COSMIC ROUGH RIDERS
BIOGRAFIA
O sol brilha, as pessoas
são legais, o mundo é um lugar maravilhoso,
todos se amam e eu sou tão feliz. Assim é o
clima das canções do grupo escocês Cosmic
Rough Riders, a nova sensação na Inglaterra.
A história
começou em Galsgow, na Escócia, em 1998, quando
o músico Stephen Fleming trabalhava num estúdio
comunitário e conheceu Daniel Wylie, que já
tinha banda desde os 15 anos. Os dois começaram
a tocar juntos e logo formaram o CRR com a
entrada do guitarrista Gary Cuthbert, do baixista
James Clifford e do baterista Mark Brown.
No ano seguinte
lançaram, por conta própria, o álbum
"Deliverance", com 14 músicas. O disco
mostrava algo inusitado. Uma banda de um país
cinzento fazendo pop music com um clima sixties
da ensolarada Califórnia.
HARMONIA
A Escócia tem um
clima frio que remete uma melancolia. E, até
então, nenhuma outra banda tinha assimilado
influências americanas de Beach Boys, Love, The
Byrds e Buffalo Springfield para compor canções
que alternam simplicidade e felicidade, tanto nas
letras como nas harmonias dos vocais e dos
instrumentos.
O segundo disco
também pelo próprio selo Raft Records
veio em 2000. "Panorama" vendeu
um pouco mais que o anterior - apenas duas mil
cópias! - mas foi o suficiente para fazer a
banda sair em turnê pela primeira vez, entrar
nas paradas e ganhar boas reportagens na badalada
mídia britânica. O Cosmic Rough Riders entrava
para o seleto grupo de Salvadores do Rock que os
ingleses adoram anunciar a cada semana.
Mas, o sucesso
veio mesmo em 2001, quando foram contratados pela
Poptones. A história de como o CRR entrou para
gravadora também é curiosa. Um amigo designer e
que já tocou numa banda com Alan McGee, deu ao
dono da Poptones uma cópia de
"Panorama". Como o mago do indie rock
recebe muito material, o disco dos escoceses foi
ignorado.
REGRAVAÇÃO
Meses depois, com
mais uma indicação, McGee decidiu ouvir o
disco, gostou e pediu uma audiência com o grupo.
Com seu faro único para transformar jovens
sonhadores em popstars, McGee contratou o CRR e
fez dela a maior atração do selo, enquanto
outras gravadoras maiores já rondavam a banda.
Fazendo parte do
cast de um dos melhores selos do rock
alternativo, o Cosmic Rough Riders lançou o
terceiro álbum ainda em 2001. "Enjoy The
Melodic Sunshine" não é bem um disco novo.
O álbum tem três músicas do
"Deliverance" e oito músicas do
"Panorama", todas regravadas e
remixadas.
Além, é claro,
de músicas novas mostrando um rápido
amadurecimento e que deu uma certa unidade ao
disco. O motivo das regravações era que os dois
primeiros álbuns não estão mais em catálogo e
os novos fãs poderiam conhecer músicas legais.
Com boa distribuição, a banda saiu em turnê
pelo Japão, América e outro países europeus.
QUÍMICA
Depois de
freqüentar as paradas britânicas, o disco foi
lançado pela Trama no início deste mês no
Brasil com duas faixas a mais. Curiosamente, eles
não gravam covers para os singles já que a
banda tem material suficiente para lançar mais
discos ainda este ano. Um já saiu. "Pure
Escapism", foi lançado no Japão no início
do ano contendo as músicas dos singles, versões
alternativas de canções dos álbuns e faixas
multi-mídia.
O CRR também pode
ser analisada pela feliz química entre dois
compositores que raramente acontece na história
do rock. Lou Reed e John Cale é o caso mais
notório e Johnny Marr e Morrissey o mais
recente. Como os dois casos citados, a parceria
criativa não durou.
Com toda a
badalação da mídia, Daniel Wylie deixou a
banda no início desse mês para uma carreira
solo. Ele era o escritor da maioria das letras do
CRR, considerado como um compositor compulsivo e
fã de REM. O que dá perceber em algumas
canções. Mas, Stephen Fleming já tomou a
frente da banda.
REFERÊNCIAS
Por falar em
referências musicais, o CRR tem uma
particularidade que poucas bandas novas tem em
sua concepção. Stephen e Daniel foram buscar
nas raízes de seus grupos preferidos, a
influência necessária para criar uma
musicalidade que eleve o espirito. O mais legal
é descobrir heranças do Beach Boys nos vocais,
dos Byrds nos solos de guitarra e do Buffalo
Springfield no andamento das canções do CRR.
Montar uma banda
em Glasgow deve ser tão natural quanto jogar
futebol no Brasil ou ir a um show em Londres.
Historicamente, a cidade é um ninho de talentos.
Donovan, Teenage Fanclub, Aztec Camera, Travis,
Delgados, Belle & Sebastian, entre outros
grupos dão um ar respeitoso à cultura escocesa.
E, para quem já
ficou filosofando sobre o estranho nome Cosmic
Rough Riders, vale revelar que eles estavam
passeando pela ruas de Glasgow quando viram dois
posters na porta de uma loja. Um era uma
propaganda do jeans Lee Rough Rider. O outro, de
um clube com o nome de Cosmic Wheels. Simples e
criativo, não!? Assim como as singelas e
espirituosas músicas do grupo.
Andhye
Iore / 2002
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