O JARRO
Filme iraniano exagera no
realismo
O Jarro venceu festivais de cinema
com história simples e emocionante
Uma das principais características
dos criativos cineastas iranianos é filmar belas
histórias a partir de fatos banais. Assim, o
diretor Ebrahim Foruzesh fez em "O
Jarro" (1992). Em meio ao deserto
iraniano, numa escola, o único jarro que serve
de recipiente para os alunos beberem água racha
fazendo com que os alunos passem sede e tenham
que fazer uma longa caminhada até um rio para se
refrescarem.
O jarro trincado
cria um conflito ideológico mesmo na pobreza
latente em meio ao clima árido. Na escola, além
da falta de água, não há lápis para os alunos
escreverem, não tem energia elétrica e a comida
é escassa para toda a comunidade. O pai de um
aluno é capaz de consertar o jarro, mas se
recusa a ajudar alegando que, se deixar de
trabalhar para ir à escola consertar o jarro,
não conseguirá levar comida para sua família
no fim do dia. Mesmo isolados do conceito do
capitalismo, os iranianos lutam pela
sobrevivência numa sociedade onde o trabalho é
questão de sobrevivência e não de perspectiva
de um futuro melhor.
Depois de muita
discussão, o homem decide consertar o jarro e
pede que o professor consiga ovos e cinza para
fazer uma massa e poder tapar a rachadura.
Então, outro conflito se forma na comunidade.
Como um ovo chega a ser a refeição de uma
família, muitos pais acham um absurdo
desperdiçar sua alimentação para consertar um
jarro. Para piorar, alguns alunos acusam o
professor de usar como pretexto o jarro quebrado
para conseguir mais ovos para comer.
Enquanto algumas
famílias se senbilizam, deixam de comer e mandam
ovos para ajudar, outras são indiferentes ao
drama dos meninos da escola e outras culpam o
professor por não conseguir um jarro novo.
Apesar de tantos problemas e limitações, o
professor se esforça e quando o conserto não
dá certo, divide o pouco que tem com os meninos.
Quando uma das
mães, incoformada com a situação, decide tomar
a iniciativa para ajudar é logo repreendida pelo
machismo iraniano. Sua atitude de sair pedindo
dinheiro com as crianças é interpretada como
desafio aos homens da comunidade que debocham
dela.
O filme é
realista ao extremo. Além da história
comovente, o diretor utilizou pessoas comuns de
uma pequena aldeia que nunca tinham participado
de uma filmagem antes. Ebrahim Foruzaesh tem 61
anos e foi o fundador do movimento Cinema Livre
Iraniano em 1968. Nascido em Teerã e formado
pela Escola de Arte Dramática de Teerã, foi
diretor do Centro de Cinema do Instituto Para o
Desenvolvimento Intelectual de Crianças e
Jovens, por 18 anos, produzindo mais de 80 filmes
neste período. Com "O Jarro", Ebrahim
ganhou o prêmio de melhor filme nos festivais de
Locarno em 1994 e na 18- Mostra Internacional de
São Paulo.
Colaborando com a
história e sendo um contraponto às imagens do
cenário desértico, a trilha sonora é
perfeitamente bela dando os tons dramáticos e
alegres para revelar que o próprio homem é
responsável pelos problemas de relacionamento
que acontecem em seu meio.
No final, a poesia
da imagem deixa claro que o filme é dedicado às
crainças do deserto, quando a tela é tomada
pelo jarro ao pé de uma árvore seca, assim como
na pureza do menino ao pé da árvore seca em
"O Sacrifício" do russo Andrei
Tarkovskij e do também iraniano "Gosto de
Cereja" (1997), de Abbas Kiarostami, onde um
homem repousa ao pé da árvore esperando que, ao
levantar, se não estiver morto, que esteja
afastado de suas desilusões. Assim, para os
meninos da escola, beber uma caneca com água do
jarro é o momento mais feliz do dia.
Andhye
Iore
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SERVIÇO:
O
Jarro (The Jar/Khomreh)
Irã - 1992
Duração: 1h23
Direção: Ebrahim Foruzesh
Música: Mohammad Reza Aligholi
Fotografia: Iraj Safavi
Elenco: Fatemeh Azrah, Behzad Khodaveisi, Hossein
Balai, Alireza Haji-Ghasemi
Distribuidora: Cult Filmes
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