LOW DREAM
Entrevista feita com Giulliano Fernandez em maio
de 1994,
quando a banda havia acabado de assinar contrato
para
lançar "Between My Dreams and The Real
Things"
Andhye Iore - "Dreamland"
é a única demo tape de vocês?
É a primeira e
nós estávamos começando a gravação da
segunda quando pintou a proposta de gravação do
disco. A idéia era gravar uma segunda com
"Precious Love", que acabou virando
bônus da primeira, e mais três músicas
acústicas. Mas, vamos gravar o disco direto, sem
lançar outra demo.
Como vocês vêem a
movimentação que está rolando
no meio underground com mais espaço e várias
bandas legais?
Essa explosão de
bandas cantando em inglês eu acho do caralho! Eu
nunca gostei de rock cantado em português. Há
muito preconceito contra quem canta em inglês no
Brasil. As pessoas não vão ouvir uma banda
brasileira que cante em inglês como uma banda
americana ou inglesa. Mas, está tendo uma boa
aceitação no meio underground e nós achamos
muito legal Ter mudado isso.
Como anda a movimentação das
bandas de Brasília?
Citem algumas que vocês achem legais:
Tem Raimundos que
é forró-core, Suculent Fly que é um lance meio
Stooges com Sonic Youth, tem a Oz que é na linha
do Pixies... o resto é porcaria!
E esse lance de modismo, das
pessoas não
conhecerem o som da banda e falar que é grunge?
É, perguntam se
nós somos grunges o tempo todo (!). Nós não
ligamos muito para a questão de moda, porque o
que nós fazemos nunca vai ser moda. Se fosse
moda, explodiria num momento e acabaria logo em
seguida. A nossa banda é um projeto a longo
prazo, pretendemos evoluir nosso som cada vez
mais e não se prender a uma coisa. Nós somos
uma guitar band e queremos evoluir como guitar
band experimentando novas coisas, samplers, ir em
direção ao futuro e não ficar parado. A
vanguarda nunca será moda e a moda nunca será
vanguarda.
A princípio vê-se
"Dreamland", Low Dream, é uma trilha
para sonhos,
com uns lances etéreos... Quais são as
influências no trabalho de vocês?
Nossas
influências vão de Cocteau Twins, My Bloody
Valentine que é unanimidade da banda, Velvet
Underground que é a banda que começamos a ouvir
na raiz. Depois o som começou a ser forjado nos
anos 80 com Smiths, House of Love, Jesus até
chegar nos anos 90 com Chapterhouse e Ride. A Low
Dream canta sobre coisas reais e a influência
para fazer as letras vem de poetas como Byron e
Shakespeare.
Qual a previsão de lançamento
do disco?
Cara, nós estamos
esperando que seja lançado em agosto desse ano.
Já foi feito o clip de "Precious Love"
que está rolando por aí.
Falando de clip, como foi o lance
do clip de "Treasure"que
foi a causa da badalação em cima de vocês...
como foi que rolou e,
para quem não teve a oportunidade de vê-lo,
como é o clip?
O clip é o
seguinte: o cara tinha acabado de se formar em
cinema e falou que tinha feito alguns clips para
algumas bandas de Brasília e nada tinha agradado
a ele. Ele falou que o som da nossa banda era
legal e queria fazer um clip. Nós marcamos uma
reunião onde unimos nossas idéias e criamos um
roteiro. Nós escolhemos a música, a
universidade fez uma barganha com o estúdio e
nós gravamos a música em nove horas.
"Treasure" tem dois minutos e dezenove
segundos e traz uns lances de beleza e
violência. Nós demos a dat com a música pro
cara, passou quase um ano e nós achávamos que
não ia rolar mais quando encontramos o cara na
rua e ele falou que já estava tudo certo. Aí
nós começamos a gravar o clip. Foram gravados
uns takes em p/b da banda passando com os
instrumentos e o clip é todo em slow motion com
muito lance de fusão de imagem misturando p/b e
colorido. Nós escolhemos umas coisas que
simbolizassem pureza como água e flores e
escolhemos uma garota bonita para que as pessoas
vissem o clip na MTV e tivessem a impressão de
ser um sonho (risos). O vocal dessa música é
bem cândido e é meio irônico porque a letra
fala de perversão e sadomasoquismo. No final,
quando tá quase chapando, vem uma descarga de
porrada no som.
Quem produziu a demo foi o
Geraldo que era do
Escola de Escândalos. Ele produziu o disco
também?
Nós e ele
também. Foi legal trabalhar com ele, pois nós
aprendemos uns com os outros. Ele dá uma
liberdade pra gente e não acredita nas coisas
que nós fazemos no estúdio. Fica o tempo todo
falando que somos malucos, que é loucura o que
fazemos. É bem legal!
Andhye
Iore
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