DRUGSTORE
Drugstore volta em grande
estilo
"Songs
For The Jet Set", terceiro disco da banda
britânica
liderada por uma brasileira, é um dos melhores
lançamentos do ano
| O Drugstore já foi a banda
queridinha da cena indie britânica em
meados dos anos 90. Passada a
adoração afetada, a banda liderada pela
brasileira Isabel Monteiro, acaba de
lançar seu terceiro disco.
"Songs
For The Jet Set" é o mais maduro da
discografia que conta ainda com singles
com covers e canções inéditas nos
álbuns.
Gravado em
apenas 11 dias no mês de maio, o disco
tem um clima intimista repleto de baladas
adocicadas pela deliciosa voz de Miss
Monteiro, uma colecionadora de bonecas
com um figurino criado por ela mesma.
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O cigarro,
Isabel e as bonecas:
companheiros inseparáveis
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CONTO DE FADA
Maria Isabel de
Almeida Van Costa Monteiro, 37 anos, viveu um
conto de fadas alternativo. Saiu de São Paulo no
final dos anos 80, largando família rica, uma
faculdade que fazia sem maiores pretensões e
finais de semana na praia para se aventurar em
Londres passando fome e fazendo bicos para
sobreviver.
Até que conheceu
o baterista americano Mike Chylinski, parceiro
ideal para uma banda. Afinal, o jovem que mora na
capital britânica e não tem uma banda de rock
independente, deve ter algum problema.
Depois de ser
considerada a revelação semanal pelo finado
semanário Melody Maker no início de 1995 e ter
esgotada a tiragem de 500 cópias do primeiro
single "Alive" - em poucos dias,
as coisas começaram a florescer para a
brasileira.
RECONHECIMENTO
A dupla recrutou o
guitarrista Daron Robinson e o Drugstore foi
convidado para excursionar com o conceituado
Tindersticks, depois com o Jesus and Mary Chain,
Smashing Pumpkins, Lemonheads e com o Radiohead,
além de tocarem nos dois festivais mais
importantes do meio alternativo: o Reading e o
Glastonburry. Tudo isto, antes de lançar um
disco.
O primeiro álbum,
"Drugstore", saiu pela Go! Discs em 27
de março de 1995, com 14 canções melódicas,
melancólicas, apaixonantes e cheio de devaneios
com letras que mostram amores e desamores na vida
de qualquer pessoa em qualquer canto do mundo.
Num inglês
perfeito, Isabel sussurra em
"Starcrossed" sobre as confusões e
desejos humanos: "...todos os dias você faz
com que eu me perca, esqueço o tempo...mantenho
um monte de coisas embaixo da minha cama, como
gostaria que você estivesse lá...". Em
"Fader", ela reconhece que já errou
bastante, que a vida pode ser bem ordinária, mas
vai levando.
EXCLUÍDOS
Assim são as
letras escritas pela baixista inspiradíssima.
Solidão, esperança, sexo, morte e fragilidade.
As canções de voz sussurrada chamaram a
atenção da mídia especializada e da gravadora
multi-nacional Roadruuner que lançou o segundo
disco, "White Magic For Lovers", em
junho de 1998.
Mais madura, com
uma sonoridade mais sóbria e com a inclusão de
mais um músico o violancelista e
tecladista Ian Burdge o disco é uma
homenagem aos excluídos. De cara, Isabel canta
"Say Hello" às pessoas estranhas no e
do mundo, aos bêbados, pecadores, prostitutas,
desiludidos, roqueiros e todos os incompreendidos
que tornam a vida mais divertida.
As homenagens
seguem. "El Presidente" saúda Salvador
Allende e tem vocais de Thom Yorke, do Radiohead.
"Song For Pessoa" é dedicada ao poeta
Fernando Pessoa. E, para a terra natal, Isabel
compôs a bossa-nova "I Dont Wanna Be
Here Without You".
Além das
canções adoráveis, o sucesso do Drugstore se
deve ao carisma da brasileira no palco e junto
aos fãs algo como "brazilian
charm". Ela também é famosa pelos seus
romances. Já teve casos com Mike e Daron, além
de alguns boatos de namoros com músicos de
outras bandas algo como "brazilian
sexuality".
BONECA ROUBADA
O Drugstore
conquistou muitos fãs no Brasil, mesmo sem ter
um disco lançado por aqui. Isto aconteceu porque
Isabel respondia pessoalmente as cartas de alguns
fanzineiros brasileiros mandando fotos, desenhos
e comentando novidades sobre a banda.
Com isso, os
fanzines traziam matérias "endeusando"
a banda e os cds sumiam rapidamente das
importadoras. A premiação maior aconteceu em
novembro de 1998, quando a banda veio para o
Brasil para shows em São Paulo.
Só para ter uma
idéia dessa adoração frenética, quando a
banda se apresentava num clube em abril de 1998,
na Inglaterra, um fã roubou uma das bonecas que
decoravam o palco. Para devolver a boneca
estimada, o fã mandou um bilhete
"...Querida Isabel, tenho a sua boneca. Para
o retorno seguro, exijo uma outra boneca de
presente, um ingresso para o show, camiseta da
banda e o cd novo. Obrigado, um fã!"
SENSÍVEL MATURIDADE
Assim como no
segundo disco onde a capa traz um casal de
bonecos, o terceiro álbum recém lançado no
Brasil, também tem as bonecas de Isabel.
"Songs For The Jet Set" é um disco
mais ouvível, mais acessível, porém com o
mesmo poder de embalar noites de bebedeira e
dor-de-cotovelo. Para a turnê de divulgação
deste disco, a banda recrutou mais um
guitarrista, Matt Aulich.
As duas primeiras
músicas tem letras características. "Baby
Dont Hurt Yourself" coloca a banda na
sensacional onda folk que tomou a Inglaterra e
"Song For The Lonely" é candidata a
uma das mais belas canções do ano, novamente
citando os desafortunados.
O sentimento
brasileiro se diz presente em três músicas:
"Navegando" tem o refrão cantando em
português, "Man Bird Machine" é uma
bossa-nova e em "Flying Down To Rio", o
sol carioca é exaltado.
Para quem acha que
a voz embriagante de Isabel cria um clima pra
baixo, é só prestar atenção na letra
"Hate": "...nunca quero ver seu
rosto com ódio... ódio pode matar." Como
curiosidades, o disco tem uma música com letra
em italiano, uma versão acústica de "I
Know I Could" (do álbum anterior) e um
bônus misterioso.
BOÊMIA
Isabel Monteiro é
uma típica boêmia. Fuma muito, bebe mais ainda
e cria personagens para suas letras que
ninguém duvida são inspirados em sua
pessoa. A brasileira que conquistou Londres se
considera generosa, gosta de sexo, adora Dustin
Hoffman, ama os vestidos de Scarlet OHara
em "O Vento Levou", bem como a paixão
e desapontamento na história do clássico
romance cinematográfico.
Para as bandas
independentes brasileiras, Isabel Monteiro é uma
heroína. Outro motivo de orgulho para os
brasileiros é a postura dela em relação às
gravadoras. "Danem-se as gravadoras!",
brada em entrevistas, explicando o porque de
preferir lançar os discos de maneira
independente.
Além de ser uma
brasileira que conquistou sucesso em outro país,
a colecionadora de bonecas lidera uma das bandas
mais legais da atualidade. E, ainda tem pessoas
que não aceitam bandas brasileiras cantando em
inglês.
Andhye
Iore
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DISCOGRAFIA
SERVIÇO:
Cd
"Songs For The Jet Set"
Drugstore
Inglaterra, 2001
13 músicas, 56m40
Gravadora: Global Warming
Distribuidora no Brasil: Trama
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