ele e volta para
Londres para trabalhar. Alguns anos depois, se
reencontram em Buenos Aires e decidem que querem
mais que dançar tango um com o outro.
DRAMALHÃO
O novo filme da
cineasta é "The Man Who Cried", outro
romance dramático. Com um elenco talentoso e uma
história emocionante, o filme é centrado na
luta de Fegele (Cristina Ricci, de
"Tempestade de Gelo"), uma garota judia
que vive feliz num vilarejo russo em 1927 e passa
por diferentes problemas e cidades até chegar a
Hollywood.
Como as pessoas
não se contentam com o que têm, a diretora
coloca Fegele seguindo os passos do pai, um
cantor que vai para a América em busca de
dinheiro para melhorar a situação da família e
desaparece. Porém, a menina não têm muito
sucesso e acaba parando na Inglaterra, onde
começa seu inferno astral e aumentam seus sonhos
sentimentais.
CENSURA E SEXO
Com um importante
apoio musical de ária italiana e música cigana,
que dá a conotação de imigrantes em busca de
felicidade, "The Man Who Cried" ganha
em emoção quando Fegele é mandada para um lar
cristão, proibida de falar sua língua e têm
seu nome mudado para Suzie. Para suportar a
censura imposta pelo catolicismo, ela aprende a
cantar. Dez anos depois, muda para Paris, onde
começa a trabalhar num coral e conhece a
ambiciosa bailarina Lola (Cate Blanchet, de
"O Senhor dos Anéis").
Os motivos
musicais e a dança dão uma margem sexual ao
filme. Suzie se apaixona pelo cigano Cesar
(Johnny Depp, de "Antes do Anoitecer")
e Lola por Dante (John Turturro, de "E Aí,
Meu Irmão, Cadê Você?"), um cantor de
ópera. Como se não bastasse o clima sensual, o
sex appeal dos atores colaboram para cenas
picantes. Ricci e Depp, já atuaram juntos em
"Medo e Delírio" (1998) e em "A
Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça" (1999) e, em
"The Man Who Cried", a química é
perfeita entre a dupla.
DRAMALHÃO
Mas, como todo
belo romance no cinema têm seu lado dramático
(lógico, não levando em conta as baboseiras das
comédias românticas adolescentes!), o exército
alemão invade Paris disposto mandar ciganos e
judeus para os campos de concentração. Para
piorar, Dante passa para o lado dos nazistas e
entrega Suzie (judia e vivendo com um cigano).
Para não morrer,
ela parte para a América num navio que é
bombardeado no meio da viagem. Depois de perder o
amor de sua vida que fica em Paris para lutar
contra os alemães, também perde a amiga Lola
que morre afogada.
O sofrimento e
desilusão da personagem de Cristina Ricci chega
a ser exagerado. Suzie perde o pai, o nome, o
idioma, o amor e a melhor amiga, para chegar nos
Estados Unidos disposta a começar vida nova,
achar seu pai e fazer carreira em Hollywood e a
arrancar litros de lágrimas nos cinemas.
Andhye
Iore
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SERVIÇO
"The
Man Who Cried" (França/Inglaterra,
2000) Direção e roteiro: Sally Potter;
Elenco: Cristina Ricci, Johnny Depp, John
Turturro, Cate Blanchett, Harry Dean Stanton;
Duração: 1h42; Estúdio: Universal Focus;
Estréia americana: 25 de maio de 2001
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