MINORITY REPORT
Corrida
para o futuro
Um dos
melhores filmes do ano, "Minority
Report" é mais uma boa adaptação de livro
de Philip K. Dick
Texto:
Andye Iore, 2002

Minority Report: futuro sem crimes
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Certamente, "Minority
Report A Nova Lei"
é um dos melhores filmes do ano. Mas,
antes de dar crédito à atuação de Tom
Cruise ou à direção de Steven
Spilberg, é bom deixar claro que o filme
foi baseado num conto de 1956 do escritor
Philip K.
Dick e isso justifica muita
coisa que aparece na tela. |
O literário
revolucionou a ficção científica e esta não
foi a primeira vez que Hollywood se inspirou em
seus escritos. Antes, os filmes "O Vingador
do Futuro" (90) "Screamers" (95) e
"Impostor" (02) também foram
adaptados de obras de Dick. Mas, foi com
"Blade Runner O Caçador de
Andróides", em 1982, que o escritor ganhou
uma legião de fãs. O clássico da ficção
científica nas telas foi baseado no livro
"Sonham os Andróides com Ovelhas
Elétricas?", de 1968.
Em "Minority
Report", o futuro tem as mesmas
características vistas nos filmes anteriores
inspirados na obra de Dick. Ação, suspense,
paranóia e muitas reviravoltas na trama. Ao
contrário de "Blade Runner", o futuro
em "Minority Report" é mais otimista.
A vida é mais tranqüila e as cidades são mais
limpas e organizadas.
Com a maior parte
do filme dominado por cores frias, a tecnologia
eletrônica é aliada da genética para combater
o crime. Três seres especiais os precogs
tem a capacidade de visualizar e projetar
imagens do futuro através de tomografia ótica.
Esta é a essência da Unidade Pré-Crime, uma
organização chefiada por John Anderton (Tom
Cruise, de "Vanilla Sky").
Após identificar
as vítimas, o assassino e o local, uma equipe de
policiais chega minutos antes e prende o
criminoso. Mas, as coisas não são tão simples
assim. Para localizar a ação, os precogs
precisam de uma sintonia e, após isto, os
agentes numa central repleta de equipamentos
revolucionários tem que montar um quebra-cabeça
para resolver o caso. É nestas situações os
momentos mais ricos visualmente.
Uma luva especial
age como se fosse um mouse puxando e manipulando
as imagens que aparecem numa grande tela. Ainda
há disquetes na forma de cristal que servem como
memória e outras referências.
C R I A N Ç A
Apesar do mérito
ser do enredo, Steven Spielberg deixa claro sua
marca. O filme tem as tradicionais fantasias que
tornaram o cineasta o maior nome do cinema
contemporâneo. Só mesmo um gênio como
Spielberg para mostra algo novo em termos de
locomoção no futuro.
Enquanto que os
filmes de ficção mostravam naves esquisitas
voando em grande número, em "Minority
Report" há uma boa cena de perseguição
numa estrada na vertical. Apesar de que os
efeitos nesta cena não são tão bons e dá pra
perceber a montagem entre o ator e o fundo com o
cenário gerado por computador. Mas, ao menos, a
idéia foi original.
Outros detalhes
interessantes na visão de futuro que o filme
mostra são a identificação pessoal através de
leitura da retina, vigias na forma de aranhas
mecânicas e o jornal digital. Esta situação
visionária, que não está longe de acontecer e
já é discutida nos cursos de Comunicação
Social, mostra uma pessoa lendo um jornal no
metrô e de repente as imagens e textos do jornal
se movimentam e são atualizadas.
Mas, o dedo de
Spielberg se revela claramente numa caixa de
cereal. Quando Anderton vai comer, os bichinhos
que ilustram a embalagem começam a se mexer e a
fazer barulhos. É a parte criança do cineasta
que não cresce nunca.
F U G A
O filme ganha em emoção
quando o detetive John vê seu rosto quando
procurava identificar um assassino. Sem entender
o que está ou vai acontecer
Anderton foge e é procurado por seus
companheiros de trabalho numa corrida de gato e
rato frenética e emocionante.
Eficiente no
trabalho, a personagem de Tom Cruise é
atormentada pela culpa de estar presente quando
seu filho foi raptado numa piscina pública.
Depois da separação da mulher, John vive
sozinho assistindo a curtos arquivos da família
e é viciado em clarity, a droga vendida
escondida nos becos.
Com a fuga de
Anderton, a trama passa a apresentar grandes
variáveis de conspiração, psicose, ambição,
vingança e amizade. Curiosamente, há alguns
paralelos com outro clássico da ficção. Tanto
"Minority Report" como "Laranja
Mecânica", de Stanley Kubrick, trabalham em
cima do conceito da violência urbana e tem nos
olhos humanos pontos importantes.
A grande mensagem
em "Minority Report", é que apesar de
tantas evoluções tecnológicas, os fatos
importantes sempre acontecem em função de
falhas humanas. Mas, o melhor de tudo em
"Minority Report" é que quando você
acha que entendeu o filme e ele vai acabar, tudo
muda e esse ciclo se repete outras vezes antes do
final.
Já
assisitiu a esse filme? Quer dar sua opinião?
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