DOMINATRIX
Banda formada por garotas
passa pro hard core questões feministas
Foi-se o tempo
quando as meninas ficavam só na platéia babando
enquanto os marmanjões tocavam. No mundo todo,
as garotas tocam, cantam e encantam não pelos
dotes físicos, mas sim por uma postura inspirada
no movimento americano das " Riot
Girls", onde as letras das músicas bradam
contra o machismo e incentivam as mulheres a
conquistarem seu espaço na sociedade opressora.
Tendo como maiores
referências as bandas americanas Bikini Kill e
Bratmobile, as garotas se sentem completamente à
vontade para assumirem guitarras, baixos e
baterias fazendo com que muitas bandas de homens
fiquem com vergonha de tocar.
Em São Paulo, a
banda Dominatrix formada por
Elisa, Isabela e Débora lançou o CD " Girl
Gathering ", pelo selo Teenager in a Box,
contendo 11 músicas e com apenas 21 minutos de
duração.
Hard core muito
criativo, ora rápido, ora melódico e com vocais
suaves. Como é comum neste estilo, as bandas
tocam rápido, pesado e direto. Mas, em várias
músicas da Dominatrix, há variações de
ritmos, quebradas e backing vocals com muita
competência. Coisas que muitas bandas mais
antigas não conseguem fazer.
A Dominatrix foi
formada no final de 1995 e, além das
tradicionais demo tapes, a banda já participou
de coletâneas de hard core em São Paulo e teve
uma splitdemo lançada pelo selo Pinhead, que é
a maior gravadora independente da América do Sul
distribuindo as principais gravadoras americanas
nesta linha.
Mas será que se
trata de três garotas com média de idade de 17
anos mesmo? É, e não pára por aí, pois além
da competência dentro do estilo, do envolvimento
em causas feministas, as meninas da Dominatrix
tem muita personalidade, pois recusaram uma
proposta para gravar um cd para uma gravadora
independente francesa, "... nós mesmas
queremos gravar o nosso CD, sem ninguém dizendo
como devemos fazer!" , explica Elisa, a
guitarrista e vocalista da banda .
E quem espera ver
só rostinhos bonitos e maquiados no CD e no
release da Dominatrix vai se frustrar, pois a
maioria das fotos mostra somente do pescoço para
baixo e os instrumentos. Quem quiser ver "
gatinhas bobinhas" pode comprar a Capricho
na banca da esquina, porque na Dominatrix é
muito hard core e mensagens conscientizadoras.
Mas, apesar de
tanta atitude, é impossível não admirar
garotas novas fazendo um som tão legal como a
Dominatrix. Confira a seguir, a entrevista com
Elisa.
Andhye Iore - Vocês
se encaixam no estilo "Riot Girl"?
Elisa
- Apesar de ter algumas referências e gostarmos
das bandas "Riot Girls" , nós não
somos "Riot Girls" porque isso é uma
coisa bem americana, que tem a ver com os
problemas sexistas de lá. Tem uns lances bem
bonitos de auto-estima feminina. Mas nós estamos
mais voltadas para a situação aqui no Brasil
que é bem diferente.
A banda é nova e vocês parecem
ter muita experiência pois as músicas são bem
criativas. Vocês ensaiam bastante ou existe
alguma particularidade na banda?
Não ensaiamos
muito. Na verdade, ensaiamos mais quando vamos
gravar alguma música . O detalhe é que nós
trabalhamos muito em cima das músicas . Apesar
de começarmos com a Dominatrix, nós estamos
sempre tocando em outras bandas.
O que vocês acham das mulheres
que pensam que tem que ser submissas aos maridos
no casamento?
Isso é muito
triste, elas ficam estagnadas e aceitam tudo sem
reclamar. Quando estão mais velhas, olham pro
passado e ficam se lamentando pelo que perderam.
Como é feita a divulgação da
banda?
Nós temos um
esquema bem legal. Graças a isso os nossos CDs
já foram quase todos vendidos e está saindo uma
nova tiragem . Quando vamos tocar, levamos um
caderno onde anotamos os endereços das pessoas e
temos uma mala-direta com os nossos fãs, as
rádios que tocam rock , a MTV , os jornais que
dão força para as bandas.
Como estão os projetos da banda?
O segundo CD vai
ser lançado em julho, pela mesma gravadora em
parceria com o nosso próprio selo , também
terá onze músicas , só não temos o nome ainda
. O legal é que esse CD vai ser bem baratinho R$
7,00 . O que vai ajudar para aumentar o nosso
público e a divulgar mais no exterior .
Andhye
Iore, maio de 1998
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