POLÊMICA
Música pela internet é
motivo de discussão constante
Apesar
dos processos judiciais, novas tecnologias
surgem permitindo que a música seja divulgada
Com tantos problemas, discussões,
polêmicas e julgamentos o Napster continua
funcionando. Porém, com baixas consideráveis.
Várias gravadoras, através de seus advogados,
conseguiram na justiça que o Napster não possa
mais oferecer músicas de seus selos pela rede.
Alegando que esta
prática consiste em pirataria, as gravadoras
levaram vantagem nesta luta de interesses
bilionários. Curiosamente, numa das pesquisas
recentes, foi confirmado que cerca de 75% dos
estudantes americanos fazem download de música
na Internet. E, paradoxalmente, as vendas de cds
aumentaram ano passado em consideração aos anos
anteriores.
Na verdade a
música na Internet é uma forma de informação,
de troca de cultura e um novo ânimo ao mercado
fonográfico que, ao contrário das declarações
dos milionários empresários, nunca esteve em
crise de vendas.
Um caso semelhante
aconteceu há 17 anos nos Estados Unidos,
envolvendo a gravação de vídeos. O Supremo
Tribunal americano decidiu que a sociedade não
poderia ser privada de uma certa tecnologia só
porque ela era utilizada de maneira ilegal.
Assim, podemos gravar nossos programas favoritos
na televisão hoje em dia.
O SUPERS convidou
algumas pessoas ligadas à cultura no Brasil para
darem suas opiniões sobre "o caso
Napster", sobre arquivar músicas no
computador e sobre o fato de pessoas como Billy
Corgan (Smashing Pumpkins) estimular o hábito de
ouvir música pela Internet, enquanto o Metallica
condena até os próprios fãs da banda:
Raul Aguilera (DJ)
Eu sou a favor
do Napster. Como o Nei Young bem disse:
"Quanto mais as pessoas conhecerem a musica
do artista, melhor. Quem tem que se preocupar com
direito autoral são as gravadoras." É
sabido que artista ganha mesmo com shows. Eu puxo
muito poucas músicas da internet e arquivo menos
ainda pois meu hd é bem limitado. E o Metallica
tá no direito deles, mas choram de barriga
cheia. Palmas pro Billy Corgan pois ele olha pro
futuro.
Zé Antônio (banda Pin Ups, de
São Paulo)
Sempre que
posso eu baixo algumas musicas e arquivo sim.
Acho essa facilidade genial, pois sempre leio
sobre bandas que não conheço e essa é uma
ótima forma de saber do que se trata. Acho que
essa informação é ingênua. Na maioria das
vezes que baixei uma música e gostei, acabei
comprando o disco. Não acredito que haja uma
modificação substancial, pois qualquer um pode
comprar uma fita cassete e gravar um disco na
casa de um amigo, ou no radio. E o número de
pessoas que pode fazer isso é muito maior que o
de usuários de computadores. O Billy Corgan
está certo. O pessoal do Metallica só consegue
mostrar que seu interesse é muito mais comercial
que artístico. O MP3 deve servir como
divulgação, é um meio de informação. Além
disso, eles chegaram a dar algumas declarações
totalmente equivocadas sobre o assunto, tipo
"O MP3 vai contra os princípios do
capitalismo ocidental" Que é isso? Bobagem.
Eu já achei várias músicas do Pin Ups na
Napster e achei ótimo. Se alguém se interessar
com certeza vai correr atrás.
Mário Bross (banda Wry, de
Sorocaba - SP)
Bem, na
verdade não prestei muito atenção nesse
rolo... Mas eu não aprovo muito este lance de
puxar músicas...Talvez algum dia mude de idéia,
mas por enquanto estou ao lado dos que são
contra, todos os artistas gostam de tomar conta
de suas "contas" quase que
pessoalmente, então é fácil ficar ensandecido
com uma página de internet que distribui seu
trabalho a "torto e direito" !! Não,
apenas puxo músicas pra ouvir...Elas ficam
arquivadas em algum lugar aqui, mas eu nucna acho
!! Em relação ao Billy Corgan e o Metallica,
cada um deve ter sua razão, depende do contrato
com a gravadora...Se eu soubesse o que rola por
trás desses posições, provavelmente eu
concordaria com um ou com o outro...Agora sem
saber eu concordo com o Metallica...Mas sou fã
do Billy Corgan (hehehe!)
Eduardo Lemos (colceionador de
discos e webdesigner de Maringá - PR)
Minha opnião
é que o Napster veio para ficar! Ele está
revolucionando o mercado da música mundial. Quem
curte música não precisa mais trocar
gravações de fitas ou cdrs e sim mp3 via
internet, que é bem mais rápido para conseguir
e mais barato. Já puxei vários mp3, não para
deixar em minha máquina e ouvir sempre e sim
para conhecer e depois comprar o cd ou o vinil.
Puxo pelo menos uma vez por semana. E após
conhecer o mp3 passei a comprar mais cds, com
certeza de que era aquilo mesmo que eu queria.
Como disse, não costumo arquivar as músicas,
pois me interesso pelos cds, com encartes, fichas
técnicas, track lists etc... Eu acho que bandas
como o Mettallica são babacas e vão
desaparecer, não tem nexo em proibir e até
processar os próprios fãs que puxaram alguns
arquivos mp3. É loucura lutar contra isto. Billy
Corgan está no caminho certo, hoje em dia uma
fita demo está em extinção, o negócio é mp3,
estimula a venda de cds e ajuda muito na
divulgação.
DJ Giullian Hopper (a.k.a.
Giulliano Fernadez, ex-Low Dream, de Brasília -
DF)
Não pego
músicas em MP3 e não uso o Napster. Alguns
amigos meus usam e pegam várias músicas, mas
não os djs. Eu acho. No meu caso, eu só toco
com discos de vinil. Não uso nem cd. Mas não
tenho conhecimento de causa para falar sobre o
assunto. Sei que é uma espécie de pirataria f*,
mas...
Alexandre Matias (Jornalista de
Campinas - SP)
E nessa briga
Napster, eu fico do lado da anarquia mesmo.
Legal é ver o circo pegar fogo!
Arthur Dapieve (jornalista e
escritor carioca,
autor do livro Ranato Russo O Trovador
Solitário)
Eu acho o rolo
importante por chamar a atenção para novas
formas de divulgação de trabalhos e, também,
para cuidados relativos a direitos editoriais e
autorais que devem ser tomados. Não baixo
arquivos não. Como eu trabalho direto na
Internet, a última coisa que eu quero fazer em
casa é navegar... Além disso, tenho fetiche
pelo objeto disco, LP, CD, o que for. Um arquivo
sonoro me parece abstrato demais. Para mim tanto
o Metallica quanto o Billy Corgan têm lá sua
dose de razão. E talvez aí esteja a chave da
questão: quem quiser que dê permissão para seu
trabalho ser disponibilizado na rede. Há,
porém, outra questão, subjacente e igualmente
importante: apenas os nomes conhecidos podem se
beneficiar do MP3 num primeiro momento. A
divulgação de novos nomes ainda vai se
beneficiar muito mais das mídias tradicionais.
Fábio Zimbres (quadrinhista, de
Porto Alegre - RS)
Eu não tenho
esse hábito de baixar músicas. Acho que
tecnicamente é roubo gravar músicas de um disco
e repassar (acho eu, não tenho certeza).
Inclusive fazer uma fita para os amigos deve ser
proibido, sei lá. Ninguém ligava antes porque a
qualidade era ruim mesmo, mas agora eles estão
com medo. É claro que quem tem medo é a
gravadora que ganha mais que os músicos e
precisa de uma maneira de vender músicas onde
ela seja a dona. O músico sempre pode tocar,
fazer shows e ganhar dinheiro aí e ele sempre
vai ser dono da música mesmo que não seja da
gravação. O dono da música vai receber o
direito autoral quando ele tiver que ser pago
(TVs, rádios etc, sei lá). Agora quem dominava
a mídia *disco* está vendo que ele pode sumir e
não se sabe como a música vai ser vendida. Eu
não sei porque o Metallica vestiu a camiseta da
gravadora. Não sei se partiu deles ou foram
empurrados pela gravadora a tomar alguma atitude.
Mas me parece uma burrice. É claro que direitos
autorais tem que ser reestudados quando existem
tecnologias que facilitam as cópias e as
transmissões mas os argumentos deles e a maneira
de encarar esse processo como uma simples
questão legal é muito idiota. Um cara que está
de fora da indústria claro que deve apoiar as
novas tecnologias porque elas tiram o controle da
gravadora. Um cara que já faça parte da
indústria acho que pode não fazer nada para
não chatear a gravadora que afinal deu muita
grana pra ele, pode ser capacho como o Metallica
e defender a posição da gravadora na indústria
da música ou pode chutar o balde como o Billy.
É de cada um e cada opção vai dar seu
resultado. Pelo que eu andei lendo muita gente
vai parar de comprar discos do Metallica.
(Frebs, banda Astromato, de
Campinas SP)
Puxa, quanto a
esse negócio do Napster, acho que eu não sou
tão indicado para responder, pois ainda não sou
usuário do programa. Pelo que sei, no entanto,
os avanços da internet são muito mais rápidos
que os avanços da legislação sobre direitos
autorais. Acho que o Billy Corgan só percebeu
que é inútil tentar brigar contra isso. A
internet e o Napster estão aí, vão surgir
novas maneiras de se divulgar música
gratuitamente, e o mundo só pode é se adaptar a
isso.
Andhye
Iore
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OPINIÃO DE
ANDHYE IORE
Sou
totalmente a favor da divulgação, comunhão,
puxação e pirataria de música pela Internet.
Já participei de todos os processos da
indústria fonográfica e sei como as gravadoras
manipulam esse mercado facilmente. Tive banda,
tive loja de discos, patrocinei bandas,
participei de sessões de gravações em
estúdio, participei de negociações para
contrato e organizei shows. Tudo isso me deu uma
clareza revoltante sobre esse mercado. O custo
final de um cd (para produção independente, com
baixa tiragem) não passa de U$ 2,00. Uma
gravadora multinacional, que faz milhares de cds,
paga menos que isso. Os cds são vendidos, das
gravadoras para as lojas, por uma média de R$
13,00. Nós pagamos nas lojas uma média de R$
22,00. Sabem matemática? De um máximo de R$
3,50 da fábrica para R$ 22,00 pro consumidor!
Através de MP3 fiz amizades incríveis e conheci
bandas maravilhosas que jamais compraria o cd por
aqui. O que você está perdendo tempo lendo isso
aqui? Você sabe quantas bandas colocaram
músicas na Internet hoje esperando que alguém
ouça? Então, vamos lá...
Você quer dar sua opinião sobre o
assunto? Então passe um e-mail pro SUPERS!
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