SINAIS
Os sinais da vida
Novo filme de Shyamalan trabalha com a mitologia da ficção dos estranhos símbolos em plantações

Andhye Iore


"Sinais": símbolos vistos do espaço

O gênero terror foi um dos que mais mudou em Hollywood. Com o passar dos anos, os sustos tiveram conceitos diferentes e fascinaram desde crainças a adultos.

Nos anos 30 e 40, a americana Universal trabalhou em cima de mitos do como Drácula, Frankenstein e Lobisomen criando clássicos em p&b.

Enquanto que nas décadas de 50 e 60 a britânica Hammer revitalizou o estilo e os personagens com um horror sugerido.

A década de 70 ficou marcada por filmes com pragas de animais assassinos como tubarões, aranhas, ratos, piranhas e cães. Já os anos 80 trouxeram psicopatas monstruosos como Jason Voorhees e Freddy Krueger, enquanto que os anos 90 foram dominados por filmes de misteriosos assassinos seriais cujas vítimas eram adolescentes superficiais de classe média alta.

NOSTALGIA

Meio mal das pernas, os filmes de horror ganharam uma nova imagem nos últimos anos. Paralelo às bobagens de adolescentes, várias produções mostraram ecos dos clássicos e nostálgicos filmes da Universal e Hammer com muito susto e pouco sangue.

Um dos principais responsáveis por isso é o indiano M. Night Shyamalan. Depois do revolucionário "O Sexto Sentido", o cineasta que tem o agradável hábito de fazer pontas em seus filmes – assim como outro mestre do suspense, Alfred Hitchcock – chega às maiores bilheterias no mundo todo com "Sinais".

Em sua nova produção, o ator, diretor, produtor e roteirista Shyamalan trabalha com a mitologia dos famosos e polêmicos sinais encontrados em lavouras em vários países.

Alimentando a discussão de vida inteligente em outro planeta, estes símbolos gigantescos – que podiamm ser vistos do espaço - foram motivos de livros, programas de tv e uma cultura digna de "Arquivo X", já que muitos acreditam que as marcas foram resultado de pouso de naves alienígenas.

HABILIDADE

Além da história, o grande impulso de "Sinais" é a presença do astro Mel Gibson (de "Hotel de Um Milhão de Dólares"), interpretando o reverendo Hess, dono de uma fazenda em Bucks County, na Pensilvânia, onde aparecem estranhos símbolos numa plantação de milho.

Os sinais mudam a vida da família de Hess, bem como é um teste à sua fé. À mercê da habilidade de Shyamalan (foto ao lado, com Mel Gibson) em trabalhar com as tomadas de câmera, a trilha sonora e o talento dos atores, o público não sabe se os símbolos são um aviso, uma mensagem ou nada importante.

O cineasta trabalha novamente com mitos que persistem na história da humanidade. Depois do mundo dos mortos em "O Sexto Sentido" e o equilíbrio das coisas representado pelo universo dos quadrinhos em "Corpo Fechado", desta vez é o enigma dos extra-terrestres que serve de mote para Shyamalan colocar em prática todo o ótimo conceito do cinema indiano em contar boas histórias.

Muitos podem até não classificar o filme como horror, mas é justamente isso que torna "Sinais" interessante, pois vai contra a aparente fantasia dos filmes de ficção científica – apesar de tratar do mesmo tema – bem como contra o sensacionalismo e exagerada violência dos filmes de terror modernos, mesmo tendo cenas tensas, apoiadas pelos efeitos especiais a cargo da Industrial Light & Magic, de George Lucas.

Já assisitiu a esse filme? Quer dar sua opinião?

.

SERVIÇO

"Sinais" ("Signs")
EUA, 2002
Duração: 1h45
Gênero: drama/suspense/ficção
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco: Mel Gibson, Joaquin Phoenix, Cherry Jones
Estúdio: Touchstone
Distribuidora: Buena Vista

OPINIÃO

Cinéfilos e internautas falam sobre "Sinais". Confira e participe!