COSMIC ROUGH RIDERS
ENTREVISTA
A entrevista foi feita com
o vocalista e guitarrista Stephen Fleming por
telefone na tarde de 28 de março de 2002. Com
o tradicional sotaque escocês que dificulta a
compreensão do inglês, a entrevista durou cerca
de 25 minutos e mostrou um Stephen atencioso e
interssado em tocar no Brasil. Vale ressaltar que
a língua oficial falada na Escócia é o
inglês, mas várias pessoas falam o gaélico com
expressões/dialetos regionais, o que acaba sendo
incorporado ao dia-a-dia como gírias. O SUPERS
agradece à força de Érica e Dago, ambos
funcionários da Trama, por agendarem a
entrevista.
Andhye
Iore - Há semelhanças na música
country americana com a música celta que é
tradicional na Escócia. Ambas tem aspectos
populares históricos nas classes operárias.
Você acha que isso é uma influência na música
do Cosmic Rough Riders?
Stephen Fleming - Eu
acho que todos na Escócia tem alguma influência
de bandas americanas. A música country e a celta
sempre foram populares na Escócia porque são
muito harmônicas e nós crescemos ouvindo este
tipo de música. É muito natural para nós
escrever músicas neste estilo.
Muda alguma coisa no conceito da
banda com a saída do Daniel?
Não! (enfático)
Mesmo com a saída do Daniel, nós somos os
mesmos músicos, tocamos as mesmas canções e os
vocais sempre foram divididos entre nós. Não é
porque ele saiu que vamos tomar outras
direções. Qualquer mudança neste sentido não
seria natural.
O que acontece com a música
britânica que não tem mais tantas bandas boas
como antes e hoje há várias bandas americanas e
escocesas fazendo sucesso na Inglaterra?
Acho que a
imprensa inglesa trabalha como uma moda com as
bandas. Há basicamente uma única rádio que
controla as paradas por aqui, que é a Radio 1 e
que direciona as paradas. Mas, há grandes
revistas como a Mojo, a Q e a Uncut que mudam os
destaques a cada edição. Uma vez é o Strokes,
na outra o Hives, depois o White Stripes. As
pessoas em outros países ouvem diferentes tipos
de música e isto pode fazer com que sejam mais
leais à imprensa, às bandas.
E hoje o Cosmic Rough RIders faz
parte dessa cena, dessa moda. Isso te aborrece?
Por que vários
críticos escrevem coisas sobre nós? É curioso
porque os jornalistas gostam de nossas músicas e
cria uma conexão sentimental. Se as pessoas não
escrevem é porque a música não é boa.
Vocês tiveram uma grande
iniciativa de regravar as músicas antigas para
que as pessoas pudessem conhecer melhor o
trabalho de vocês. Por que você acha que outras
bandas não fazem isso quando são contratadas
por gravadoras maiores?
Acho que tivemos
sorte de fazer este disco pela Poptones porque
não tivemos nenhuma pressão em gravar um disco
cheio de singles para as rádios. Nós pudemos
escolher músicas dois primeiros discos que
tiveram uma pequena tiragem e mal chegaram aqui
na Inglaterra. Quando uma banda é contratada por
uma major, ela é pressionada a gravar singles
que façam sucesso.
As letras da banda são bem
simples e o som é para cima, causa um sorriso de
felicidade em quem ouve. Você acha que estes
são os principais motivos do sucesso ter chegado
tão rápido para vocês?
Certamente! Pra
mim, a música sempre tem que ser acessível,
fácil de ouvir. Temos que manter a melodia
simples e as letras o mais acessível possível.
Acho que é o melhor caminho para algo mais
emocional.
Com suas músicas, você procura
tornar o mundo um lugar melhor para viver?
Não acho que uma
banda de rock possa mudar o mundo com sua
música. Não acredito que os músicos devam se
envolver com política.
O que passa pela sua cabeça
quando você pensa que tem fãs no Brasil, um
país bem diferente da Escócia?
É muito estranho
isso. Um país bem diferente do seu e as pessoas
cantam as canções que você escreveu. Ano
passado, tocamos no Japão e as pessoas cantavam
as músicas junto. Isso me faz sentir ótimo.
Ano passado tivemos algumas das
melhores bandas do rock alternativo tocando no
Brasil. Você acha que o Cosmic Rough Riders pode
ser a próxima a tocar aqui?
Eu ficaria bem
feliz em tocar nossa música aí e conhecer a
cultura de vocês. Ano passado quase fomos tocar
no Brasil, mas não foi possível encaixar na
agenda. Seria bom tocar esse ano porque o disco
saiu aí.
Você acha que as bandas podem
usar a internet como um meio para sobreviver sem
as gravadoras?
Não tenho certeza
disso. Não acho que a música possa ser vendida
pela internet, apesar de já venderem e até
outras coisas também. Mas, acho que as pessoas
gostam de ir até uma loja para comprar seu
disco, poder ouví-lo, tocá-lo. Não acho que
comprar pela internet seja tão popular quanto ir
até uma loja comprar pessoalmente.
Trabalhar com Alan McGee torna,
de alguma maneira, as coisas mais fáceis para
vocês?
Yeah! Certamente!
Ele é um grande fã, é fanático por música. A
Poptones é como uma família e muita gente acha
que a Poptones é a melhor gravadora da
Inglaterra. Eu acho que fizemos a escolha certa.
Andhye
Iore / 2002
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