PROJETO UM OUTRO OLHAR

Paulo Campagnolo, 16 de junho de 2002

Como puderam perceber não aconteceu nenhuma estréia pelo Projeto neste final de semana. Isto, realmente, acabou tornando-se um hábito que não me agrada de forma alguma. Para mim, como organizador/programador, é como se me castrassem a vontade de continuar com o trabalho e com um cinema que está tão longe de se enquadrar nesses "parâmetros" tradicionais americanos como se, então, estivéssemos cometendo um pecado.

Fosse há uns 25 anos, imediatamente faria aqui um levante popular, de conotações políticas, contra o poderio dos Estados Unidos. Se é para tanto, não sei. A única coisa é que aquele cinema continua dando as cartas (e não só o cinema, infelizmente - ah, se todos os problemas do mundo fosse esse!!!!!!!!!!!!). E nós, aqui (aqui em Maringá - talvez seja melhor ser mais específico), quase sem opções de um cineminha um pouco mais avançado intelectualmente que não aquelas baboseiras que eles sabem fazer como ninguém - e que não têm a mínima importância para nossas vidas e nem mesmo para aquilo que poderíamos chamar de diversão (inteligente, bien sur).

A culpa, no caso desse "hábito" que se instalou há uns dois meses não é, evidentemente do Cinema Aspen (ou do Grupo Cinesystem). As Distribuidoras é que pedem uma garantia de semanas (algumas mais, outras menos) para que seus filmes fiquem em exibição e ajudem, no caso de HOMEM-ARANHA, a aumentar a fatia de faturamento (aliás, mais de 6 milhões de pessoas já viram o filme no Brasil - que bacana, não?!?!?!?!). Quando existem muitos lançamentos ao mesmo tempo (como ocorreu esta semana), então o Projeto vai mesmo "pro brejo".

Enfim, é uma discussão complicada - principalmente porque a grande maioria dos freqüentadores de cinema querem mesmo esse "tipo" de filme. Nada contra elas, nada contra os filmes, tudo contra a falta de espaço para "outros" filmes. Os nossos filmes, sem querer ser pretensioso.

A postura do Grupo Cinesystem sempre foi clara em relação a isso. Desde o início era previsto que o Projeto poderia ficar sem espaço, de tempos em tempos, para estréias. Também é previsto que em julho e em janeiro o Projeto pára - devido aos lançamentos de grande porte (alguém pode me explicar o que significa isso?). Fica, assim, uma estranha sensação de quem ganha um bombom de chocolate com recheio de licor e cereja e quando chega nesta parte o bombom lhe é roubado abruptamente - quando estava chegando na melhor parte (e isso se repetindo, ad nauseum).

A construção de uma sexta sala poderia resolver esse problema. Mas, por enquanto, nada existe de concreto sobre isso - só a vontade. Porém, creio que uma certa pressão dos espectadores do Projeto poderia ajudar. Receio, no entanto, ao pedir isso a vocês, que apenas dois ou três o façam - como sempre acontece quando preciso de respostas para alguns assuntos: nunca passou de três o número de pessoas que me respondem (claro, todo mundo tem mais o que fazer na vida do que ficar respondendo mensagens sobre o Projeto UM OUTRO OLHAR.

Penso que não custa tentar, uma vez que o Projeto existe para vocês. E ainda que esse evento venha da iniciativa privada (o que poderia fazer denotar que essa mesma iniciativa privada tem dinheiro para bancar qualquer negócio), acredito que uma postura mais "consistente" (entendam isso da maneira como acharem mais proveitoso) sobre as coisas que nos são caras seja um caminho para tornar essas coisas cada vez mais concretas e permanentes. Sem nos esquecermos que o Projeto existe para um público, não fosse esse público não estaríamos vendo os filmes que vemos. Mas quanto a isso as coisas estão indo muito bem: o público cresceu e esperamos que cresça ainda mais.

Quem quiser mandar mensagens de solidariedade ao Projeto, o e-mail do cinema é é cinesaspen@cinesystem.com.br

Outra questão que proponho é: o que fazer durante julho?

Uma opção seria a exibição de filmes no sábado de manhã. Poderíamos fazer um ciclo com quatro filmes, por volta de 09:30 ou 10:00 horas. O melhor é que isso pode ser feito na sala 4 ou 5 - que são as melhores salas. Há um porém, entretanto: seria preciso garantir um número mínimo de pessoas para que isso pudesse acontecer - para as despesas com o filme e do cinema.

Esse número teria de ser de, pelo menos, umas 70 pessoas todos os sábados. O ingresso seria mais barato (talvez 3 reais para todos) e poderia ser vendido como pacote - válido para todos os filmes (12 reais, no total). É uma idéia. Se alguém se interessar ou tiver outras sugestões, não titubeie (que palavra medonha!): avise-me urgentemente.

Quanto a semana do dia 21, Maurício me garantiu que teremos estréia no Projeto. Poderá ser CIDADE DOS SONHOS (último trabalho de David Lynch, vencedor do prêmio de direção em Cannes/2001) ou ELOGIO AO AMOR (de Jean-Luc Godard - últimos trabalho do genial cineasta franco-suiço, um dos pais da Nouvelle Vague e um dos nomes mais importantes do cinema em todos os tempos).

Amanhã estarei resolvendo isso e informo em seguida. Tanto um quanto o outro são maravilhosos e seria uma bela maneira de encerrarmos o primeiro semestre de 2002. Só fico triste que muitos filmes interessantes não poderão mais ser exibidos porque o espaço está cada vez menor e tenho que fazer opções que seguem uma espécie de ordem pessoal que julgo ser a mais adequada - e não há outro jeito em relação a isso. Ou há?

Well, well, well - como diria Fred Astaire. É isso. Perdoem-me com tanta falação (texto). Não é minha intenção importunar ninguém. Mas será que posso desabafar um pouco? Nem vou esperar por resposta: gente! como é difícil fazer alguma coisa nesta cidade (em outras também, não há dúvidas) relacionado à cultura.

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