8º GOIÂNIA NOISE FESTIVAL
SHOWS
Sexta,
22 de novembro
Às 20h em ponto da sexta (22), a banda local
Playground subiu ao palco para começar o
festival com seu trash metal. Em seguida, o clima
ficou pesado, mas só no som. O Ressonância
Mórfica (de Goiânia) atacou com um grind
core que fez a alegria dos cabeludos. A terceira
banda também foi da casa e surpreendeu. O Fantasma
de Agnes apresentou um pós punk com toques
góticos e mostrou que têm um ótimo público em
Goiânia, sendo a primeira banda a lotar o
teatro.
A primeira banda
de "fora" foi a baiana Brinde,
revelando que as melodias pop do brincando de
deus já deram cria em Salvador. Com o show dos
brasilienses Sapatos Bicolores, o festival
ganhou clima de festa. A banda capricha no visual
com uma sonoridade misturando rockabilly e jovem
guarda. Outra banda que apresentou uma mistura
interessante foi a carioca Influenza, com
surf music, country, swing, MPB, baixo acústico
e camisas coloridas. Os goianos do Nem
tocaram prestigiados por terem gravado
recentemente um disco produzido pelo mutante Sérgio
Dias.
Por volta da meia
noite e meia, o Goiânia Noise Festival ganhou um
intenso clima intimista quando a banda local Violins
and Old Books subiu ao palco. Lembrando a
comoção nos shows da saudosa Low
Dream, o Violins emocionou muita gente
com um ethereal recheado de distorção. A banda
abriu o show com três guitarristas e um teclado
hipnótico. Quando tocou "Fireworks", a
platéia cantou junto e aplaudiu forte. Apesar do
set curto com apenas cinco canções, os fãs
foram presenteados com a nova "23
Carnavais" que tem letra lamentosa.
Em seguida, o
único imprevisto de todo o festival. Um problema
no cabo da mesa de som fez com que os shows
acontecessem somente em um teatro. Quebrando o
clima de êxtase contido provocado pelo Violins,
os baianos do Nancyta e Os Grazzers
apresentaram seu rap metal com letras alternadas
em português e inglês gritadas por Nancy,
figurinha carimbada do undergound baiano.
O relógio marcava
2h30 da madrugada, quando a atração principal
da noite surpreendeu e antecipou seu show. O Violeta
de Outono passou à frente do Crazy Legs e do
Detetives para fazer a melhor apresentação da
noite. A grande expectativa que muitos tinham em
presenciar mais de 15 anos de viagens
psicodélicas foi satisfeita com o primeiro
acorde de "Outono". Em seguida, Fábio,
Ângelo e o novo baterista Gregor mandaram outro
clássico. "Dia Eterno" foi a
responsável pela cena mais inusitada do Goiânia
Noise: dois punks se matando de pogar!
A banda tocou nove
músicas entre clássicos, novidades e a cover
para "Tomorrow Never Knows", dos
Beatles. Ao fim do show, mesmo ficando claro que
a banda não tocaria mais, várias pessoas
gritavam que queriam mais e que só estavam ali
para ver o Violeta de Outono. Isso porque eles
não sabiam que o bis deixado de lado estava
programado com as covers "Astronomy
Domine", do Pink Floyd e "Voodoo
Child", de Jimi Hendrix. Sem contar que, na
passagem de som, rolou "Do it Clean",
do Echo
& The Bunnymen. O ingresso já estava
pago!
Mas, tinha mais. O
trio paulistano Crazy
Legs
é uma legítima banda de rockabilly. Baterista que toca em pé
com um kit mínimo, baixo acústico e um
talentoso guitarrista todo arrumadinho. A banda
mais prejudicada do festival foi, sem dúvida, o Detetives.
Os paulistas ficaram por último e poucos tiveram
pique para conferir o competente rock com
referências de surf, pop e psicodelismo. Se
continuar na ativa, esta banda ainda vai dar
muito o que falar pela personalidade apresentada.
Basta ouvir "Shine" para comprovar.
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