MAHMOUD BEHRAZNIA
Cineasta iraniano se destaca
em São Paulo
| O
cineasta iraniano Mahmoud
Behraznia participou da 24º
Mostra Internacional de Cinema de São
Paulo com dois filmes. Em
"Djomeh" foi o ator principal e
em "Close Up Kiarostami" como
diretor de um documentário sobre o mais
célebre cineasta iraniano. Se sentindo honrado
em estar no Brasil, Mahmoud foi atencioso
e demonstrou interesse em conversar com
as pessoas numa troca cultural. Vivendo
em Hamburgo, na Alemanha, o cineasta
revelou uma preocupação com os
conflitos e preconceitos raciais ao redor
do mundo.
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Mahmoud
Behraznia: a simplicidade
e emoção iraniana em pessoa
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Para ele, a arte
é a maior mensagem que existe e faz questão de
defender um pensamento que os iranianos e os
latinos estão muito próximos sentimentalmente
devido às dificuldades sociais.
Com o mestre
Kiarostami, aprendeu a fazer filmes simples, de
uma maneira oposta a Hollywood. Outra
preocupação social que apresentou foi em
relação à mulher. Sempre que pode, as inclui
em suas declarações ao mesmo tempo que denuncia
que a mulher que se destaca no Irã é escondida
pela sociedade. E, ainda revela que há muitas
mulheres que ocupam cargos importantes no Irã.
Em
"Djomeh", um afegão vai morar no Irã
devido a problemas na família. É um belo filme
sobre amizade, amor, preconceito e otimismo em
relação aos altos e baixos da vida. Já
"Close Up Kiarostami", revela várias
particularidades de Abbas Kiarostami através de
entrevistas e de cenas dos bastidores dos filmes
do diretor de "Gosto de Cereja".
Uma das
curiosidades reveladas por Mahmoud Behraznia no
Brasil, é que os filmes de Kiarostami não
apresentam cenas no interior das residências
porque como o governo censura filmes que mostram
mulheres sem o xale, Abbas prefere não mostrar
uma cena onde a mulher não pode se sentir à
vontade na própria casa.
Segundo Mahmoud,
fazer cinema no Irã é muito caro e uma das
coisas que impulsiona o cinema em seu país é
que há muitas revistas e jornais iranianos de
boa qualidade e o público se interessa por
cinema. E o sucesso dos filmes iranianos acontece
porque é difícil dizer coisas importantes de
uma maneira simples. Como exemplo, cita
"Gosto de Cereja" como um símbolo de
algo simples e que diz coisas importantes.
Texto
e foto: Andhye Iore, outubro/2000
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