EVENTO
Rock
da discórdia
Projeto da
prefeitura de Maringá dá oportunidades às
novas bandas da cidade, mas não agrada a todos
os roqueiros
| O rock
vai agitar Maringá neste final de
semana. O projeto Rock na Praça, criado
pela Secretaria de Cultura do PT ano
passado, terá sua quarta edição neste
domingo (17), na Praça Pio XII, na Zona
5. As bandas participantes desta edição
são Sem Registro, Quinópteros e Eta
Brasil. O projeto faz parte da proposta
do partido da estrela vermelha em
popularizar a cultura na cidade. O evento procura
suprir a falta de opções na região
para quem gosta do bom e velho
rocknroll. Os participantes
são bandas de Maringá cadastradas na
Secretaria de Cultura, que avalia o
repertório, a qualidade e
disponibilidade dos músicos. Entre as 80
bandas cadastradas, 15 já se
apresentaram nas edições anteriores.
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O secretário de Cultura
João Laércio: oferecendo mais opção
aos jovens maringaenses
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A concepção do
projeto é realizar um rodízio e revelar grupos
de estilos diferentes em cada show. Cada banda
participante recebe um cachê de R$ 100,00 e tem
boas condições técnicas para a apresentação.
Todo o equipamento, bem como o palco,
iluminação e divulgação são pagos pela
prefeitura que gasta cerca de R$ 1.500,00 em toda
a estrutura.
REPERCUSSÃO
O primeiro Rock na
Praça aconteceu na comemoração do Dia dos
Trabalhadores, em 1º de maio do ano passado, num
evento na praça da catedral Nossa Senhora da
Glória. Depois disso, outras duas edições no
mesmo ano levaram bandas maringaenses aos palcos.
O segundo show foi realizado em agosto no
estacionamento do estádio Regional Willie Davids
e o terceiro em outubro já na praça onde
acontece neste domingo.
Também conhecido
como Praça do Cogumelo, o local tem um amplo
espaço aberto, recebeu cerca de duas mil pessoas
ano passado e animou o Secretário de Cultura
João Laércio Lopes Leal. "A resposta do
público na edição passada foi
fantástica!", considera.
Porém, esta não
é a opinião de todos. Apesar da proposta
democrática, algumas bandas da cidade ainda não
se inscreveram. É o caso da Virga Férrea,
lendária banda de hard rock com 15 anos de
estrada, e os indies do The Tamborines,
considerada como uma das maiores revelações do
rock independente brasileiro e que já teve disco
lançado no exterior.
Para Eddy Lust,
vocalista do Virga Férrea, o evento tem algumas
falhas. "A prefeitura precisa acompanhar as
bandas para ter um nível melhor. O fato não é
fazer cadastro, é ter qualidade pra segurar o
público que vai embora no meio do show.",
critica.
ORIGINALIDADE
Outro problema
presente na maioria das bandas é o excessivo
número de covers no repertório. Como não há
um critério por parte da organização para que
sejam apresentadas somente músicas próprias, as
bandas exageram nas canções de grupos famosos
visando agradar o público e não divulgar seu
trabalho.
O músico Sivaldo
Carlos de Melo, 32, baixista da Sem Registro, tem
outra opinião sobre a polêmica. "Se você
começa tocando só música sua, o público acha
monótono. A gente intercala e o pessoal acostuma
aos poucos.", explica o repertório com
músicas do Titãs, Legião Urbana, Capital
Inicial e Lulu Santos.
Na concepção do
secretário João Laércio, o Rock na Praça tem
outro conceito. "O evento tem como critério
fornecer entretenimento ao público.",
justifica a liberdade para as bandas tocarem
qualquer música e completa dizendo que há
outros projetos com a proposta de músicas
originais. Já Eddy Lust é mais radical. "A
única diferença entre as bandas que se
apresentaram é que uma toca Legião Urbana pior
que as outras.", ironiza.
OPORTUNIDADE
Mesmo assim, o
projeto é visto com bons olhos pelo público e,
principalmente, pelas bandas participantes. O
grupo Sem Registro existe há seis anos e tem uma
curiosidade em sua história. Formada por dois
amigos que estudavam juntos, os instrumentos eram
adaptados da fanfarra da escola. Com a entrada de
novos integrantes, alguns conhecidos em um
churrasco, a banda trocou a sonoridade de rock
pesado para uma influência do rock nacional dos
anos 80.
Tocar no Rock na
Praça foi uma das melhores oportunidades na
carreira da banda. "Antes disso, a gente
tinha tocado pouco com a nova formação. A
idéia é fazer desse evento um point das bandas
da cidade.", afirma animado Sivaldo, que
também é contador.
Como o rock sempre
foi um estilo que carrega a polêmica nas letras
das músicas e nas atitudes dos músicos, está
tudo bem. Entre os descontentes, resta inscrever
suas bandas ou encaminhar sugestões para
melhorar o evento que deve se tornar mensal em
breve. Como canta Mick Jagger "...its
only rocknroll but i like it!"
ou Neil Young "...keep on rockin' in the
free world!".
Andhye
Iore / 2002
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SERVIÇO
Rock
na Praça
Bandas: Sem Registro, Quinópteros e Eta Brasil
Data: 17 de março, domingo, às 15h
Local: Praça Pio XII (Cogumelo)
Entrada Franca
Informações: (44) 221-1426
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