LAMBCHOP
Mistura de gêneros, que vão do country ao jazz, atrai quem tem gosto mais refinado


Banda esquisita chega ao Brasil pela primeira vez com dois discos ao mesmo tempo

O Lambchop é uma banda incomum. Com uma formação variável que gira em torno de 14 músicos, o grupo foi formado em Nashville - o berço da country music - em 1993.

Longe de estar inserido no mesmo balaio que os grupos de chapéu, camisa xadrez e botas de vaqueiro, o Lambchop misturou à raiz do country elementos do jazz, soul, rock e até de música brasileira.

Tudo isso para ser conceituado como alternative country rock pela imprensa musical.

A origem foi uma banda formada pelo multi-instrumentista Kurt Wagner em 1986. O Posterchild gravava demo tapes em um quarto. Ao mesmo tempo que a banda aumentava a agenda de shows, também crescia o número de componentes.

Até que em 1992, um advogado orientou a banda a trocar de nome porque havia outro grupo chamado Poster Children e eles corriam o risco de serem processados. Depois de alguns nomes esquisitos, a banda foi batizada de Lambchop e assinou com a Merge Records em 1993.

De lá para cá foram cinco discos. Do começo indie lo-fi, que remete à muita coisa da onda Pavemet e Superchunk, até hoje em dia com a sofisticação sonora, o Lambchop é uma banda para poucos.

Os brasileiros tem a oportunidade de conhecer estas duas fases da banda ao mesmo tempo. A Trama lançou o último álbum de estúdio, "Is a Woman", e a coletânea "Tools in the Dryer".

Com 11 canções e sem referências à banda na capa, "Is a Woman" é um belo disco, com arranjos refinados que vão na linha Nick Cave & The Bad Seeds: músicas instropectivas, melancólicas e repletas de beleza sonora e poética.

Tais referências são bem claras em "The New Cobweb Summer". O ponto pop do álbum fica por conta de "D. Scott Parsley". Mas, um dos momentos mais curiosos é a faixa-título. A música "Is a Woman" tem uma levada reggae romântico com o charme de uma balada de Leonard Cohen.

Já "Tools in the Dryer", lançado originalmente no ano passado, é mais uma curiosidade para fãs. O disco tem músicas raras da época anterior ao Lambchop, lados B, remixes e, é claro, alguns destaques da discografia.

O disco abre com um ar de indie rock americano. "Nine" tem guitarra suja e é dançável. "All Over the World" é um folk totalmente lo-fi, gravada da maneira mais simples possível. Em "Flowers of Memory", percebe-se como o talento de uma banda pode perder oportunidades por brincadeiras. A música tem uma aura cativante, mas não foi aproveitada além de shows em bares na época do Posterchild. Para completar o clima de excentricidade do disco, há "Give Me Your Love" numa versão dance.

Andhye Iore

 

SERVIÇO

"Tools in the Dryer" (2001)
Banda: Lambchop
Conteúdo: 16 músicas
Duração: 67m43
Gravadora: Merge/Trama
Preço em média: R$ 25,00

"Is a Woman" (2002)
Banda: Lambchop
Conteúdo: 11 músicas
Duração: 61m30
Gravadora: Merge/Trama
Preço em média: R$ 25,00