LOW DREAM

Como conheci a Low Dream

Foi curioso como conheci a Low Dream. Em 1993, depois de ler um texto sobre a banda num fanzine, fiquei extremamente curioso porque o texto citava referências como My Bloody Valentine e Spacemen 3 – coisas que ouvia com freqüência. Tentei, sem sucesso, comprar uma demo tape da banda. Meses depois, fiquei sabendo que eles tocariam em Londrina. Fui ao show, que superou minhas expectativas. E, graças ao conceito da banda em respeitar aos fãs ao máximo, surgiu uma grande amizade.

E isto criou uma situação inusitada na minha vida. Me tronei roadie sem saber afinar instrumentos (apesar de já ter tocado numa banda punk que nunca fez show). E, isto aconteceu quando morei em Brasília em 1988. Destino?!?

Quando eles agendavam um show fora de Brasília, me telefonavam e lá ia eu entrar numas "roubadas" animadas. Era incrível como, apesar de dificilmente receber cachê, não ganharem alimentação dos organizadores do show e tocar em equipamento tosco, a banda sempre voltava outras vezes.

Às vezes, passávamos o dia inteiro andando por São Paulo carregando instrumentos para cima e para baixo, fazíamos um lanche, rolava o show e, depois, íamos para a rodoviária pegar ônibus para voltarmos para nossas casas. É, a vida de pop star alternativo é dura! Mas é divertido! (risos)

Teve um show no Columbia, em São Paulo, que passei todo o show segurando o pedestal do prato da bateria do Giovanni que quebrou logo no início da apresentação. Era roadie pra carregar instrumentos, montar e desmontar pedais de guitarra e alguns quebra-galhos. Mas, o mais legal era assistir ao show do palco e conferir como as pessoas idolatravam a Low Dream.

O que sempre achei bacana na banda, era como eles se mantinham acessíveis às pessoas. Ao contrário do que é muito comum neste meio, onde as bandas restringem o contato com o público, criando um falso estrelismo, os rapazes de Brasília eram simples, humildes e totalmente honestos.

De todas as bandas que conheci pessoalmente, a Low Dream foi a que teve maior identificação devido ao feedback da própria banda. Trocava material constantemente com Giulliano. Como retribuição (pela amizade e pela música), além de comprar os cds deles para vender na loja que tinha na época, fiz camisetas da Low Dream, organizei um show para eles em Maringá e até paguei o estúdio para a gravação de "Me and My Friend Rain"(do álbum "Reaching For Balloons") para uma coletânea que nunca lancei.

Também me sinto orgulhoso porque foi uma época muito legal para o rock independente brasileiro e a Low Dream foi uma das bandas mais importantes enquanto estava na ativa. Hoje, troco e-mails ocasionais com o Giulliano, atual DJ Hopper.

Andhye Iore

BIOGRAFIA

ENTREVISTAS
Entrevista de 1994, lançamento de "Between My Dreams and the Real Things
Entrevista de 1996, lançamento de
"Reaching For Balloons"

FOTOS

DISCOGRAFIA

LETRAS
Between My Dreams
and the Real Things
"Reaching For Balloons"