FEMUCIC
Indo
aonde o povo está
Em sua 24º
edição, FEMUCIC se torna mais popular e traz
músicos de todo o Brasil
| O 24º
FEMUCIC Festival de Música Cidade
Canção que acontece entre os
dias 22 a 25 de maio, teve suas
inscrições prorrogadas devido ao pedido
de artistas interessados em participar do
festival. Como em algumas regiões a
notícia corre de boca em boca, já que
não há divulgação cultural, muitos
músicos ficam sabendo em cima da hora e
não conseguem enviar material a tempo de
participar da seleção. |

Vieira: evento longe da
massificação
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O prazo inicial
era até essa semana, mas como diversos músicos
entraram em contato com a organização no SESC
de Maringá solicitando mais alguns dias, ficou
estabelecido como 1º de abril o prazo máximo
para envio das músicas.
Deixando de lado a
mania do brasileiro em deixar tudo para a última
hora, os organizadores estão na expectativa de
mais um evento de sucesso. Como ficou
caracterizado nas últimas edições, o FEMUCIC
se tornou um festival voltado para a música
popular brasileira, priorizando os pequenos
músicos, os independentes e a música de raiz.
BODAS DE PRATA
Neste ano, a festa
musical não apresenta muitas novidades, passando
por alguns ajustes. A boa repercussão do ano
anterior, quando alguns músicos foram levados
para tocar em praça pública, fez com que fosse
acrescida mais uma data para apresentação fora
do festival.
Serão duas noites
de shows em praças da cidade visando apresentar
os músicos a quem não se desloca até o Teatro
Calil Haddad, onde o festival é realizado. É
uma forma de prestigiar não só o público como
o artista, já que muitos deles tem um trabalho
alternativo que não pode ser apresentado no
festival.
As novidades ficam
para o ano que vem. Para as Bodas de Prata do
FEMUCIC, está cogitado reviver uma prática
comum quando o festival era competitivo. A
organização estuda trazer um artista consagrado
no mercado fonográfico brasileiro para uma
grande festa. "Mas, é um artista enraizado
na música popular brasileira.", frisa
Antônio Vieira, diretor do SESC e um dos
organizadores do FEMUCIC.
Outras atrações
serão a apresentação de músicos que passaram
pelo festival e tiveram algum êxito na carreira,
além de exposições, mostra de cartazes,
discografia e outras atividades para resgatar a
história.
REVELAÇÃO
A expectativa de
inscrições para este ano é de 600 músicas
aproximadamente. Ano passado, 707 canções
participaram do processo seletivo, o que foi
considerado um exagero. Até agora, a comissão
julgadora já recebeu músicas de Rondônia, Acre
e Pará, entre outros estados distantes que
abrigam talentos que surpreendem o público.
Foi o caso da
banda pernambucana Cordel do Fogo Encantado, que
se apresentou com outro nome três anos atrás no
festival e, em seguida, foi apontada pela
crítica musical como uma das maiores
revelações do país.
Dois fatos atraem
tantos músicos distantes. Um é a ajuda de
custo. Apesar de não haver premiação, o
FEMUCIC oferece R$ 250,00 para artistas do
Paraná e R$ 350,00 para músicos de outros
estados. O outro é a possibilidade de participar
de um cd com os destaques de cada edição.
Além, é claro, de uma estrutura inquestionável
de equipamento de som, palco e iluminação.
MILTON
Completando 22
anos no comando do festival, Vieira tem uma
preocupação em popularizar o evento para que
ele aproxime a comunidade e ofereça um produto
de qualidade. Assim, vale contextualizar a bela
"Nos Bailes da Vida", escrita e cantada
por Milton Nascimento no álbum "Caçador de
Mim" (1989), que diz "...todo artista
deve ir aonde o povo está ... e não me canso de
viver nem de cantar."
Essa relação
entre vida e arte é bem clara no FEMUCIC.
"O festival é formador de platéia para boa
música que não está presente nos meios de
comunicação.", teoriza Vieira sobre o
direcionamento que procura dar, coincidindo com a
atual política cultural da prefeitura, uma das
promotoras do festival.
Porém, em várias
edições essa proximidade não aconteceu. Para
pessoas acostumadas a viver sob a influência de
músicas impostas pelas rádios, fica difícil
assistir a um show de um violeiro originário do
nordeste. "Entre o pagode com as moças
dançando e o rapaz lá de Ribeira, no Piauí, o
público prefere o pagode.", lamenta Vieira,
que questiona quem ocupa os espaços e onde
estão os milhares de novos artistas brasileiros.
"Vamos prestigiar o que é nosso porque isso
tem o seu valor!", divaga, ainda, sobre a
invasão de música estrangeira na cultura
brasileira.
SENSIBILIDADE
Esse problema
também acontece na divulgação. Apesar de o
outro promotor ser a RPC Rede Paranaense
de Comunicação o festival carece de um
apoio maior por parte da mídia, já que não é
um evento comercial e os shows são gratuitos.
"Todo dia tem produção cultural na cidade
e falta sensibilidade por parte de quem trabalha
na imprensa.", afirma desapontado o diretor
do SESC que também oferece o espaço de sua
instituição para os artistas da cidade.
Mesmo com a mídia
local ainda não dando a cobertura que cabe a um
festival tradicional que atrai músicos de todo o
país para Maringá, o FEMUCIC resiste às modas
massificadas e passageiras trabalhando na
formação de músicos ou, simplesmente,
oferecendo um palco para aquele que coloca seu
disco embaixo do braço e sai pelo Brasil em
busca de um lugar ao sol.
O mais importante
o festival tem: um organizador preocupado com a
formação cultural da comunidade. E isto é
essencial em qualquer instituição, pois são os
donos das rádios, jornais, emissoras de
televisão, casas de shows e tantos outros
veículos que tem responsabilidade direta sobre o
nível intelectual da população.
Antônio
Vieira é um entusiasta cultural. Ao falar sobre
a cultura em Maringá, se emociona, tem devaneios
e é esperançoso de que um dia a arte local
possa ser referência em todo o país. O FEMUCIC,
um baile da vida que acontece uma vez por ano,
já é.
Texto
e foto: Andhye Iore, março de 2002
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ENTREVISTA
HISTÓRIA
SERVIÇO
24º
FEMUCIC
Data: 22 a 25 de maio de 2002
Inscrições até 1 de abril de 2002
Envio de cd ou demotape: SESC -Av. Lauro Werneck
, 531 - Maringá - PR - 87020-020
Informações: (44) 262-3232
CONTATO
SESC
Av. Lauro Werneck , 531 - Maringá - PR
- 87020-020
Informações:
(44) 262-3232
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