SÉRGIO SADE
Fotógrafo curitibano, que se destacou na mídia
nacional, fala sobre a importância da fotografia digital

O fotógrafo Sérgio Sade, 57, esteve em Maringá para palestrar sobre o tema "Do Fotojornalismo à Fotopublicidade: 30 anos Dedicados à Imagem", onde falou sobre suas experiências profissionais, contou histórias curiosas e apresentou dezenas de slides.

Sérgio foi o primeiro fotógrafo formado em jornalismo a trabalhar em jornal no Paraná. Depois de se destacar em Curitiba, foi convidado para trabalhar nas revistas Veja e Placar, sempre acompanhando momentos importantes na história.


Sérgio Sade: experiência a
serviço da fotografia digital

Desde a ditadura militar até Copa do Mundo de Futebol. Como exemplos destes casos, Sérgio sofreu quando fotografava a violência militar na década de 70, chegando a apanhar de policiais e, para sobreviver, chegava a fotografar a mesma partida de futebol para 3 ou 4 jornais diferentes. "A censura é doída. Tem que dar graças a Deus que acabou.", lembra Sérgio.

Ele também foi o responsável pela implantação da editoria de fotografia na revista Veja onde, pela primeira vez, a fotografia passou a ser considerada fundamental para as reportagens da revista. Hoje, Sade tem um estúdio de fotografia digital, o e-mage, em Curitiba e está diretamente envolvido com fotopublicidade. "A imagem, como a música, é um dos poucos produtos que podem ser dados diretamente pela Internet.", fala sobre o futuro da fotografia como processo digital.

Uma das mensagens mais importantes de sua palestra, foi: "Mesmo trabalhando numa cidade menor, dá para fazer boas matérias se tiver alguém que procura quem tem experiência para trabalhar." , sendo uma referência clara à editoria de fotografia.

O SUPERS entrevistou Sérgio Sade, minutos antes de sua palestra:

Qual o seu conceito de fotografia digital?

Sérgio Sade - Rapidez e custo baixo. Principalmente, compartilhar imagens, você abre suas imagens para o mundo. A imagem que você guardava numa caixa de sapato, você põe na Internet e o mundo inteiro pode ver.

Com o crescimento da fotografia digital, você acha
que a fotografia tradicional está com os dias contados?

Não. Absolutamente não. Vai continuar, crescendo cada vez mais. O que vai acontecer é que a tendência mundial é que as fotografias tradicionais sejam digitalizadas, porque ainda existe um abismo muito grande a ser atravessado entre o custo/benefício das câmeras digitais. Apesar do abismo tecnologico entre a fotografia digital e a tradicional, ambas ajudam a educar o olhar.

Por que a sua opção pela publicidade?

Eu trabalhei muito tempo como jornalista e, na realidade, no final das contas, é questão financeira. O jornalismo paga muito mal e a publicidade paga muito bem a fotografia.

Hoje em dia, uma pessoa com um lap-top, um celular e uma câmera fotográfica digital é um jornal sozinho. Nesse sentido, você não acha que a tecnologia restringe ainda mais o mercado de trabalho?

Não, pelo contrário. Acho que abre, porque desmistifiou-se a técnica de fotografar. Antigamente tinha pessoas habilitadas a olhar, perceber as coisas e não conseguiam dominar a técnica da câmera fotográfica, que era bem complicado. Hoje em dia, qualquer pessoas fotografa e arruma suas fotografias digitalmente. Ou seja, abre o mercado de trabalho.

Texto, foto e entrevista: Andhye Iore, julho de 2000