SKANK
Pacatos cidadãos da música pop
Em passagem
por Maringá, os mineiros do Skank falam do
privilégio em serem uma banda que agrada a
vários tipos de público
| A origem
do Skank veio da banda Pouso Alto, em
Belo Horizonte, onde Samuel Rosa e
Henrique Portugal tocavam. Depois do fim do
grupo, em 1991, a dupla chamou Lelo
Zaneti e Haroldo Ferretti para formarem
uma nova banda com uma sonoridade pop
influenciada por reggae.
Com o
dinheiro dos shows, o Skank conseguiu
lançar um disco independente no ano
seguinte.
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Henrique, Samuel, Lelo e
Haroldo: tocando pelos palcos do mundo
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Depois da
tradicional peregrinação atrás de divulgação
e gravadora, os mineiros foram contratados pela
Sony para fazer parte do projeto Chaos, um selo
dedicado aos novos talentos que despontavam pelo
país, como Chico Science, Mundo Livre, Planet
Hemp e Jota Quest. Assim, o disco independente
foi relançado e a música
"Indignação" chamou a atenção da
mídia para a sonoridade que misturava reggae,
ska, dub criando um dancehall jamaicano com o
balanço poético do pop brasileiro.
CARREIRA INTERNACIONAL
De banda
independente, o Skank passou rapidamente para uma
das principais atrações do cenário musical
brasileiro. São seis discos lançados em onze
anos de carreira e que ultrapassaram cinco
milhões de cópias vendidas, além de serem
lançados em vários países, o que proporcionou
turnês pela Europa, Japão e América com
ingressos esgotados.
Prova maior do
reconhecimento internacional aconteceu em 1998,
quando o Skank foi convidado para participar do
cd oficial da Copa do Mundo, na França.
"Quanto mais viaja, mais a gente define o
que é o Skank. Assimila informações que são
valiosas na hora de compor e definir a
importância do Skank.", fala Samuel sobre o
trabalho no exterior. Outro momento de destaque
na carreira foi a apresentação no Hollywood
Rock em 1994.
Músicas como
"Acima do Sol", "Jackie
Tequila", "Te Ver", "Garota
Nacional", "Pacato Cidadão",
"Resposta", "Saideira",
"Uma Partida de Futebol" e "Balada
do Amor Inabalável", além de covers para
Bob Dylan, Roberto Carlos e The Police, colocaram
o Skank como um dos grupos mais executadas nas
rádios.
SUCESSO E FUTEBOL
"Talvez nós
sejamos privilegiados. É lógico que buscamos
isso por muito tempo também. Às vezes, as
pessoas acham que o sucesso é uma coisa imediata
e só ficam conhecendo o artista depois que ele
aparece nos grandes veículos e não conhecem a
história.", explica o vocalista, usando uma
camiseta dos escoceses do Belle & Sebastian,
sobre a ascensão do Skank e completa que a sua
banda não entrou na música por aventura como
muitas outras.
De jeito simples,
como típicos mineiros, e fanáticos por futebol,
os quatro músicos tem uma grande empatia com o
público. "O Skank se adaptou de uma forma
muito particular a esse negócio de ser uma banda
popular.", avalia Samuel o fato de um dia o
Skank estar num festival de bandas de música
baiana e, no outro dia, em um festival de rock.
Confira a entrevista concedida ao SUPERS
quando a banda esteve se apresentando em Maringá
no dia 9 de março de 2002. Na entrevista, os
músicos falam da relação entre a
independência e o mainstream, sobre a
manipulação da mídia e, é claro, de futebol.
Andhye
Iore
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ENTREVISTA
DISCOGRAFIA
"Skank"
(1992-1993)
"Calango" (1994)
"O Samba Poconé" (1996)
"Siderado" (1998)
"Maquinarama" (2000)
"MTV Ao Vivo" (2001)
FORMAÇÃO
Samuel
Rosa guitarra e vocal
Lelo Zaneti baixo
Henrique Portugal teclado
Haroldo Ferretti bateria
FRASE
"Hoje,
todo mundo quer ser mal, agressivo. Ficou meio
ridículo ser do bem. Eu quero lutar por isso. É
preciso saber que no lado do bem tem gente legal
também, tem gente articulada. Há uma
transgressão falsificada. Entre ser um
transgressor falsificado, eu prefiro ser eu
mesmo. Acho que 90% que se vê de banda bad boy,
tatuadinho com cabelo pintado, é tudo filhinho
de papai, almofadinha. Não tem realidade.",
Samuel Rosa falando da cena
roqueira
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