8º GOIÂNIA NOISE FESTIVAL

Goiânia rock city
Produção, rivalidade e muito rock’n’roll

Andye Iore, nov/2002

Curiosamente, a responsável pela maioria dos shows e discos lançados em Goiânia atua num esquema amador. A Monstro Discos não têm uma sede e seus quatro membros – Fabrício Nobre, Léo Bigode, Márcio Jr. e Leo Razuk - dividem as tarefas com cada um fazendo um pouco de tudo. O que não impediu a equipe de lançar 35 títulos até agora e organizar os shows mais comentados nos bastidores do underground.

Mesmo sem ter um lucro que pudesse caracterizar a gravadora e produtora como um exemplo a ser seguido, as atividades da Monstro são um sucesso inquestionável. "Apesar dos prejuízos, a gente sempre acredita que possa ser viável", avalia Márcio Jr., um dos sócios e vocalista da banda Mechanics.

Prejuízo é algo que está totalmente vinculado ao rock’n’roll independente. As "roubadas" acontecem tanto para os produtores de eventos, como para as bandas. Quem pára para analisar o "caso Goiânia" imagina que o dinheiro brota fácil no caixa dos gioianos. Mas, não é isso que acontece. "Quando um show dá certo, aí capitaliza", justifica Márcio Jr. ao explicar que um evento ou o lançamento de um disco cobre o furo de outro que não tenho sido bom.

RIXAS

Como se o risco de produzir para um público limitado já não fosse suficiente, começam a pintar nos bastidores as primeiras rixas. Por incrível que pareça, mesmo com 15 bandas locais tocando no 8º Goiânia Noise Festival, tinha gente da cidade reclamando. O número de bandas cresce conforme rolam os shows na cidade e também aparecem novos selos e organizadores de eventos.

Um desses novos agentes culturais é Segundo, que comanda o selo Two Beers or Not Two Beers há um ano e meio. O catálogo do selo – que é voltado mais para o hard core e metal - já conta com 15 títulos. "É mais difícil porque não tenho grana para prensar cd", explica o motivo dos lançamentos serem cdr ou demo tape.

E assim, de show em show e de disco em disco, a Monstro Discos têm grande responsabilidade pelo fato de mais de 50% da produção fonográfica no país hoje ser de discos independentes. Pelo jeito, essa produção vai fomentar ainda mais.

A notícia de uma cooperativa batizada de Cartel reunindo os selos Midsummer Madness, Monstro Discos e Bizarre já atiça os roqueiros brasileiros. A união visa colocar conseguir um esquema de distribuição para colocar o catálogo independente em grandes lojas. É só cruzar os dedos e torcer muito.

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