8º GOIÂNIA NOISE FESTIVAL
SHOWS

Sábado, 23 de novembro
O segundo dia da maratona roqueira começou com chuva e foi envolvido pela ansiedade de ver o Los Hermanos, um dos melhores shows da atualidade no Brasil. A noite começou com os locais Namoska e seu ska core, o punk "ramônico" do Chef Wong’s e o rock’n’roll dos Trissônicos. Os mineiros do Surfmotherfuckers, como o nome diz, mandaram bem sua surf music instrumental. Os brasilienses do Beto Só e Os Solitários Incríveis não empolgaram muito.

O que não aconteceu com os curitibanos do Ovos Presley. O psychobilly insandecido da banda paranaense colocou fogo no palco do Goiânia Noise e levou ao extremo a diversão psycho com o animado vocalista Ademir deitando no palco e gritando palavrões. Mesmo com suas próprias músicas levando a galera ao pogo, o Ovos Presley mandou "Too Drunk to Fuck", do Dead Kennedys, que abalou o teatro e transformou o palco numa festa com várias pessoas pogando em meio aos músicos. Para fechar um dos melhores shows do festival, a banda tocou a machista "Mulher" e saiu do palco ovacionada. Meio deslocados, o The Not Yet Famous Blues Band garantiu seu lugar no line up por ser uma das bandas mais antigas da cidade e garantir bom público com seu blues competente.

Resgatando o clima deixado pelo Ovos Presley, os Mechanics mostraram porque são considerados os astros do rock goiano. A banda preenche todos os requisitos de rock vagabundo que na ponta da fila têm os americanos do Supersuckers. O quarteto conseguiu uma ótima fórmula de energia, glam, quadrinhos e cultura trash para, em cima do palco, fazer um verdadeiro espetáculo visual. Foi só começar "Sex Misery Machine" que o público respondeu no mesmo nível. A já conhecida cover "20th Century Boy", do T. Rex, ganhou uma companheira com "Scary Monsters", de David Bowie, quando o vocalista Márcio Jr se incrementa com um oboá de plumas laranjadas. Mais glam, impossível! O show man, sem modéstia alguma anunciou o maior hit do rock alternativo de Goiânia e o lugar quase veio abaixo com "Formigas Comem Porra". A propósito, as três últimas músicas citadas formam o single que o Mechanics lançou no festival.

Reforçando o visual comportado, os curitibanos do Tarja Preta também reforçaram o conceito mod da capital paranaense. Terninhos, sapato preto e branco e pulos a Pete Towshend atraíram olhares curiosos do público. Um outro show muito aguardado foi dos sergipanos da Snooze, que não decepcionaram. Divulgando o recém lançado disco "Let My Head Blow Up", após um ano batalhando gravadora, o quarteto fez um show para curtir, embora tivesse momentos que empolgaram com um noise viajante – como "I Feel You" – e o bom trabalho de três vocais com referências dos Beatles. Na segunda música, a cover para "Burn" da finada Oz, Márcio Jr (do Mechanics) pulou no palco para cantar junto. O vocalista Fabinho foi responsável por outro momento curioso ao perguntar se as pessoas do Goiânia Noise gostavam de noise. Mal o público se manifestou e a banda mandou mais barulho.

Os catarinenses do Ambervisions chamaram a atenção pelo visual e estilo despojado com camisas iguais, maracas, caveiras enfeitando o palco e um som misturando hard core com surf music. A hora dos astros chegou e, quando as portas foram abertas para o show do Los Hermanos, várias pessoas caíram em meio à correria. Mas, nada de grave aconteceu. O teatro ficou lotado com o público espremido para assistir o que os mais descolados já sabiam: um grande show. Oito músicos no palco, metais, tamborim, ska, MPB, marcha de carnaval e empatia.

Andye Iore, 2002.

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