BELLE & SEBASTIAN
ENTREVISTA

Stevie Jackson é o guitarrista da banda escocesa Belle & Sebastian. O músico nasceu a 16 de janeiro de 1969 e faz o gênero "Belle & Sebastian". O guitarrista procura ser discreto e faz questão de revelar seu gosto por boa música.

Fã das bandas soul da Motown e de Rolling Stones, Stevie Jackson até canta em algumas músicas do Belle & Sebastian. O SUPERS entrevistou o guitarrista por e-mail.

Andye Iore - Vocês ficaram sabendo por que o Todd Solondz não usou as outras músicas de vocês no filme "Histórias Proibidas"?

Stevie Jackson - Acho que ele usou o que precisava e não era muito. Ele também tinha outro cara fazendo música para o filme ao mesmo tempo que nós. Já faz um certo tempo e eu não me lembro direito. Acho que é um disco muito bom.

Ao ouvir algumas músicas, ler algumas letras e ver as capas dos discos, podemos fazer algumas relações entre o Belle & Sebastian e o Smiths. Até que ponto o Smiths foi uma influência para vocês?

Talvez, o Smiths foi uma influência maior no Stuart que no resto da banda. Sei que que ele era um grande fã da banda nos anos 80. Não sei se as capas dos discos são inspiradas no Smiths, até poderia ser. Pessoalmente, eu gostava da banda e eles foram o primeiro grupo que eu vi ao vivo. Entretanto, eu fui mais influenciado pelo Rolling Stones. Não sei quanto aos outros... sei que Bobby e Chris não suportam The Smiths.

A sonoridade do Belle & Sebastian sempre tem um pouquinho de bossa nova. Mas, em "Storytelling" a influência latina é maior. Qual é a relação de vocês com a música latina?

Yeah! Todos nós amamos a música latina. A razão pela qual isso ficou mais evidente em "Storytelling" é que várias músicas foram inspiradas na personagem Consuelo, que é senhora sul-americana. Assim, a sonoridade latina parecia mais apropriada.

Quais as suas memórias do Brasil?

Nós tivemos uma agenda muito cheia e não pudemos ver muita coisa. Alguns puderam ir até o Pão de Açúcar, que foi maravilhoso. Pessoalmente, o Brasil é o meu país favorito dos que eu fui. Adorei os shows e a reação das pessoas foi fenomenal. As pessoas são fantásticas, amigáveis e entusiastas. Sarah cantou uma música da Gal Costa e o público todo cantou junto.


Stevie Jackson: influência de Stones

A imprensa inglesa sempre quer encontrar a "salvação da semana do rock". Mas, hoje em dia as bandas que mais fazem sucesso na Inglaterra não são inglesas e sim o Strokes, o Hives e até vocês já foram uma destas bandas um dia. O que você acha que está acontecendo com a cena britânica?

Na Inglaterra, há várias bandas que fazem mais sucesso que nós, como Starsailor e Coldplay. Não sinto que eu conheça a cena mais. Nós somos uma banda antiga lá e já não escrevem mais sobre a gente de maneira favorável. A cena sempre anda rápido. Ao menos, ainda estamos por aí.

E por que há tantas bandas escocesas fazendo sucesso nos dias de hoje?

Não faço idéia disso. Houve uma onda de boas bandas há uns cinco anos atrás. Bandas como Arab Strap, Mogwai e Delgados. Mas, não sei se tem algo recente. O Travis ainda reina supremo em termos de sucesso até onde eu sei.

Como está a relação numa banda com tantos músicos, já que quanto mais egos juntos, mais conflitos acontecem...

No momento, o relacionamento entre nós está ótimo. As pessoas que estão no grupo agora, são as que querem estar e fazem com que esse relacionamento seja mais fácil. Há alguns desentendimentos, mas isso é normal. Parece que não temos mais brigas de ego. Ainda bem!

Quando vocês apareceram com o "Tigermilk", as pessoas ficaram surpresas e encantadas com o estilo melódico da banda. Você acredita que bandas como o Belle & Sebastian emocinam mais as pessoas porque elas estão mais individuais e sensíveis?

As pessoas gostam de bons sons e isso é sempre bom. Você pode cantar junto. São as sonoridades inesquecíveis e acho que é por isso que nós nos demos bem. A parte lírica é interessante e, talvez, o fato de aparecermos quando o britpop estava em baixa é que tivemos destaque. De qualquer maneira, toda boa música toca as emoções seja pop, jazz ou death metal. É por isso que amamos a música!

Você acha que a internet pode ser um veículo de sobrevivência às bandas independente das gravadoras?

Eu pensava isto há alguns anos atrás. Mas, agora, não tenho certeza. Aconteça o que acontecer, o capitalismo irá prevalecer e as companhias irão ganhar dinheiro. Nisto, eu não tenho duvídas.

Andhye Iore, julho de 2002

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