ROCK REGIONAL

Shows e discos, a matéria-prima do rock curitibano

ANDYE IORE, julho 2002

Toda semana tem show em Curitiba. Em todo show, tem cd pra vender. É esse ciclo de "...alguém vai no show, compra o cd, monta banda e faz show pra alguém ir assistir..." que dá a Curitiba o título de cidade que mais produz rock no Brasil.

Só os exemplos recentes justificam isso. O "Psychobilly Fest 8", acontecido entre 12 a 14 de julho, reuniu 13 bandas de São Paulo e do Paraná apresentando a tradição do rockabilly na capital paranaense.

Do rockabilly clássico, passando pela surf music até o power psychobilly – um gênero mais radical – desfilaram os "dinossauros" do Kães Vadius, assim como os novatos Psicotrópicos Deluxe e os "astros" dos Catalépticos. Entre as 13 bandas, não faltaram o Ovos Presley e o Krápulas, que lançou o novo cd no evento.

Os Catalépticos já tocaram na Europa, no tradicional festival Big Rumble, que reúne as maiores bandas do mundo do gênero. E, no mês passado, fizeram uma bem sucedida turnê pelos Estados Unidos. Coisa que nem bandas de gravadoras multinacionais conseguem fazer.

Já neste final de semana – entre 19 a 21 de julho - Curitiba se torna a vitrine do novo rock brasileiro, com o festival "De Inverno 3", reunindo 15 bandas, novamente no palco do 92 Degrees.

O festival vem crescendo com o tempo e é marcado pela diversidade pop. Depois da estréia discreta em 2000 e da discutível mistura de MPB em 2001, este ano o evento traz até bandas de outros estados.

A escalação é eclética, resgata nomes tradicionais como Relespública e Magog e revela talentos como Svetlana e Exclesior. Pela primeira vez, bandas de outros estados tocarão no festival, que também é apoiado pela Fundação Cultural da cidade e lança um cd com as bandas participantes. Os convidados "estrangeiros" são Casino (RJ), Hurtmold (SP) e Pipodélica (SC).

Já os discos lançados pelas bandas curitibanas também tem uma produção variada. Há desde os cdrs - que substituem as demo tapes – como "Rossfield", do ESS, passando pela caprichada parte gráfica de "Take Um", do OAEOZ, pelo eficiente sistema de coletânea como "O Monstro", da Disgracera Records, até o "Zombification", dos Catalépticos, que foi lançado primeiro na Europa e depois no Brasil.

Com inveja porque não mora em Curitiba? Tenha a certeza de que qualquer viagem à capital do estado num final de semana vale a pena se você gosta de música.

CURITIBA

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