FESTIVAL
Femucic
é música sem fronteiras
Edição
deste ano caracteriza o festival como um dos mais
importantes eventos de MPB do país
Texto
e fotos: Andye Iore
| Marcado
pela popularização da música, o 24º
Femucic Festival de Música Cidade
Canção - terminou na animada noite de
ontem (24) e foi uma festa de
regionalidade. Foram 55 artistas de 11
estados brasileiros se apresentando em
quatro dias de música da melhor
qualidade na Cidade Canção. O festival superou
as expectativas, que já eram boas devido
aos vários pedidos de prorrogação do
prazo das inscrições. A satisfação
por parte dos artistas participantes era
explícita nos sorrisos dos músicos.
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No detalhe: Nani, Kleber e
Geny enriquecendo o festival; Em
destaque: Vieira, se surpreendendo com a
qualidade dos músicos
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VITRINE
Abordados pela
imprensa, todos teciam elogios rasgados à
organização. A felicidade exagerada explica-se
pela oportunidade e repercussão que muitos
destes músicos tem em Maringá e que jamais
teriam em suas cidades.
O caráter de
vitrine do Femucic está diretamente relacionado
à realidade do mercado de trabalho para os
músicos independentes. Categoria que Antônio
Vieira, diretor do SESC Serviço Social do
Comércio do Paraná de Maringá e um dos
organizadores do evento, faz questão de receber.
"O festival é formador de platéia para boa
música que não está presente nos meios de
comunicação.", aponta convicto.
Enquanto programas
de televisão evocam novos talentos, mas
trabalham em cima de conceitos massificados, o
Femucic tem como matéria-prima a música que
mantém viva a cultura de uma região e artistas
que se apresentam por conta própria, colocando
seus discos embaixo do braço e saindo pelo país
divulgando suas composições.
PERSONAGENS
Para a paulistana
Nani Menezes, 43 anos, o Femucic foi o grande
incentivo para uma maior dedicação à carreira
de intérprete em Aracaju, onde mora atualmente.
"O festival é uma iniciativa muito boa e
dá incentivo aos artistas.", justifica o
fato de pensar mais na carreira musical que na de
psicóloga daqui pra frente. Cantando em
barzinhos há três anos, Nani se apresentou em
Maringá com a bossa-nova "Desejo", de
sua autoria.
Outro que veio da
capital sergipana foi Kléber Melo. Este, com
mais bagagem e até um certo sucesso. O músico e
compositor de 31 anos, já tem dois discos
lançados e credita a carreira ao Femucic.
"Aqui, há um contato e intercâmbio com
outros compositores e uma troca de energia muito
positiva.", aponta com um sorriso e palavras
serenas.
Kléber se
apresentou no 22º Femucic, em 2000, onde mostrou
um rico trabalho regionalista influenciado por
Ednardo, Zé Ramalho e Almir Sater. Neste ano, o
artista voltou a Maringá com a música
"Cantochão", de sua autoria.
INESQUECÍVEL
Tal apreço
musical é destacado por Vieira. "O que
está nos surpreendendo este ano é a qualidade
das músicas.", afirma e reforça
descrevendo um momento inesquecível. A canção
"Homenagem aos Tupiniquins", de Nerino
Pacheco, foi interpretada pela maringaense
Márcia Mara com acompanhamento do grupo
sergipano Bago de Jaca e ficará na memória do
festival. "A integração musical é
importante.", sentencia o organizador.
Porém, nem só de
Sergipe vem os participantes regionalistas do
Femucic. Os estados de Rondônia, Alagoas, Ceará
e Piauí também disseram presente em Maringá.
Natural de Parnaíba, a 350 km da capital
piauiense Teresina, o baterista Genivaldo
Carvalho de Souza, 41 anos, é uma
"figurinha carimbada" no evento.
O artista que,
nesta edição apenas cantou a música
"Chora Viola", veio pela quarta vez
consecutiva a Maringá. "Participar do
Femucic é a maior gratificação do mundo como
artista!", declara com empolgação.
Geny, como é
conhecido artisticamente, revela que todas as
vezes que vai embora de Maringá, vai pensando na
viagem num novo trabalho para vencer o festival
em sua cidade e que dá direito de vir para o
Femucic no ano seguinte.
ALMA
Mesmo com um
desgaste físico e mental grande, originado por
um evento do porte do Femucic, Vieira trabalha
com disposição. "É um astral muito
positivo! O músico é uma pessoa mais afetuosa e
sensível que tem.", conceitua.
Mesmo que não dê
para premiar a todos ou fazer com que a carreira
de cada participante do festival mergulhe num
sucesso de vendas de cds e shows por todo o
país, a realização do Femucic é um bem que
toca fundo na alma. E, que prazer ter este
festival no quintal da casa do maringaense...
Maio/2002.
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