JASON
Banda carioca mostra que underground dá certo


Jason: metal core moderno e experimental

Apesar de todas as dificuldades do underground brasileiro, as bandas independentes seguem lançando cds e buscam um reconhecimento num espaço que cresce muito pouco em comparação ao número de bandas que nascem.

Um dos maiores problemas desta falta de respeito que o rock independente brasileiro é vítima, está justamente no amadorismo das próprias bandas. Discos gravados de qualquer jeito como - se a "essência" punk se aplicasse a tudo ainda hoje - a falta de planejamento de divulgação, entre outras carências.

Na verdade, a maioria dos cds lançados servem apenas como a realização de um sonho dos músicos. Ou seja, uma massagem no ego.

Mas, uma banda carioca parece estar acima disso. Evolução e amadurecimento são os termos que são melhores aplicados ao Jason. Paradoxalmente, a banda lançou três bons discos e até fez turnê na Europa, mas não consegue estabilizar a formação.

Atualmente à procura de baterista e vocalista, o Jason passa um período de colecionar elogios pelo álbum "Eu Tu Denis", terceira e última parte de uma trilogia criada pelo baixista FF onde o "eu" é o grande mote de inspiração.

R E S T R I T O

Sonoramente, a banda atingiu um nível pouco visto anteriormente no cenário roqueiro brasileiro. Misturando peso, melodia e criatividade, o Jason se mostra muito à frente do que é concebido pela mídia roqueira no país.

E por que o Jason ainda está fadado – com muito orgulho, é bom dizer - ao restrito circuito underground? Este é só um dos muitos mistérios que sustenta o meio independente brasileiro.

Desde o começo da carreira, em 1997, o Jason se diferenciou da maioria das bandas. Ao invés de tocar em lugares sem estrutura e fazer shows ruins, os músicos preferiram ensaiar bem, juntar dinheiro e lançar uma demo no final de 1997. "Eu Não Amo Ninguém" tinha sete músicas que foram regravadas logo depois e lançadas no primeiro álbum, "Odeia Eu" (1998) com 18 músicas.

Para divulgar o disco, a banda saiu em turnê pelo nordeste, região que acabou sendo a grande força estimuladora por criar um culto de admiração em torno do nome Jason. No ano seguinte, o grupo voltou ao nordeste para uma nova turnê com dez shows. Ainda no final de 1999, outra turnê, dessa vez pelo sul do Brasil com 12 shows.

O segundo álbum saiu em 2000. "Eu Sou Quase Fã de Mim Mesmo" tinha 19 músicas e mantinha o pique pesado e rápido. A partir daí, o Jason começou sua variação conceitual. A banda produziu seu primeiro video clip. Na metade do ano, o grupo voltou ao nordeste para mais dez shows.

I N T E R N A C I O N A L

O ano de 2001 foi o de maior gratificação até agora para o grupo. Depois de planejar por cerca de um ano, o guitarrista Panço agendou uma turnê pela Europa. Foram 62 shows em 13 países diferentes somente em 80 dias. O Jason chegou a tocar nos famosos "squats", no meio da rua e, também, em alguns lugares mais propícios para shows. Além, é claro de ter feito bons contatos que possibilitaram divulgação e participação em coletâneas. A banda até ganhou dinheiro em alguns dos shows.

No meio da viagem, o grupo ainda tinha tempo para compor. As novas músicas traziam uma nova concepção. A banda evoluiu musicalmente e passeava por vários gêneros. Sem deixar o peso e a rapidez para trás, o Jason lançou "Eu Tu Denis" em 2002.

Além da produção bem feita dos discos, o Jason também compõe como poucas bandas. Os cariocas já participaram de mais de 30 coletâneas, a maioria delas em outros países.

Um dos principais motivos do destaque em cima do Jason está no guitarrista Leonardo "Panço". Figura carimbada do undeground carioca, Panço agita na cena roqueira desde 1988 e passou de fanzineiro a dono de gravadora independente e escritor de livro. Os discos do Jason foram lançados pelo selo Tamborete Entertainment, onde Panço é o faz-tudo.

Já passaram pelo Jason, Rafael Ramos (bateria), Fábio Brasil (bateria), Vital (vocal), Heron (vocal) e Pedro (bateria). Atualmente a banda conta com Flávio Flock (baixo) e Panço (guitarra). Entre as tantas "viagens" que circulam o Jason, vale destacar o formato em que o nome da banda aparece nas capas dos discos. No primeiro, copiava o logo da banda Hanson; o segundo ia no do Oasis; no terceiro, a inspiração foi o Korn.

Andhye Iore, 2002

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