MULTISOFÁ
ENTREVISTA
Andye Iore - O
Multisofá tem uma sonoridade muito melódica.
Qual a é a concepção musical da banda?
Maurício:
A banda surgiu do nosso interesse pelo folk feito
nos 60´s e por algumas coisas mais recentes que
também gostamos muito. Acho difícil pensar em
concepção musical quando o que
está em jogo é a espontaneidade; nossas
músicas surgem do acaso, não há nada além...
O folk ganhou um revival nos
últimos anos. Você acha que pelas pessoas
estarem mais individualistas hoje em dia, elas
ficam mais sensíveis a sons mais intimistas?
Maurício:
As pessoas estão mais individualistas? Onde?
Não sei se existe essa relação; é algo
peculiar ... existem pessoas que gostam de sair e
dançar com músicas do Belle and Sebastian,
outros preferem ouvi-las em casa, quietos e
absortos.
Como estão os contatos do
Multisofá no exterior?
Maurício:
O disco foi lançado com novo lay out e música
bônus no Japão e Estados Unidos pelo selo
japonês Little Pad records e também na Itália
pela Best Kept Secret.
Por que você acha que não se
forma uma cena independente no Brasil?
Gustavo
Gusmão: porque a vaidade entre as bandas é
muito grande, porque a qualidade nem sempre é o
aspecto mais valorizado nas bandas e também por
causa dessa cultura do "tapinha nas
costas", onde as pessoas se sentem na
obrigação de elogiar bandas de amigos ou
pessoas conhecidas, mesmo sem gostar. Por isso, a
qualidade das bandas acaba sendo comprometida. É
aquele esqueminha: "se voce gostar da banda,
fale bem dela, senão por favor não fale mal ou
omita-se"
Vários músicos já
tocaram/colaboraram com o Multisofá. Há alguma
dificuldade em se manter na banda?
Maurício:
É... foi um pouco complicado chegar à atual
formação. Tivemos alguns pormenores com
vocalistas e baixistas. Hoje em dia estamos mais
em harmonia.
Gustavo Gusmão: A maior dificuldade é
tentar manter um grupo de pessoas que esteja em
sintonia com a sonoridade da banda. Buscamos
pessoas que possam acrescentar algo pra banda e
não simplesmente "tapar buraco".
Até que ponto a utilização de
instrumentos mais sofisticados como violino e
piano fazem com que o Multisofá tenha um melhor
conceito musical?
Gustavo
Gusmão: A decisão de usar esses
instrumentos foi apenas conseqüência do
processo de gravação, onde enxergamos várias
possibilidades de arranjos, entre elas, a
utilização do violino e do piano. Não tivemos
a preocupação de ter que reproduzir todos esses
arranjos em shows. Mas nem por isso
considero o conceito musical melhor ou pior do
que alguém que grave só violão e voz. São
apenas escolhas diferentes.
Qual a importância da internet
no trabalho de vocês?
Maurício:
Enorme! Desde a gravação até a divulgação e
distribuição, tudo passa pela internet.
Qual é a sensação que você
tem ao pensar que sua banda faz um bom som,
gravou um bom disco, mas não tem repercussão no
Brasil?
Maurício:
Não dá pra negar que é um pouco chato sim.
Quando lançamos o cd tínhamos o interesse em
acertar com algum selo brasileiro o que
inclusive achávamos que não seria algo
complicado. Não rolou. Acho que ninguém deu o
famoso tapinha nas costas a nosso
favor. A conseqüência disso é que estamos
lançando o nosso próprio selo, o Bay King Music,
que, diferentemente do que vem acontecendo,
pretende lançar bandas que realmente nos
interessem. Inicialmente o selo conta Multisofá,
mas isso é só o começo. Pretendemos lançar
bandas de fora também. Em breve nosso site
estará no ar com mais informações. Nossa
postura é fazer o que nos dá prazer e não
ficar atrás de subterfúgios pra se conseguir
bons contatos. Estamos muito felizes com o que
alcançamos até aqui.
Andhye
Iore, agosto de 2002
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