ASTROMATO

Entrevista com Armando Turtelli em julho de 2000:

Andhye Iore - As letras do Astromato são belas, simples, otimistas e sensibilizam facilmente. Como foi o processo de passar do inglês
para o português, ter um maior cuidado com a sonoridade vocal?

Armando - Acho que você entendeu o principal motivo por termos passado a escrever em português. Na realidade, são dois os motivos principais: fazer com que as pessoas nos entendam e, mais importante, conseguir transmitir alguma coisa mais verdadeira. Fazemos músicas falando das nossas vidas, sonhos, talvez menos preocupados com a forma e mais com a essência, por isso acabou por sensibilizar mais as pessoas. Hoje em dia, eu acho que estamos mais com os pés no chão, tocando por gostarmos de tocar e tentando fazer isso da melhor maneira possível. Seria maravilhoso viver disso, mas também é maravilhoso viver fazendo isso.

Muito se fala sobre as influências ( e muitas besteiras). No caso do Astromato, até que ponto as bandas que vocês gostam influenciam no trabalho de vocês?

É, esse lance das influências é realmente complicado. Acredito que não dê para falar, no caso do Astromato, que tal música pareça muito com tal banda e outra música pareça muito com outra banda. Acho que pra gente, as bandas que gostamos, de alguma maneira penetraram dentro de nossas cabeças (coração) e instigam-nos a fazer músicas desse jeito, mas sempre colocamos nossa bagagem de vida nelas. Cada um faz músicas de um modo muito pessoal e é no momento em que essas músicas são arranjadas pela banda que elas viram músicas do Astromato. O Frebs adora Teenage Fanclub, o Pedro My Bloody Valentine, O Armando Jesus and Mary Chain, Rafael Ride, mas nós gostamos disso e de muitas outras coisas.

Como você vê a questão da mídia rotulando tudo, criando modas passageiras?

No estudo da Comunicação existe autores como Adorno, Horkheimer, sobre a escola de Frankfurt..., apesar da distância destas idéias e da mudança que ocorreu no mundo, eu vejo a situação atual com aqueles olhos. Existe uma Indústria Cultural que busca ditar regras de condutas, comportamento, pensamento, para satisfazer os interesses do grande capital. Rotulam para encaixar as coisas novas nos gostos das pessoas, mas não é algo estático e sim dinâmico, fabricam gostos, rótulos pra poder abocanhar o que for possível para poderem ganhar sempre mais. É o que move o capitalismo, dinheiro, expandir pra conseguir sempre mais...

Apesar das dificuldades, vocês não desistiram. Mas, várias
bandas legais não tiveram a mesma atitude de vocês...

No ano passado, fui para Brasília visitar um amigo e acabei encontrando o Giulliano, da Low Dream. Ele estava desiludido com o rock, ou melhor, com o fazer rock no Brasil. Estava gostando bastante de música eletrônica, raves, dj’s...fiquei meio decepcionado, pois a Low Dream pra mim foi uma banda tão marcante que na minha cabeça não deveria ter acabado assim..., mas o que aconteceu foram fatos na vida pessoal dele e assim foi...não é fácil....

Qual é a dificuldade de se formar uma cena alternativa no Brasil?

Não existe interesse imediato da Indústria Cultural em investir massivamente neste nicho de mercado. Se a mídia dissesse em alto e bom som que ser alternativo e ouvir músicas alternativas é "cool", aposto que esta cena apareceria muito mais forte ao mesmo tempo que o alternativo seria bem menos alternativo. As pessoas que hoje em dia vão aos shows "alternativos" assistem televisão e se vestem como as pessoas que lá aparecem, por exemplo. O que será que isso quer dizer? Raimundos, acho que pode ser encarado como um exemplo de alternativo que foi assimilado pelas pessoas através da mídia. Sem dúvida, temos muitas bandas maravilhosas aqui no Brasil (não estou falando dos Raimundos) que poderiam contagiar os ânimos de grandes multidões...

Andhye Iore

BIOGRAFIA

DISCOGRAFIA

LETRAS

FOTOS

MATÉRIAS