ARTES
Filme sobre artista é lançado em vídeo
Talentoso, original e instável, Jackson Pollock teve vida
retratada com maestria em projeto de Ed Harris

Utilizar biografia de artistas plásticos no cinema é um bom artifício para os cineastas.

Van Gogh, Picasso, Andy Wharol, El Greco, Basquiat, Caravaggio, Egon Schiele e Frida Khalo já renderam bons filmes apesar de serem massacrados pelos críticos mais intelectuais que nunca consideram o filme à altura do artista.

Mas, como todo artista é mais reconhecido postumamente, qualquer obra que sirva como registro histórico é extremamente valiosa.


A arte de Jackson Pollock nas telas: pincéis dispensados e uma criatividade temperamental

O mais novo exemplo dessa homenagem cinematográfica é a produção "Pollock", inspirada na vida do artista plástico americano Jackson Pollock. Brilhantemente interpretado por Ed Harris ("Show de Truman"), o filme é um relato do crescimento artístico e da decadência moral de um talento polêmico e inquieto.

A produção de baixo custo, mas detalhadamente trabalhada durante anos por Harris, foi indicada ao Oscar 2001 nas categorias melhor atriz coadjuvante e melhor ator. Merecidamente, ganhou na primeira categoria com Marcia Gay Harden.

VÍCIO

Além de atuar, Harris também dirigiu e produziu o filme. Para poder dar vida à personagem energética na tela, o ator passou por um longo processo de pintura na prática, com a intenção de assimilar melhor os sentimentos do artista temperamental. Com isso, as cenas com Pollock criando são realmente pinturas realizadas por Ed Harris frente às câmeras.

Contracenando com a vigorosa atuação de Harris, a atriz Marcia Gay Harden ("Encontro Marcado") interpreta a pintora Lee Krasner, que abandona sua carreira para viver ao lado de Pollock.

Depois de organizar a vida desregrada do artista, ela sofre com as crises do marido causadas pelo alcoolismo. Lutando contra a violência e desrespeito, ela consegue convencê-lo a mudar-se para uma zona rural, onde afasta-o da bebida para ter a fase mais criativa da carreira.

BIOGRAFIA

Jackson Pollock nasceu a 28 de janeiro de 1912, na cidade de Cody, no estado de Wyoming. Uma das influências psicológicas em seu estilo de pintar veio das constantes mudanças que sua numerosa família fazia de um estado para o outro. Pollock teve cinco irmãos, dos quais três deles também se tornaram artistas graças ao incentivo da mãe.

Devido às viagens ainda na infância, teve contato com a cultura nativa americana que, mais tarde, somada à influência do psicólogo Carl Jung e de murais mexicanos, formou a base de suas pinturas de estilo expressionismo abstrato.

Em 1929, com 17 anos, começou a estudar artes em Nova York, tendo como mestre o conceituado pintor Thomas Hart Benton. Com o desemprego na depressão americana na década de 30, o mercado de artes plásticas entrou em crise e muitos artistas não sobreviviam de suas obras. Como Pollock não conseguia vender quadros, sua dependência da bebida cresceu e, no final da década de 30, precisou de tratamento psicológico e contra o álcool.

INOVAÇÃO

Somente em 1943, com 31 anos, conseguiu uma exposição individual. Como a Segunda Guerra Mundial afugentou muitos artistas da Europa para os EUA devido à perseguição nazista à "arte degenerada", a mídia americana ficou mais atenta à arte de vanguarda já que artistas como Max Ernst, Miró, Mondrian e Marcel Duchamp moraram em Nova York.

No final da década de 40, desenvolveu o estilo que o tornou célebre. Pollock colocava as telas no chão e, através de imagens do inconsciente, jogava a tinta com a ajuda de cordas, escova dental e pedaços de pau sobre a tela, abandonando o pincel. Mais experimental ainda era a criação de tinta misturada com areia e vidro triturado.

Em 1949, uma matéria na revista Life o classificou como uma das maiores personalidades americanas. Com uma tiragem de mais de cinco milhões de exemplares, a revista lotou a agenda do pintor.

JAZZ

A música teve uma participação importante, tanto na vida de Jackson Pollock como no filme de Ed Harris. O artista era fã incondicional de jazz – uma das poucas coisas que o faziam sorrir. No filme, Harris trabalhou preciosamente destacando a música quando a personagem aparecia pintando e deixando um silêncio incômodo em momentos de crise na vida de Pollock.

Como se não bastassem as crises em função do alcoolismo, o fim do artista foi trágico. No filme, sugeridamente, Ed Harris colocou o acidente de carro fatal como proposital. Separado da mulher que abdicou da própria carreira para ajudá-lo durante anos, Pollock andava depressivo ao lado da jovem amante, sentindo saudades da ex Lee Krasner. Num acidente, ao voltar dirigindo embriagado de uma festa, na noite de 11 de agosto de 1956, Jackson Pollock passou para a galeria dos maiores pintores da história da arte.

SERVIÇO: Filme "Pollock" – EUA, 2001; Duração: 2h02; Direção: Ed Harris ; Elenco: Ed Harris, Marcia Gay Harden, Val Kimmer, Amy Madigan; Distribuidora: Imagem Filmes

Andhye Iore