MAN RAY
O profeta da vanguarda ousou na fotografia

A vida de Man Ray (1890 – 1976) é um prato cheio para qualquer pesquisa, análise ou matéria na mídia. Ainda adolescente, resolve romper com a educação convencional da família, abandona a escola para se dedicar às artes pintando um quadro nada convencional e assina como Man Ray, simbolizando o desligamento do mundo comum.

Passa a ser revolucionário, vanguardista e agressivo contra a sociedade através da fotografia, pintura, escultura e cinema. Sempre com muita irreverência, ele é constantemente criticado pelo meio artístico de Nova York.

Cansado do atraso cultural que o rodeia, Man Ray passa uma temporada numa fazenda juntamente com outros artistas novos, onde tem seu primeiro contato com a nova arte européia, especificamente o recém-criado movimento Dada, em Zurich, em 1916.

Com novo ânimo, volta para Nova York e conhece o francês Marcel Duchamp, tornando-se grandes amigos, chegando a trabalhar juntos. Definitivamente frustrado por não ser aceito em Nova York, resolve mudar para Paris em 1921. Seu ego vanguardista encontra seu mundo ao lado do

• poeta Tristan Tzara
• pintor Salvador Dali
• filósofo Andre Breton
• pintor Max Ernst
• dramaturgo Jean Cocteau
• escritor James Joyce
• pintor Pablo Picasso

Já em 31 de dezembro de 1921, consegue sua primeira exposição numa livraria de Paris. Expõe 35 obras, não vende nenhuma, mas faz vários contatos importantes. Já era mais do que tinha conseguido em Nova York. Com as novas amizades, se dedica mais à fotografia para registrar as pessoas interessantes que passam por sua vida.

Ao mesmo tempo em que sua obra passa a ser admirada, tem contato com o que viria a ser sua ruína: as paixões por mulheres. Como inúmeros artistas famosos, além de ter seu trabalho reconhecido só após a morte, Man Ray foi explorado, humilhado e teve o trabalho prejudicado por algumas mulheres pelas quais se apaixonou.

Nesses relacionamentos, criou a rayografia, um estilo de fotografia sem o processo de revelação, onde ele colocava um objeto sobre o papel fotográfico e expunha à luz, deixando a sombra do objeto no papel. Após ser deixado por uma dessas mulheres, entra em crise depressiva e resolve se dedicar à moda para fugir do meio que lhe traz más lembranças. Passa a trabalhar com encomendas da alta sociedade francesa para quadros, esculturas e filmes amadores.

No início da década de 30, participa da criação do movimento surrealista, que era um desenvolvimento do Dadaísmo, ampliando as fronteiras entre o real e o imaginário. O Surrealismo se manifesta quando a razão humana perde o controle, usando a "paranóia crítica" através da livre imaginação. A intenção é criticar a cultura européia e a frágil condição humana diante de um mundo complexo, usando o humanismo como fundo e a psicanálise para causar uma revolução contra a ordem estabelecida. Tudo o que Man Ray sempre fez.

Andhye Iore

FRASES

"Criar é divino. Reproduzir é Humano!" , em 1973, já interagindo em outro movimento de vanguarda, a pop art.

"Quem faz arte criativa, é uma pessoa sagrada!" , pouco antes de morrer ao explicar o porquê de escolher ser um artista de vanguarda.

"O meu estilo de vida é a minha melhor obra de arte!" , comentando com modéstia sobre a sua criatividade.

"As mulheres foram a minha maior satisfação na vida!" , apesar das frustrações sentimentais, Man Ray teve dezenas de casos e três esposas: a atriz francesa de filmes mudos Kiki de Montparnasse, a estudante americana Lee Miller e a dançarina e modelo americana Juliet Browner, com quem está enterrado no famoso cemitério parisiense Pere Lachaise.