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Zé Antônio fala de seu
trabalho na MTV
O
Supernova é mais difícil de fazer. Ë um
programa de parada que depende de um monte de
coisa e é um tipo de música que eu não gosto.
No Lado B é diferente. Toda a parte editorial
está nas minhas mãos, sou eu quem faz a
programação dos clips, dou uma olhada nos
programas arquivados e vejo o que tem passado e o
que não tem passado, dou uma olhada nos e-mails
pra ver os pedidos. As pessoas me cobram, mas é
muito difícil conseguir clips de fora. Estamos
conseguindo por outras vias, o Kid por algumas
gravadoras.
É
complicado conseguir um clip. No geral, há duas
maneiras. Uma é as gravadoras trazerem. Quando o
clip chega aqui, vai pra uma reunião, onde é
decidido qual programa o clip vai passar. O outro
meio seria pedir pra MTV americana mandar pra
gente. Eu faço listas com bandas que eu gostaria
de passar e mando pra lá. Então, faço uma
lista com trinta clips e eles mandam três. Eu
encho o saco das gravadoras nacionais pra elas me
mandarem material. E o outro caminho é falar
diretamente com as bandas, daqui e lá de fora
também. É complicado que as gravadoras daqui
mandem coisas pra gente.
A
Roadrunner lançou o Mercury Rev. Eu entrei em
contato e falei que não acreditava que eles não
tinham nenhum clip do Mercury Rev. Eles disseram
que tinham um clip do Mercury Rev, mas não
sabiam que música era, de que disco era. Eu pedi
o clip e, quando recebi, vi que era uma música
do disco que eles lançaram, do "Deserter
Songs". As gravadoras tem resistência
mesmo. Quando viajamos, entramos em contato com
as bandas e pedimos clips.
Clips
nacionais é mais complicado. Pra banda
alternativa sei que o custo de um clip é
absurdo. Com o custo de um clip dá pra gravar um
disco que divulga mais. Além do Lado B, nem na
MTV tem espaço para uma banda alternativa.
Gastar R$ 4 mil para gravar um clip que vai
passar uma vez por mês, é difícil. Sempre que
alguém me manda um clip, eu não censuro de
maneira alguma. Já passei clip no Lado B que
tinha qualidade bem baixa. Mas, é divulgação
que a banda pode.
Já
passei clips mal feitos, como também do Vellocet
que tem uma produção absurda. Ou como os da Low
Dream, quando eles existiam e tinham uns clips
muito bons. Estou convidando bandas para virem
aqui gravar no estúdio. É uma coisa que tem que
brigar muito aqui dentro. Lado B é um programa
pra um público específico, não é uma
prioridade da MTV.
A
gente conta com a boa vontade das pessoas e as
bandas tocam uma músicas duas vezes, eu faço
dois takes, edito aqui com áudio deles ao vivo e
coloco. É um modo das bandas terem um clip na
programação, por mais que não seja
tecnicamente perfeito. Em três programas, foram
quase 40 bandas e vamos gravar mais.
Zé
Antônio, diretor dos programas
"Supernova" e "Lado B" da MTV
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