LOW DREAM

Entrevista feita com Giulliano Fernandez em agosto de 1996,
época de divulgação do segundo álbum "Reaching For Balloons"

Andhye Iore - Depois de uma frustrante passagem por uma
gravadora, como está sendo esta experiência de independência total?

Giulliano Fernandez - Nosso cd acabou de sair e nós já estamos tendo muito trabalho. Acreditamos que essa nova experiência esteja sendo maravilhosa. Acreditamos agora que as bandas brasileiras que lançam seus álbuns e fazem sua própria divulgação são mais alternativos que qualquer banda americana ou britânica, pois aqui tudo é mais difícil. Mesmo assim, nós acreditamos no nosso potencial e vamos em frente.

O primeiro disco tinha influências de bandas cult dos anos 80.
O disco novo continua com um pé nos anos 80, só que dessa vez mais pop.
Como foi feita essa mudança no som da banda?

Na verdade, a mudança ocorreu na concepção do trabalho e na ideologia dos integrantes. Quando lançamos o primeiro cd, a idéia era construir um disco difícil de ser comercializado para as grandes massas. Mas, agora, a banda sabe que não corre esse risco, então resolvemos mostrar todo o potencial melódico para criar grandes canções pop. Acreditamos que agora o som esteja mais direto, criando um híbrido de referências quase inperceptíveis.

A Low Dream dá uma grande importância a seus fãs. Estes fãs são
uma segurança para a banda lançar um disco totalmente independente?

Temos muito orgulho de nossos fãs. São pessoas realmente muito diferentes da massa existente, que podemos chamar de Geração X. Claro que eles tem uma participação fundamental nessa aventura que é lançar um cd independente. Temos um sistema de mala-direta muito eficaz que atende todo o público que gosta da banda. Isso nos deu uma segurança. Nós produzimos tudo e sabemos que através do nosso próprio sistema podemos divulgar e vender nossos produtos. Isso é o que chamamos de independência. "Isso é ser punk!"

Quais as bandas que vocês andam ouvindo ultimamente?

Smashing Pumpkins, Garbage, Oasis, Rollerskate Skinny, Beck, Stereolab, Cardigans, Swerverdriver, Blur, Super Furry Animals, Pavement, Flaming Lips, entre outros.

Como vai ser a divulgação do disco no exterior?

Bem, o disco saiu agora e nós vamos mandar as primeiras cópias para os EUA e Europa nas próximas semanas. Já estamos bem otimistas com os resultados, mas é bom esperar para ver no que vai dar.

Como a Low Dream vê esta política das gravadoras
brasileiras de só gravarem bandas que cantem em português?

Isso é um assunto complicado. Acreditamos que esse fenômeno vai gerar uma estagnação do mercado. As bandas que cantam em inglês estão aprendendo a sobreviver sem as gravadoras e assim não há dependência. Não estamos preocupados com isso, pois sabemos que pertencemos à outra realidade. Que se danem as gravadoras!

Após algumas experiências com outros guitarristas que não
deram certo, parece que o Eduardo se encaixou bem na banda...

O Eduardo era só um amigo que vinha passar as férias no Brasil e, no ano passado, ele voltou para cá de vez e ficou trabalhando como roadie em alguns shows. Em setembro de 95, ele pediu para fazer um teste de guitarra que foi complicado. Mas seu desempenho foi excelente e ele ficou conosco.

Vocês se sentem desapontados em lançar um disco tão bom sem
terem gravadora e verem as gravadoras lançando tanta porcaria?

Isso não nos deixa frustrados... Isso só prova que há muita mediocridade dentro das gravadoras. Nosso talento é indiscutível e absoluto. As gravadoras é que deveriam estar frustradas. Somos poucos, mas somos bons no que fazemos. Estamos orgulhosos.

Andhye Iore

BIOGRAFIA

ENTREVISTAS
Entrevista de 1994, lançamento de "Between My Dreams and the Real Things
Entrevista de 1996, lançamento de
"Reaching For Balloons"

FOTOS

DISCOGRAFIA

LETRAS
Between My Dreams
and the Real Things
"Reaching For Balloons"