FEMUCIC
ENTREVISTA
Andhye Iore
Como está a relação do Femucic
com a administração do PT?
Antônio Vieira - É
muito boa e a expectativa é que possamos ter
cada vez mais afinidades. Como o Femucic é um
produto de parceria, nós fomos muito bem
recebidos pelo prefeito e, antes mesmo do
prefeito Ter tomado posse, nós já havíamos
acertado algumas coisas em relação ao festival.
Nós antecipamos esse contato porque dependíamos
de algumas peças promocionais que já estavam em
andamento, como cartazes e regulamentos em
produção. O que ajudou muito para que esse
trabalho se desenrolasse com tranqüilidade é
que boa parte do grupo que trabalha hoje na
Secretaria de Cultura, já trabalhava nos anos
anteriores. Isso criou canais de fácil acesso.
Eu
perguntei isso porque ano passado o Femucic teve
uma extensão na Praça Raposo Tavares visando
levar o festival para a comunidade e o PT têm
essa proposta de descentralizar a cultura...
No sentido de popularizar o festival, isso
foi uma acolhida muito boa. Tanto assim, que esse
ano teremos uma estrutura melhorada. No dia 25,
teremos o Femucic na praça, já com palco e
todas as condições de sonorização para um
grande espetáculo. A intenção é ir de
encontro com essa proposta do governo e, ao mesmo
tempo, já vínhamos acalentando essa idéia nos
anos anteriores. Quem não puder ir ao teatro,
terá uma belíssima oportunidade de sentir o
espetáculo na praça. Tenho expectativa futura
em relação ao governo de se torne mais efetiva.
Além
de um dia na praça, quais as outras novidades
para esse ano?
Estaremos com um stand na Expoingá, com
alguns artistas que se apresentaram e irão se
apresentar esse ano no Femucic. A outra novidade
que estamos inserindo esse ano é o show de
abertura que realizaremos no dia 23, com
convidados de diversos estados do Brasil e
músicos locais. Será uma pequena mostragem do
que vai acontecer nos três dias do festival.
Acreditamos que o público possa criar uma
empatia com o evento. O Femucic projetou o nome
de Maringá em todo o estado porque a
divulgação foi feita toda em rede e, por isso,
nós nunca tivemos tantas inscrições do Paraná
como tivemos esse ano. Queremos que a comunidade
dê a sua resposta.
Quais
são as dificuldades de se fazer o Femucic?
Quando se trabalha com cultura, sempre têm
uma limitação de recursos financeiros. A
qualidade do evento seria melhor se tivéssemos
um orçamento mais folgado, para dar aos músicos
que querem vir para cá um acesso mais fácil.
Estamos perdendo excelentes apresentações por
este fator. Mas, o que deu mais trabalho este ano
foi o volume de músicas que nós recebemos.
Foram 707 canções diluídas em 18 estados. Isso
foi um trabalho exaustivo da comissão de
seleção.
Pra
você, qual a importância de um evento como o
Femucic que dá oportunidades para artistas
independentes?
É tornar este festival num momento de
fomento à música brasileira, porque precisa-se
abrir espaço para esse pessoal. Porque o que se
ouve nas rádios e programas de televisão, com
raras exceções, não têm qualidade.
Continuamos a fazer do festival um espaço de
resistência à toda essa massificação, essa
coisa ruim que é jogada nos ouvidos da gente.
Estamos preservando e legitimando cantigas
regionais e produções independentes que têm um
alto valor e que a sociedade têm que começar a
apreciar isso. Senão, daqui há pouco teremos
uma música essencialmente de péssima qualidade,
voltada para o mercado financeiro onde as pessoas
só estão interessadas em ganhar dinheiro e não
em levar boas mensagens.
O
que o que sai na imprensa sobre o festival é
muito pouco perto da importância do Femucic.
Você acha que ainda existe a falta de interesse
da mídia local em relação ao festival?
Não temos matérias fartas sobre o festival,
o que já é tradicional nesse sentido. Mas,
estamos encaminhando para um envolvimento maior.
Falta, ainda, um envolvimento maior da comunidade
local como um todo pra fazer deste evento, um
evento de Maringá. Não importa se é da tv, da
prefeitura ou do SESC, acho que acima de tudo
isso, com 23 anos de existência, o Femucic não
é um patrimônio de uma dessas entidades. É uma
coisa de Maringá, é uma referência para o
estado.
Há
a possibilidade do Femucic voltar a ser
competitivo?
Por enquanto, não temos a intenção de
mudar esse modelo. Temos sentido que a cada ano,
o número de inscrições têm sido maior. No
festival, temos que ponderar dois pontos
fundamentais: o músico que vêm participar com
seu trabalho e o público que vai consumir esse
produto. Por parte do músico, ele está
respondendo de forma excepcional. Nós começamos
com em forma de não competição com 250
inscrições e esse número só aumentou. Pelo
lado do público, ele vêm se firmando. A mostra
musical não é tão provocadora para o público,
não há aquele envolvimento, torcida, faixas e
protesto. Mas, temos expectativa que o Festival
de Todos os Cantos que será o grande festival de
competição de Maringá.
Texto,
entrevista e fotos: Andhye Iore, maio de 2001
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