PATO FU
Pop de primeira qualidade
Trazendo a turnê do aclamado disco "Ruído Rosa" para Maringá, o Pato Fu revela maturidade e pés no chão em entrevista dada pela vocalista Fernanda Takai

O grupo mineiro Pato Fu surgiu em 1992, depois da passagem de seus músicos por bandas independentes. O vocalista e guitarrista John fez parte do Sexo Explicito, banda que se destacou no cenário alternativo brasileiro no final da década de 80.

Porém, como ninguém vive de status que o meio independente oferece, numa daquelas reuniões casuais do destino, João Daniel Ulhoa - o John - (guitarra e voz), Fernanda Barbosa Takai (guitarra e voz) e Ricardo Lunardi (baixo) acabaram se conhecendo na loja de instrumentos Guitar Shop – por acaso, de propriedade de John, na capital mineira.


Fernanda Takai: ruído rosa de simpatia

MISTUREBA

Depois de passar pela independente Cogumelo, por onde lançou o primeiro álbum "Rotomusic Liquidificapum" em 1993, o trio ganhou as páginas das revistas especializadas como a revelação do rock nacional. Com a curiosidade despertada na mídia devido à variedade musical, logo as gravadoras mandaram gente atrás pra descobrir mais sobre a banda de Belo Horizonte que tinha uma garota no vocal.

E o segundo disco já saiu pela BMG, em 1995. "Gol de Quem?" mantinha a "mistureba" bem humorada, mas com uma produção bem melhor que o disco de estréia. Com o suporte de uma "major" por trás, o Pato Fu foi consolidando uma carreira sem apelar para modismos e segue até hoje com suas características originais e com um baterista, Alexandre Tamietti Coutinho, efetivado na formação.

Prova do bom conceito que a banda desfruta em todas as camadas - do público aos produtores, passando pela mídia – é que eles já tocaram nos festivais mais importantes realizados no país, como o Hollywood Rock e o Rock in Rio. Além, é claro, de ser uma constante na programação da MTV.

NOVELA

Mas, o que impulsionou a carreira da banda para o estrelato, colocando-a no topo entre as principais bandas brasileiras, foi a inclusão da versão de "Ando Meio Desligado", dos Mutantes, na novela Global "Um Anjo Caiu do Céu". Com isso, a banda ganhou novos e numerosos fãs e a mídia estampou os mineiros em todos os lugares.

Bom para o recém-lançado disco "Ruído Rosa", que deve superar a marca das 100 mil cópias vendidas tranqüilamente. Mixado e masterizado no estúdio londrino Strongroom, por onde já passaram U2 e Radiohead, o disco teve como engenheiro de som Clive Goddard, que já trabalhou com Pulp e Moby, e está sendo aclamado pela imprensa especializada como o melhor disco pop brasileiro dos últimos anos. Apesar de toda a divulgação e agitação em cima da banda, eles parecem não se influenciar por isso.

O SUPERS conversou com Fernanda Takai. Na entrevista, a simpática amapaense (é verdade, Fernanda não é mineira como muitos pensam!) falou sobre a carreira da banda, do público e a repercussão da música na novela. Confira!

Andhye Iore - O Pato Fu veio de um meio independente e hoje é uma das principais bandas brasileiras. Como foi esse processo de ter que correr atrás para divulgar a banda e hoje já possuir um espaço conquistado?

Fernanda Takai - A gente teve alguns problemas na época que assinou o contrato com a BMG porque a gente tinha essa coisa de tocar no circuito universitário, de fazer shows menores. As pessoas não mudaram dentro da banda e nem mudamos o nosso jeito de trabalho. Quem levanta muita a bandeira dos alternativos, que só fica enxergando que para ser alternativo tem que ficar tocando na garagem e não pode viver de música, ter a banda e outro emprego, isso é errado! A gente teve esse início alternativo, não porque quiséssemos ser obscuros, mas porque não tínhamos alternativa, não tinha ninguém querendo tocar as nossas músicas. Fomos cultivando o nosso público pouco a pouco.

E de que maneira o sucesso mudou a vida de vocês?

Hoje, a gente nem é uma banda tão grande assim. O Pato Fu, dentro do segmento de pop rock, ainda é uma banda média em número de vendagens de discos, de turnê. Só que como tivemos a veiculação das nossas músicas em algumas coisas populares, como a abertura de novela e programas com muita audiência, talvez as pessoas tenham até se acostumado com a nossa música e não que a nossa música mudou para tocar em meios mais populares. A gente não mudou na filosofia da banda, que é fazer tudo com as próprias mãos. Desde a gravação do disco, o cenário foi feito em casa, toda a coordenação de web site, os clips. A gente faz a reunião com as pessoas, não tem um cara que vai e responde em nome da banda. Essa é um apostura que as bandas alternativas fazem.

E em relação aos fãs antigos, como é a reação deles?

É isso que falo, gente que gosta da gente desde o início de carreira e manda e-mail falando que a gente é popular. Eu respondo que pode ser o contrário, de as pessoas se acostumarem ouvir uma determinada banda e essa banda ser mostrada para tanta gente que soa familiar. A minha voz soa familiar para as pessoas.

Vocês tiveram uma oportunidade rara, que foi gravar uma
canção para uma novela, o que alavanca a carreira de
qualquer artista. Neste caso, vale a pena deixar qualquer
ideologia de lado para que a banda tenha mais reconhecimento?

Tivemos um convite da direção da novela para gravar uma versão dos Mutantes, porque o autor da novela gostava de Pato Fu e de Mutantes. Ele poderia ter escolhido qualquer outra banda. Como a música é boa, a banda é boa e estar numa novela com uma música com arranjo que a gente queria, não ia doer para ninguém... Se a gente não tivesse feito, eles iam chamar uma outra banda de outro segmento. Talvez, vocês estariam ouvindo funk na abertura da novela das sete. Se fosse questão só de oportunidade, mas não foi. Foi muito pelo gosto pessoal do cara que fez a novela e nos convidou. Acho que uma música na novela abre muitas portas. Mas, não adianta nada uma banda ter uma música na novela e ficar em casa e deixar de trabalhar. O que vende é o disco da novela e não o nosso disco. Provavelmente, os outros artistas que tem música na novela vão ser tão assediados para fazer show quanto a gente. Ter música na novela, você tem que provar seu valor cada vez mais, senão podem falar que é uma fórmula fácil.

Texto, entrevista e foto: Andhye Iore, julho/2001

FORMAÇÃO
• João Daniel Ulhoa "John" - (guitarra e voz)
• Fernanda Barbosa Takai (guitarra e voz)
• Ricardo Lunardi (baixo)
• Alexandre Tamietti Coutinho (bateria)

DISCOGRAFIA
• "Rotomusic Liquidificapum" (1993)
• "Gol de Quem?" (1995)
• "Tem Mas Acabou" (1996)
• "Televisão de Cachorro (1998)
• "Isopor" (1999)
• "Ruído Rosa" (2001)

CONTATO
www.patofu.com.br