SEVERO
Fotógrafo perpetua histórias através das imagens
Trabalhando em feira de antiguidades, Severo tem equipamento e
aventuras nostálgicas para os aficcionados por fotografia

Em meio a mais de 90 barracas na feira de antiguidades, no vão livre do MASP - Museu de Artes de São Paulo - que acontece todos os domingos, das 10h às 16h, está o stand 76, do fotógrafo Severino Silvino Pereira Filho, de 46 anos.

Severo, como é chamado pelos conhecidos, é fotógrafo há 25 anos e trabalha, além da feira de antiguidades, com produção de cinema e fotografia em geral. "A gente não escolhe muito nessa área", diz o fotógrafo, rodeado de máquinas e acessórios.


Severo: um bom laboratorista
ainda é superior à tecnologia digital

Levando cerca de 20 minutos para montar a barraca, ou melhor, o stand 76, tempo que seria menor se várias pessoas não o interrompesse para perguntar sobre as máquinas antigas que chamam a atenção.

Com humor e espontâneidade, Severo vai abrindo caixas, malas, bolsas e tirando as raridades para expor na feira. "O que eu não vendo na feira, coloco em site de leilão na Internet", revela sua interação com a nova tecnologia, apesar de ser expert em detalhes das máquinas e acessórios antigos que vende.

Para quem gosta de fotografia, o stand 76 é um colírio para os olhos. Dezenas de máquinas brilham num pequeno espaço. A máquina fotográfica mais cara que Severo tem no stand é uma Leica de, aproximadamente, R$ 1.500,00 e a mais antiga é uma Zeiss, simples, de 1928, que custa cerca de R$ 150,00. "Esse material tem uma grande circulação.", explica Severo. "O que determina o valor é a quantidade fabricada e o modelo."

Ao lado de tantas raridades, o fotógrafo expõe uma minúscula máquina digital. Perguntado se acha que a fotografia digital pode substituir, com o tempo, a fotografia tradicional, ele fala com convicção: "Não acredito nisso. As convencionais terão que se adaptar a uma necessidade de mercado." Para reforçar, diz que uma máquina digital nunca chega a qualidade de um bom laboratorista. "Nada tira o prazer do laboratório!", completa. "A fotografia digital serve para ter agilidade, para algo específico.", enfatiza.

Além da fotografia, Severo também oferece material sobre cinema, onde pode-se viajar no tempo. Um exemplo disso eram alguns rolos de desenhos animados em 8 mm, de aparência um pouco "gasta", simpaticamente dizendo. E, com sorte, quem visitar o stand pode pegar Severo animado com alguma foto e história que ele tenha sido o protagonista. Como a foto de Pelé que ele tinha tirado no dia anterior, em um evento. Quando Severo apareceu na frente do rei do futebol com uma câmera com lente de mais de 40 cm e disse, se divertindo, que o Pelé levou o maior susto quando viu "aquilo" apontado para seu rosto.

Assim é o mundo da fotografia, com muita novidade, mas nostalgia e histórias eternizadas pelas imagens das câmeras.

Andhye Iore

SERVIÇO

Fotógrafo Severo, Feira de Antiguidades do MASP, na Avenida Paulista, São Paulo - SP. Contatos: <severo-stand-76@uol.com.br> ou pelo fone: (11) 3721-2538.