PAULO RICARDO
Fotógrafo inicia mais um projeto de vida
Depois de fotografar grandes artistas da MPB, o maringaense
Paulo Ricardo parte para um trabalho ecológico

ENTREVISTA

SUPERS - Como você se interessou por fotografia?

Paulo Ricardo - Quando eu era adolescente aqui em Maringá, queria fazer cinema. Como aqui não tinha escola de cinema, fui para São Paulo e comecei a estudar cinema. Daí fui para o Rio de Janeiro dois anos depois. Dentro do curso de cinema que fiz no Rio, tinha a cadeira de fotografia e me apaixonei. Na época, como hoje, era alucinado por música, o rock, era a minha vida. Enquanto estudava fotografia, eu era leitor de uma revista chamada Rock em 1976. Como já tinha uns trabalhos que fazia como tiete, fiz a minha pastinha, pus em baixo do braço e fui na revista. E, com esses acasos da vida, mostrei as fotos e eles perguntaram: "O que você vai fazer amanhã? Nós estamos precisando de um fotógrafo pra amanhã!" E lá fui eu fotografar os Doces Bárbaros. Aí já peguei amizade com eles, as fotos do Gil era eu que fazia, o Caetano. Aí fui contratado por um jornal, fui passando de um jornal pra outro, fazendo freelas.

Quais foram os trabalhos mais importante de sua carreira?

Em 89, depois de ter feito cerca de 100 capas de discos e uma capa que eu considero a mais importante de tudo que foi a do Cazuza. Porque o Cazuza, naquele momento, simbolizava pra nós uma posição no mundo. Acho o Cazuza uma coisa de outro mundo e ele ter me convidado pra fazer as fotos foi fecho de ouro. Aí o meu time (Botafogo) foi campeão depois de 21 anos e eu fui o fotógrafo do clube. Fiquei metade de 89 fotografando o Botafogo. Na minha cabeça maluca o Cazuza morreu, o Paulo Leminski também e entrei num estado muito estranho. Achei que tinha se fechado uma etapa. Aí vim pra Maringá em 90, voltei pra família. Conheci uma mulher que mudou a minha vida de novo, a Geysa, uma ecologista radical. Aí fui fazer um trabalho com as baleias no sul. Na hora que vi a baleia pela primeira vez, pirei e mudou toda a minha vida de novo.

No meio de toda essa efervescência cultural que você participou no Rio,
como foi quando você chegou em Maringá que é o inverso disso?

Maringá choca qualquer um, até hoje não se vê um passo adiante. Eu tenho grandes esperanças no PT, que façam coisas modernas de verdade. Os nossos jornais não têm uma página cultural e isso é o fim da picada. Tinha que ter um caderno cultural. Maringá decepciona nesse aspecto. É uma cidade boa pra engordar (risos), descansar mesmo. Se tentar realizar uma coisa diferente encontra resistência. E isso, todo mundo sabe. Maringá têm grandes promessas, mas que precisam de alimento para se desenvolver, senão vai definhando. Eu vim pra Maringá por causa da minha família e senti um pouco nessa questão cultural.

Pra você que já trabalhou com tantas editorias diferentes,
quais são as emoções em cada tipo de fotografia?

Eu amo os músicos, são os nossos heróis. Eu amo os artistas, é o melhor que a humanidade têm. Eu diria que o mais importante é essa manifestação artística. Fotografar um show, artistas é o mais emocionante pra mim. Eu tenho uma foto do Paulo Leminski que eu gosto, por ele ser um gênio. Hoje, estou apaixonado pelas baleias.

Muitos fotógrafos ficam discutindo sobre técnicas o tempo todo, falando de aberturas, tipos de lentes, etc. Qual a importância da técnica pra você?

Antes de tudo têm a técnica. Tem que ter muito cuidado, muito trabalho atrás da foto. Quando eu fiz algumas fotos do Cazuza, no primeiro dia eu fui assistir e no segundo dia eu já sabia o que ia fazer. Qualquer fotógrafo já sabe a abertura e o filme que têm que usar, pra alcançar o objetivo. Conseguir a textura da pele mais quente, o ângulo da luz. Nas fotos das baleias eu errei bastante antes de usar o filme certo. Foi um filme de 800 asas, pra fechar a 16 porque tinha bastante sol, pra dar bastante foco e bastante velocidade porque ela se move rápido. Acho que a técnica é fundamental. O estudo na fotografia é fundamental. Sempre falo que está havendo um equívoco das pessoas comprarem as máquinas automáticas e saírem tirando foto. A foto sai, mas não se têm a noção disso. Todo mundo devia fazer um curso básico pra ter noção de fotografia. Eu sou fã das máquinas manuais, onde você pode manipular.

Você acha que a fotografia digital pode substituir a tradicional?

Ainda não passei pra digital. Acho que a tendência é passar pra digital, mas estou supersatisfeito com a minha máquina e acho que eu não usei nem 10% do que ela pode dar. É a tendência natural a digital substituir a manual, mas sempre vai haver o fotógrafo. Sou um romântico. Igual a televisão, você pode sair filmando, mas se não tiver talento não sai nada.

Texto e entrevista: Andhye Iore

BIOGRAFIA

TRABALHOS