ALMIR SATER
Simplicidade
é marca do talentoso violeiro
Músico,
ator e defensor do meio ambiente, o pantaneiro
Almir Sater defende a música de raiz e despreza
gravadora
Andhye
Iore - Você têm um certo ranço com
gravadora,
tecnologia e tumulto de cidade grande. Como é o
Almir Sater simples,
isso é uma maneira de você controlar sua
carreira e sua vida?
| Almir
Sater Não tenho nada contra
gravadora. Nem contra, nem a favor. Acho
que a gravadora é útil para determinado
segmento de artista. No meu caso, prefiro
trabalhar sozinho, sem pressão, sem
pressão contratual. É uma opção
pessoal. A tecnologia, acho que ela têm
contribuído muito para o conforto da
humanidade. Polui um pouco, mas acho que
ela contribui mais. A cidade grande não
me fascina. Eu sou do mato, gosto mais do
mato, me sinto melhor, a minha família
também gosta. É questão de gosto. |

Sobre a
mídia: "...nunca gostei de fazer
playback..."
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A música sertaneja hoje em dia
perdeu suas raízes e ficou mais romântica.
Por que você acha que aconteceu isso?
Existe a música
sertaneja romântica que está tendo muito
destaque na mídia. Agora, a música caipira, dos
violeiros sempre existiu e existe, só que a
música romântica sempre fez sucesso. É um
filão que sempre esteve na moda e sempre vai
estar. A música de raiz é diferente, o caipira
é diferente, é mais mocosado, mais tímido.
Diferente do pessoal do "bunda-lêlê",
por exemplo.
Além da afinação, quais as
diferenças entre tocar violão e viola?
A viola, além de
um instrumento, é uma concepção. É um jeito
de tocar. É mais a técnica, as afinações é
que diferenciam. A concepção de tocar violão
é diferente de alguém que toca viola. É outra
técnica, outra pegada, outro ponteio.
De certa maneira, você faz
sucesso e não depende da mídia.
Como é essa relação entre seu trabalho e a
mídia?
Acho que a mídia
sempre me apoiou muito. Não essa mídia de
consumo. Mas sempre tive espaço, sempre o meu
trabalho foi bem recebido. Fiz três novelas e
isso é uma forma de mídia massificante. E,
foram as novelas que me permitiram poder me
isolar um pouco de mídia, de programas de
televisão. Porque não têm nada que me motiva
sair para fazer esses programas de televisão.
Nunca gostei de fazer playback, porque quando eu
gravo uma música, tenho dificuldade de cantar
ela igual novamente. Várias vezes, tentei fazer
playback e não conseguia sincronizar a minha voz
com o que estava tocando. Mas, a mídia é a
mídia...
Você têm planos de fazer
televisão de novo?
Novelas, eu parei.
Tudo que eu queria na minha vida era sair pra
fazer show pra caramba, viajando. E eu consegui
isso, esse pequeno espaço. Então, tenho
trabalhado muito e tenho feito muitos shows. Era
o que eu queria, então não justifica eu tirar o
espaço de um ator profissional.
Como você analisa sua
experiência como ator, foi frustrante,
compensador...
Foi compensador...
foi muito difícil. Até pelo fato de nunca me
acostumar a horários e patrão, porque tinha
várias pessoas que dependiam daquele trabalho,
não era um trabalho meu. Eu fazia parte de uma
produção, de um esquema e eu tinha que ter
muito respeito. Por isso, fiz o melhor possível.
Atualmente, há uma discussão
muito forte
em cima do meio ambiente. Pra você, qual a
importância
da reciclagem de lixo, do cuidado com a natureza?
Você falou um
negócio importante. Acho que a reciclagem de
lixo é muito importante. Tenho viajado por aí e
nota-se o grau de civilização pela quantidade
de lixo que encontra-se nas ruas. Se você
começar a rodar por esse Brasilzão, você vai
ver que têm muitas diferenças com lugares muito
sujos, muito mal cuidado e lugares limpos. Acho
que é educação. A ecologia começa com a
educação em casa.
Você têm a sua maneira de
trabalhar independentemente de gravadora.
Você acredita que a gravadora manipula e
controla a carreira do artista?
Eu não acredito
que uma gravadora manipula um artista. Ela
manipula pessoas que são pseudo artistas, que
fazem qualquer coisa para conseguir um espaço. O
artista que têm talento verdadeiro, não aceita
manipulação, a não ser que seja do interesse
dele. As gravadoras jogam, porque têm um poder
econômico muito grande e impõe nos meios de
comunicação, corrompem pra poder vender seus
produtos. Mas, não é só em gravadoras, em
vários segmentos do mercado existe essa pressão
econômica. Agora, as gravadoras estão muito por
fora, estão perdidas. Ela teve um papel muito
importante mas, hoje em dia, com a
democratização dos meios de comunicação ela
está ficando pra trás. Precisa acompanhar isso
porque aquela mamata que ela tinha acabou.
Texto,
entrevista e fotos: Andhye Iore / 2001
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BIOGRAFIA
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