ELASTICA
O fim do Elastica
Eleita
como uma das maiores revelações do rock
alternativo,
a banda Elastica acaba justamente por desfrutar
demais o sucesso
| Da mesma
maneira que surgem dezenas de bandas a
cada semana na Inglaterra, também deixam
de existir inúmeras outras que desistem
de enfrentar a grande concorrência pelos
palcos britânicos. Por outro lado,
algumas bandas acabam por conflitos entre
seus integrantes. |

Elastica:
rock, sex appeal e foco da mídia
|
Foi o que
aconteceu com a banda Elastica. A guitarrista e
vocalista Justine Frischmann anunciou no dia 2 de
outubro o fim da banda.
Bela e de postura
imponente à frente do Elastica, Justine sempre
teve destaque nas capas dos semanários musicais
britânicos. Além do talento e da beleza, a
moça era alvo dos papparazzis graças aos
namoros com dois dos mais respeitados músicos da
cena roqueira: Brett Anderson, do Suede, e Damon
Albarn, do Blur.
Depois de passar
uma temporada tocando guitarra no Suede, Justine
decidiu ter sua própria banda. Em 1991, chamou o
amigo baterista Justin Welch e formou o Elastica.
Inspirada pela cena pós-punk e new wave, a dupla
começou a compor. Em agosto de 1992, anunciaram
na Melody Maker procurando por um guitarrista com
influências de Wire, Stranglers e The Fall.
REVELAÇÃO
Em 1993, a banda
gravou duas demo tapes a pedido da gravadora EMI
e excursionou com sete bandas, entre elas o Pulp
e o Blur. Em 1994, os leitores da New Musical
Express elegeram o Elastica como o grupo
revelação do ano. Em seguida, a banda foi
contratada pela Geffen.
O álbum de
estréia, "Elastica" (1995), foi o
disco debutante que vendeu mais rapidamente na
Inglaterra. Com três singles poderosos
"Line Up", "Stutter" e
"Connection" a banda explodiu
nas rádios do Reino Unido e foi convidada para
tocar em todos os grandes festivais de rock,
inclusive no Lollapalooza, nos EUA, no ano
seguinte.
Com o sucesso,
também vieram os problemas. A banda foi
processada por duas companhias pelo mesmo motivo:
plágio. Depois de audiências judiciais que não
resultaram em nada, as companhias que detém os
direitos da obra do Wire e do Stranglers
desistiram.
Se bem que
"Waking Up" tem passagens que lembram
"No More Heroes" do Stranglers e
"Connection" tem riffs semelhantes a
"Pink Flag" do Wire. Mesmo com o
possível plágio, "Connection" ganhou
o mundo virando até tema de comercial televisivo
no Brasil.
DECEPÇÃO
Graças ao sucesso
inesperado do disco de estréia, a banda ficou
cinco anos sem gravar. Como é tradição na
indústria fonográfica, todo artista que fica
muito tempo sem lançar novidades para os fãs,
acaba decepcionando quando volta.
O segundo álbum,
"The Manace", não tem o mesmo pique
que "Elastica" e, como a cada semana
surge uma nova salvação do rock na Inglaterra,
a banda de Justine começou a ter problemas de
relacionamento interno. Sem clima devido à
frustração do disco novo, a banda passou o
final do ano passado e todo esse ano sumida da
mídia até essa semana, quando foi anunciado o
fim.
Além do fim do
Elastica, Justine anunciou que tem outros
projetos para o futuro, independente da música.
Tudo normal para quem sempre colocou o sex appeal
nas letras da músicas e parecia estar posando
para editoriais de moda quando fazia fotos de
divulgação para a banda.
Para os fãs,
resta o consolo de mais uma edição "BBC
Session" a ser lançada ainda este ano e uma
música com Justine e o Primal Scream para a
trilha sonora do filme "To Old To Die
Young". Os fãs já começam a correr atrás
de outros discos com canções do Elastica. As
dicas são as trilhas dos filmes "Barrados
no Shopping", "Trainspotting" e
"Bruxa de Blair 2" e as coletâneas
inglesas Vollume.
Andhye
Iore
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