NAÇÃO ZUMBI
Nação Zumbi lança quinto disco
Com referências eletrônicas, banda pernambucana conquista seu espaço e deixa a sombra de Chico Science

Andye Iore, 2002


Nação Zumbi: ritmos inteligentes e dançáveis

O Nação Zumbi é um grupo que sobreviveu à morte de Chico Science, que foi transformado em mito.

Enquanto a maioria das bandas acabam após a morte de seu principal membro, os pernembucanos passaram pelo abatimento da perda trágica de Chico Science, que morreu em fevereiro de 1997 num acidente de carro, e seguiram lançando discos e fazendo shows.

Como o manifesto do Mangue Beat divulgado no primeiro álbum, "Da Lama ao Caos" (1994), pregava um trabalho em cooperativa divulgando a cultura de Recife ao resto do mundo, os músicos continuaram a bater seus tambores embalados por black music e antenados às novas sonoridades. Era o Brasil fazendo world music para deixar europeus e americanos de boca aberta.

Quando o rock nacional vivia a expectativa de novas portas abertas pelas gravadoras e as bandas independentes sonhavam em tocar nos festivais como Juntatribo, Abril Pro Rock e Bhrif entre 1993 a 1994, os mangues de Recife inspiravam jovens a plugar seus instrumentos, baterem em tambores e se arriscarem em outras regiões.

O discurso social da periferia e os ritmos regionais colocaram Recife com destaque no cenário pop mundial e revolucionou o rock brasileiro. Assim, o selo Chaos da Sony captou Chico Science e Nação Zumbi, enquanto que o Banguela da Warner levou o Mundo Livre S/A. Em seguida, bandas pelo Brasil surgiram numa onda misturando rock com ritmos nordestinos.

MANIFESTO

O disco de estréia, "Da Lama ao Caos" foi lançado em 1994 e destoava de tudo que era feito no Brasil. O tradicional folclore regional apontava uma modernidade ao ser apresentado com guitarras pesadas, percussão contagiante e um manifesto divulgando a cultura de Recife para quem nem imaginava que rapazes nordestinos pudessem ser modernos. Músicas como "A Praieira" e "A Cidade" e a faixa-título anunciavam um novo conceito pop.

Em 1996, o experimentalismo saltou à criatividade da banda ao mesmo tempo que criaram fortes vínculos com a MPB. Impulsionado por "Manguetown" e pela versão de "Maracatu Atômico", de Jorge Mautner, o disco "Afrociberdelia" fez Chico Science e Nação Zumbi tocar no exterior em shows consagradores.

Como tudo que é moda passa rápido, os "caroneiros" se foram, Chico morreu e o Nação Zumbi continuou a levar as batidas "eletrotribais" às rádios e palcos mundiais. Como análise de tudo que aconteceu, a banda lançou "CNSZ" em 1998, com remixes dos sucessos, músicas ao vivo e, é claro, composições novas.

Como a vida continua, eles enfrentaram novo desafio ao lançar o quarto disco por uma gravadora independente. "Rádio S.Amb.A." foi lançado em 2000 e mostrou que, apesar da ausência do vocalista e compositor original, a banda mantinha a essência musical. O trabalho da maturidade musical acabou de ser lançado. Batizado simplesmente de "Nação Zumbi", o álbum novo mostra uma banda brasileira fazendo música de primeiro mundo.

Ao parar para pensar, chega a ser curioso entender como pode dar certo misturar maracatu, hip hop, psicodelismo, funk e soul. Para complicar – ou enriquecer – ainda mais, aos poucos sons eletrônicos foram aparecendo nas músicas do Nação Zumbi.

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